Friday, December 20, 2019

[CHRIST? MAS...] NATAL, MAS POUCO



O nascimento de Jesus foi um pouco como o Natal hoje em dia. Anunciado com muita antecedência, alvo de grandes preparativos, ansiado por muitos, temido por tantos outros. Todos esperam sempre muito, mas na verdade nunca ninguém sabe bem como vai ser... E muitas vezes a experiência incrível que se esperava acaba rodeada de palha, de estranhos e de alguns animais.

Não devia ser assim, mas infelizmente é nestas alturas que mais se acentuam as desigualdades e as diferenças entre pessoas. Há aqueles que fingem muito bem e há-os que não sabem fingir de todo, pelo que acabam a estragar a festa aos outros. É a dor do ser humano que se agudiza numa época em que fotos e luzes desfocam a triste realidade de muitas famílias - não foi assim o resto do ano. Não nos amamos assim tanto. Toleramo-nos. Não queremos realmente dar presentes, mas há um código social que nos obriga. Não queremos estar aqui, mas temos de estar. 

Quando é que começámos a fazer as coisas porque temos de? Será que tem mesmo de ser assim? 
Natal significa literalmente "nascer", mas eu questiono-me sobre o que tem nascido em nós. Nas nossas casas. Nas nossas famílias. Nos nossos pensamentos. Nas nossas emoções. Nos nossos corações. 

Eu adoro o Natal, mas não posso dizer que tenha tido experiências espetaculares ao longo dos anos. Se calhar vocês também não. Não sei. O que sei é que eu nunca desisti. Talvez porque a essência da época sempre esteve escondida dentro de mim e eu não sabia. Mesmo quando não tinha o Cristo que dá o Crist ao Christmas em inglês, eu sempre procurei e sonhei com o "nascimento" que o Cristo representa em nós que Nele cremos. 

O nascimento de novos sonhos. O nascimento de novas ideias, oportunidades, amizades. O nascimento de uma família diferente, de um amor crescente. Nascimento de forças, de coragem, de fé num amanhã melhor. O nascimento da esperança, da vida, da eternidade. 

Jesus nasceu para que pudesse viver como homem, como um de nós e, assim, hoje pudéssemos acreditar que Ele sabe o que sentimos, pensamos, sofremos. Jesus nasceu para dar a vida novamente, em prol de todos nós, para que acreditássemos que depois de hoje há um amanhã,  que depois da dor nasce a restauração, que depois da tristeza nasce a alegria, que depois da noite nasce o dia. Que depois da morte há Eternidade. 

Jesus nasceu e deu a vida para nos dar a oportunidade de entregar a nossa e, assim, nascermos também de novo. E, como Ele, passarmos de meninos a filhos de Deus, do Pai de amor que O enviou por amor a nós. 

Oiço muitos falarem do Natal com amargura e ressentimento. Compreendo os seus motivos, mas não precisa de ser assim. Não se entendermos o que significa verdadeiramente o Natal. Não se aceitarmos que não são as circunstâncias onde "nascemos" que determinam quem somos. Jesus nasceu num estábulo. A sua companhia eram, além dos seus pais, estranhos e animais. O ambiente não mudou quem Ele era. Não mudou o Seu nome. Não mudou a Sua identidade. 

700 anos antes Isaías profetizou o Natal e a Páscoa:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. - Isaías 9:6

Nasceu menino para que pudesse ser "filho do homem", mas foi dado como Filho pelo próprio Deus e tornou-se Governador de um Reino que não tem fim quando entregou a Sua vida em resgate por todos (I Tm 2:6). 

Isaías omitiu as circunstâncias do Natal, o local, o ambiente, a companhia. Também não referiu o nome Jesus ou Emanuel (que significa Deus connosco), ambos nomes do Messias, mas deixou-nos uma descrição profunda da Sua identidade ao declarar que Ele seria chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. 

Friday, December 22, 2017

A ESCOLHA DE ESTER


Sempre gostei muito da história de Ester. É uma personagem que ainda hoje marca a minha vida com Deus e volta e meia penso nela. Podia ser apenas a história de uma mulher bonita que se tornou rainha, mas Ester foi muito mais do que isso. Um exemplo de resiliência, determinação, coragem, humildade, honra, sabedoria, estratégia... Uma mulher que tinha tudo para ser amarga, deprimida, revoltada. Uma mulher que era humana, limitada, certamente com muitos defeitos, mas que não deixou que o seu passado determinasse a sua identidade e ditasse o seu futuro. 

O livro de Ester é muito rico e apesar de nunca mencionar o nome de Deus, podemos perceber a Sua ação do início ao fim da história. É assim também na nossa vida muitas vezes, não é? Quando Ele está em nós, às vezes mesmo sem mencionar o Seu nome, podemos percebê-Lo em acontecimentos, em conversas, em conselhos, até num abraço... 

Há várias lições para a vida cristã no livro de Ester, recomendo que o leiam se ainda não tiveram oportunidade, mas hoje quero partilhar convosco alguns aspetos em particular presentes no capítulo 2, que me vieram à mente e ao coração durante as férias, enquanto conversava com o Pai. 

Era uma vez uma menina judia chamada Hadassa. Depois de perder os seus pais, é adotada pelo seu primo Mardoqueu, um judeu da tribo de Benjamim, que tinha sido levado para o exílio pelo rei Nabucodonosor. 

Hadassa era o seu nome de nascimento, mas na Pérsia a menina recebeu o nome de Ester. O nome Hadassa tem origem no hebraico Hadassah, derivado da palavra hadas, que quer dizer "mirto" ou "murta". Murta é um arbusto com origens na Europa e norte da África com folhas conhecidas por exalarem um cheiro agradável quando são esmagadas. Interessante, não acham? Quantas vezes temos sido esmagados pelas circunstâncias, tal como aquela menina. No caso dela a orfandade, o sair da sua casa, do seu conforto, de tudo o que conhecia, para ir viver num lugar estranho, educada num país que não era o seu, com uma língua e uma cultura que não era a sua, por um familiar que não era o seu pai. Ester foi esmagada, mas dela eventualmente exalou um cheiro agradável. Será que connosco tem acontecido o mesmo? Quando somos esmagados por situações que não podemos controlar, retirados do conforto e daquilo que conhecemos, o que revela o nosso coração? Tenho aprendido que a dor é necessária, mas ela precisa de ser processada e vivida, para chegar ao momento em que se transforma em cânticos de adoração. Nem sempre é fácil, mas tenho descoberto que o sofrimento é transformado quando conseguimos agarrar nele e depositá-lo aos pés de Deus. A nossa alma abate-se, mas se deixarmos, o bálsamo de Deus vem sobre nós e cura-nos. 

Ester significa "estrela" e foi isso mesmo que a heroína da nossa história se tornou. Como uma estrela, ela brilhou apesar do seu passado. Ela iluminou apesar da sua dor. Ela dirigiu apesar das circunstâncias adversas. Será que conseguimos fazer o mesmo? Agarrar no nosso nome, na identidade que nos foi dada, muitas vezes tão diferente daquela que Deus nos deu, e transformá-la para a Glória Dele? Na nossa força dificilmente, mas em Deus, na força do Seu poder, certamente. Ele é o único capaz de transformar um passado cinzento num futuro brilhante.  

Isto é um aparte, mas eu acho fantástica a importância que a Bíblia (e na verdade os judeus) atribui ao nome. Devíamos aprender com isto, afinal o nome é uma parte importante da nossa identidade. Inclusivamente vemos Deus mudar o nome de algumas pessoas como que marcando um antes e um depois na sua história. Recentemente fui pesquisar a origem do meu nome e descobri que afinal Diana não é só uma referência à deusa da caça, mas significa "divina" ou "aquela que ilumina". Muito melhor, não? (: Quando pensarem no nome dos vossos filhos tenham isso em consideração, lembrem-se que eles vão carregar essa identidade para o resto da vida.

Voltando à nossa história, e abreviando-a: o rei Assuero da Pérsia zangou-se com Vasti, rainha-consorte, e decidiu que ela já não era digna desse lugar. Repudiou-a, seguindo a sugestão dos seus conselheiros e decidiu arranjar outra mulher para o lugar.

O rei Assuero, ou Xerxes I como é historicamente conhecido, era herdeiro do maior império do seu tempo, o Império Persa e apesar de ser tido pelos relatos históricos, como um homem bonito para a sua época, era também um rei egocêntrico e até vingativo, de temperamento colérico e sensual.

Este rei manda então reunir todas as donzelas (virgens, leia-se) do reino e trazê-las para o palácio para uma espécie de casting. Aquela que lhe agradasse receberia o título de rainha. As outras, bom, digamos que não regressavam a casa... A poligamia e os haréns eram características comuns da cultura persa, pelo que, uma vez escolhida a rainha, as outras passariam a viver como concubinas do rei (Et 2:14) que é como quem diz escravas, sem grandes direitos, nem sobre o seu corpo, nem sobre os seus filhos.

Pelo que lemos em todo o livro parece-me claro que Ester foi ensinada a temer e a adorar a um único Deus, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Mardoqueu tê-la-á ensinado a Lei do Senhor e os seus princípios e não devia ter em mente casá-la com alguém que não fosse igualmente judeu (apesar de estarem longe de casa), como era costume do seu povo. No entanto, os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos e Ester tem agora o seu destino traçado. Se não fosse escolhida para ser rainha, os esforços de Mardoqueu na sua educação de pouco lhe serviriam, porque ela passaria a ser uma concubina. Podia ser até este o desejo de muitos naquele tempo, já que isso significaria viver no meio do luxo que a corte persa implicaria, mas um servo do Deus Altíssimo não desejaria isso para a sua filha.

É este contexto que temos, e é neste contexto que Ester chega ao palácio persa. Imagino a cena, a miúda devia estar em pânico, talvez com um misto de emoções, com curiosidade por conhecer o rei e a vida num palácio, claro, afinal ela era humana, mas ao mesmo tempo, com muito medo. Certamente com muita ansiedade, dúvida, desespero. Não sei, mas isto não é um conto de fadas malta, ela não foi ao baile qual cinderela a dançar com o seu príncipe encantado. Ela era uma jovem a ser tirada à força da família, mais uma vez... mais uma vez Ester era retirada do seu conforto, do seu lar e era colocada num meio estranho e hostil, cheio de intrigas e rivalidade. Só posso imaginar aquilo que ia na cabeça dela e no seu coração, o horrível conflito interior. 

Quando a ordem do rei foi tornada pública, numerosas jovens foram levadas a Susa e reunidas no harém à guarda de Hegai. Ester encontrava-se entre elas. Hegai gostou muito daquela jovem e por isso lhe destinou imediatamente os produtos de beleza e alimentação especial e lhe deu sete das melhores empregadas da casa real, para a assistirem. Foram-lhe ainda dados os melhores aposentos do harém, para ela e para as suas empregadas. Ester 2:8,9

Ester causou uma boa impressão. Ela era esbelta e formosa (vs.7), mas certamente haveria mulheres igualmente bonitas no meio do harém, por isso acredito que foi mais do que a beleza que a destacou das demais. Já referi atrás a educação judaica de Ester. E, ao contrário do que possamos pensar, na época bíblica, as mulheres eram ouvidas, respeitadas e admiradas. Isso mudou mais tarde, mas havia mulheres profetisas e juízas. As mulheres tinham voz, tanto no campo privado como no público. (*) Então acredito que Ester fosse uma jovem educada, humilde no trato, ensinada a servir e a honrar, mas também uma mulher inteligente e com carisma.

Monday, November 6, 2017

#2 ESPELHO DA ALMA: GISELE MANJUA, UMA LUTA CONTRA O CANCRO


A minha convidada de hoje é uma mulher como nós. Podíamos ser nós, na verdade. Mulher, esposa, filha, e mãe, ela descobriu um cancro numa das alturas mais sensíveis da vida de uma mulher, a gravidez. Não imagino o que ela possa ter sentido, mas acredito que ela mesma nos poderá contar e ensinar-nos como suportar uma dor tão grande e ainda assim permanecer fiel ao Deus que nos ama. Este espaço existe para partilhar testemunhos que nos edifiquem e nos fortaleçam e por isso eu desafiei a Gi para este Espelho da Alma.

O nome Gisele pode ter dois significados: "refém" ou "a que maneja a lança com destreza". Acho curioso, porque ela ficou realmente refém de uma doença, mas decidiu ser a que maneja a lança com destreza e lutou esta batalha como um soldado que sabe quem é o Seu Capitão. E venceu. Porque Deus vence sempre, mesmo que pareça que não. Mas sem mais demoras, vamos conhecê-la...


Gi, fala-nos um pouco de ti. Como é que conheceste Jesus e quem era Ele na tua vida antes de receberes a notícia de que tinhas cancro?

O meu nome é Gisele Fernandes Procenia Mamjua, sou brasileira, moro em Portugal há 10 anos, sou casada com um agolano e desta união tivemos dois filhos, Pamini de 7 anos e Noah de 2.
Nasci numa família católica praticante, fui batizada quando nasci, tínhamos de ir à missa todos os domingos, fazer a primeira comunhão, crisma, tínhamos que saber todas as rezas de todos os santos.

Perdi o meu pai muito nova, com 10 anos de idade, e desde então entrei em depressão e apegava-me a rezas, missas e anti-depressivos para poder viver. No ano de 2008, estava a vir do trabalho de autocarro, a ler um livro de autoajuda, quando de repente, se senta ao meu lado uma doida e me pergunta o que eu estava a ler. Eu respondi: "O Segredo" e ela perguntou-me "esse livro é sobre o quê"? Respondi que era um livro de autoajuda, e ela então disse-me que conhecia um livro verdadeiro e eficaz de autoajuda - A Bíblia. Pensei eu: "lá vem uma crente me encher o saco" (aborrecer-me).
Ela ficou uma hora a falar da Bíblia, e depois convidou-me para visitar a igreja dela, e eu disse que iria, só para a despachar.

Fui para casa e comentei com o meu namorado, atualmente meu marido, e fiquei curiosa para saber se o Deus de quem ela falava era o mesmo que eu achava que conhecia. E desde então fiquei a saber que Ele era muito mais do que aquilo que eu imaginava ou conhecia. Desde que conheci verdadeiramente Jesus sabia que ele era capaz de tudo, mas tudo mesmo, e quando recebi a notícia do cancro pensei: vou morrer, mas se essa for a vontade de Deus que assim seja, pois se Ele me deu um filho, que tanto desejei, Ele fará conforme a Sua vontade para a minha vida.
Mas não é fácil, mesmo confiando em Deus, aceitar uma notícia destas.


Tens uma família linda e estavas grávida do teu segundo rebento quando descobriste que tinhas cancro, com sete meses de gestação. O que é que sentiste quando o médico te deu o diagnóstico?

Sabes, como eu disse antes, a primeira coisa que me veio a cabeça foi: vou morrer. Fiquei muito revoltada, chorei durante uma semana inteira sem parar, que foi o prazo que os médicos me deram para o bebé nascer. Dado o estado avançado da doença eu precisava de começar logo a quimioterapia.


Monday, October 30, 2017

SOBRE O HALLOWEEN E DIA DE TODOS OS SANTOS



Em atualização

Já tenho este blog há vários anos e nunca considerei escrever sobre este tema. A verdade é que já muito se falou e escreveu sobre isto e, portanto, nunca achei que eu pudesse acrescentar algo à discussão. Isso e sempre tive alguma preguiça, confesso. (:

Entretanto, tenho percebido que há ainda muita confusão no meio cristão sobre este tema e enquanto orava ontem, senti que devia trazer-vos algum esclarecimento sobre esta festa e sobre o que a Palavra nos ensina, para que cada um possa tomar uma decisão fundamentada. Modismos e achismos à parte, os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus e, portanto, é importante que estejamos munidos de tudo o que pudermos para fazermos escolhas conscientes. Para a árdua tarefa de hoje pedi ajuda à História, para nos ajudar no contexto dos factos, e à Bíblia, que é a Palavra de Deus revelada aos homens e que é a “lâmpada que ilumina os nossos passos e a luz que clareia o nosso caminho” (Salmo 119:105). Ora venham comigo nesta aventura… Se não tiverem paciência para ler tudo, passem diretamente à parte "E o que a Bíblia diz"



A ORIGEM DAS FESTAS 

O Halloween, ou Hallowe’en, tem a origem num festival Celta muito antigo – o Samhain (que significa “o fim do verão”) –, que marcava o início do inverno, o fim das colheitas e o início do novo ano celta que, de acordo com o calendário gregoriano adotado no século XVI, se comemorava a 1 de novembro. Era a celebração mais importante do antigo calendário celta e, apesar de ter sido substituído no século VII, é ainda hoje relembrado por toda a Europa sob a forma de diferentes tradições e costumes que perduram até aos nossos dias.

Tradicionalmente, durava três dias, coincidindo atualmente com as celebrações católicas da Vigília de Todos os Santos (noite de 31 de outubro), Dia de Todos os Santos (1 de novembro) e Dia dos Fiéis Defuntos (2 de novembro).

Os celtas acreditavam que, no dia 31 de outubro, o véu que separava o mundo dos vivos e dos mortos se tornava mais ténue e que os mortos constituíam então um perigo para os vivos, causando problemas como doenças ou destruição das colheitas. 

Os festivais envolviam fogueiras, em honra de familiares já falecidos, para purificar pessoas e a terra, e afastar os demónios, que eram mais fortes nesta altura do ano. De acordo com documentos antigos, no Samhain faziam-se inclusive muitos sacrifícios aos deuses celtas da morte, com animais e humanos lançados em grandes fogueiras como ofertas. Trajes e máscaras eram usados na tentativa de copiar os espíritos malignos ou acalmá-los.



SÍMBOLOS E ATIVIDADES RELACIONADAS COM O HALLOWEEN

No Halloween, os celtas colocavam um esqueleto à janela para representar os mortos. Acreditando que a cabeça era a parte mais poderosa do corpo, contendo o espírito e o seu conhecimento, os celtas também usavam a cabeça de um vegetal para afugentar quaisquer espíritos malignos que pudessem tentar atacá-los. Usavam-se nabos para se esculpirem caras e assim eram colocados às janelas, para evitar os espíritos malignos. 


  •  Jack-o'-lantern ou lanterna de abóbora
As abóboras esculpidas com velas lá dentro em jeito de lanterna remontam à antiga lenda Irlandesa, que conta a história de um velho agricultor de nome Jack, ganancioso e bêbedo, que terá enganado o diabo e por isso terá sido condenado a vaguear pelo mundo, errante, à noite com a única luz que tinha: uma vela dentro de uma cabeça de nabo esculpida. 
As abóboras esculpidas ficaram associadas ao Halloween na América do Norte, onde as abóboras não só estavam disponíveis em grande quantidade, como eram bastante grandes, facilitando as esculturas. A abóbora esculpida começou por ser usada na altura das colheitas, só foi associada ao Halloween quase no final do século XIX. 

  • Jogos de adivinhação 
Na noite correspondente ao Halloween, e à semelhança do que acontece atualmente, eram feitos vários jogos, alegres e muito barulhentos. Alguns persistem até hoje, como é o caso do “apple bobbing” ou “bobbing for apples”, que consiste em tentar pescar uma maçã com a boca de um tanque cheio de água.
Os celtas acreditavam que a presença dos espíritos era propícia à adivinhação e muitos dos jogos tinham, por isso, um caráter divinatório. Eram especialmente usados para questões relacionadas com o amor ou o casamento. 

  • Trick-or-treat: doce ou travessura? 
"Trick-or-treat", em português “Doce ou travessura”, é um costume para crianças no Halloween. As crianças mascaradas vão de casa em casa pedir doces ou dinheiro com a pergunta “doce ou travessura"? A "travessura" é uma ameaça ociosa sobre os proprietários ou suas propriedades se estes não lhes derem nenhum doce. 
A prática de vestir-se em trajes e ir de porta em porta a pedir doces em feriados remonta à Idade Média e inclui os cânticos de Natal. A prática de “Doce ou travessura” assemelha-se à prática medieval de souling, quando pessoas pobres iam porta-a-porta no dia 1 de novembro, recebendo comida em troca de orações pelos mortos no Dia dos Fiéis Defuntos, a 2 de novembro. A prática de pedir "Pão por Deus" que conhecemos poderá ter também a sua origem aqui.



O HALLOWEEN HOJE

O Halloween hoje é uma amálgama da própria época, de obras de literatura gótica e de terror, de quase um século de trabalho de cineastas e artistas gráficos americanos e de uma exploração (altamente comercial) do oculto e do misterioso.

As imagens de Halloween tendem a envolver a morte, o mal, a magia ou monstros míticos. As personagens típicas nos EUA, entretanto importadas para outras partes do mundo, e mais recentemente, Portugal, incluem o diabo, a morte, fantasmas, demónios, bruxas, goblins, vampiros, lobisomens, zombies, múmias, esqueletos, gatos pretos, aranhas, morcegos, corujas, corvos, abutres, etc. O temas do ocultismo e das trevas é, sem dúvida, recorrente. 

Tuesday, September 5, 2017

DESTINO: DAMASCO OU JERUSALÉM?


Ontem de manhã estava a orar pelo Fireoste(*), a conferência de jovens da igreja onde congrego, que irá acontecer no fim de setembro, e o Espírito Santo levou-me a orar por transformação de dentro para fora e por um verdadeiro encontro com o Senhor, tal como aconteceu com Saulo de Tarso, que hoje conhecemos como Apóstolo Paulo. Ora, o tema da conferência, curiosamente, é  "Destino"  e Deus levou-me exatamente a compreender qual era o destino daquele homem e qual será o nosso, se não tivermos este encontro com Ele.

A presença de Deus é tão transformadora que tem o poder de mudar identidades, histórias e destinos.  Assim aconteceu com Saulo, um perseguidor de cristãos, que se torna Paulo depois de ter um encontro com Jesus a caminho de Damasco.

Enquanto orava tive uma convicção profunda de que Damasco era muito mais do que um destino físico e o Espírito conduziu-me numa pesquisa pela Palavra, que me surpreendeu. Deixo-vos as referências, mas ficaria muito extenso explicar cada uma, pelo que desafio-vos a ler depois para entenderem melhor.

Damasco é inimiga de Deus e de Israel (II Samuel 8:5),  um símbolo de ruína espiritual (Isaías 17:1); de morte e de traição (II Reis 8:7). símbolo de idolatria (II Reis 16:10); de maldade e violência (Amós 1:5);  e de perseguição (II Coríntios 11:32).  Mas Damasco é também símbolo de esterilidade  (Génesis 15:2) e de deserto (II Reis 19:15) e sobre estas últimas quero dizer algo.


Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!”Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Génesis 15:2

Abrão não tinha filhos porque Sarai, sua mulher, era estéril, e como era comum na época, o seu herdeiro seria Eliézer... de Damasco. É isso que Abrão quer dizer quando responde a Deus: "de que é que me serve a recompensa se não tenho um filho a quem a deixar?". Reparem que no momento em que isto acontece, Abrão ainda não é Abraão e Sarai ainda não é Sara, porque isso só pode acontecer depois de um encontro real com Ele. E sem esse encontro, o nosso destino é Damasco. Sem esse encontro Abrão e Sarai morreriam sem filhos, mas Deus marcou a vida deste casal de forma tão profunda, que mudou o seu destino, a sua identidade e a sua história. Abraão tornou-se o pai da fé e Sara mãe de nações. Geraram Isaac, o filho da Promessa e com ele gerações até ao nascimento de Jesus, o Messias.

Então o SENHOR Deus lhe orientou: “Vai, retorna por onde vieste para o deserto de Damasco.  I Reis 19:15

Deserto nesta passagem é midbar no hebraico, a mesma palavra utilizada em Isaías 51:3: Porque o Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Eden e a sua solidão como o jardim do Senhor; gozo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de cântico. Mais do que um deserto físico, Damasco é um deserto espiritual. Lugar inóspito, de difícil cultivo e de seca profunda, em oposição às águas vivas e terras férteis do Eden. A comparação em Isaías é interessante porque percebemos a oposição clara que há entre o deserto e o jardim de Deus. A oposição entre a solidão, tristeza, a falta de perdão, amargura de um e o gozo, alegria, ações de graças, favor, vida e cânticos de outro. 

O Eden é o nosso destino desde o princípio. Foi ali  que Deus colocou o Adão, Adam no hebraico, a humanidade e é ali, às origens de tudo que Ele nos quer conduzir. O pecado afasta-nos de Deus Pai e conduz-nos a Damasco, mas o sacrifício redentor de Jesus, o Cristo, leva-nos de volta para casa, para perto do Pai. 

(...), seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; contudo, levanta-te e entra na cidade, pois lá alguém te revelará o que deves realizar. Atos 9: 3-6

E havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou em uma visão. (...) Vai, pois ele é para mim um instrumento escolhido, a fim de levar o meu Nome diante de gentios e seus reis, e perante o povo de Israel.Revelarei a ele tudo quanto lhe será necessário sofrer por causa do meu Nome. Atos 9:10; 15,16

Então, era este o destino de Saulo. Damasco. Era para este "lugar" que ele se dirigia, até que Jesus o interrompeu pelo caminho e mudou o seu destino e a sua história. O seu destino a partir daquele momento mudou. Deus revela-o a Ananias: levar o nome do Senhor perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel (At. 9:15). Isto é tremendo. Um perseguidor de cristãos cujo destino era provavelmente a ruína, o deserto e, certamente, a morte espiritual, agora vai ser pregador. Uau. É isto que Deus faz. Não só com Saulo, mas connosco hoje também. Não importa o que tu foste, importa o que tu podes ser, em Deus. 


Saturday, May 6, 2017

VAMOS ATÉ AO JORDÃO?



Há muito tempo que penso em escrever-vos, mas começo a escrever e depois não sei, parece que não é o tempo, que não tenho vontade, que não sei bem como continuar e páro. Há uns dias atrás abri a Bíblia e pedi a Deus que falasse comigo. Tenho vivido tempos de introspeção e de reflexão e sofrido um bocadinho em silêncio e naquele momento sentia que precisava mesmo do poder da Palavra na minha vida. Fui parar a II Reis e li o seguinte:

E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar para habitar. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou, e disse: Ai, meu senhor! ele era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro. E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou. II Reis 6:1-7

Li outros capítulos, mas estes versos ficaram a ecoar dentro de mim. Fiquei tão curiosa que voltei atrás. Porque é que no meio da história dos reis de Israel haveria de estar ali aquele fait divers? Achei tão estranho... agora até me dá vontade de rir, mas a verdade é que fiquei deitada na cama de luz apagada a pensar que isto  não podia estar na Bíblia por acaso. Não podia ser um engano, nem palha para encher, portanto, alguma coisa isto quereria dizer, "mas o quê", perguntava eu a Deus. E li e reli no telemóvel até que percebi algo... 

O lugar onde estou, onde estamos, está a ficar pequeno demais. Da mesma forma que uma planta a certa altura do seu crescimento precisa de ser mudada de vaso para poder crescer, há também um tempo na nossa vida em que o lugar (não necessariamente físico, mas espiritual, entendam-me) onde estamos, se torna demasiado apertado para o que Deus quer operar em nós. Há um momento em que é preciso alargar o lugar em que habitamos. Porque ele se tornou demasiado confortável. E porque essa terra já deu o que tinha para dar e já não tem nutrientes que nos permitam crescer e dar fruto. 

o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão...

Quando percebemos que já não podemos mais permanecer onde estamos, como estamos, que já não podemos fazer as coisas da mesma maneira e que há mais, então é tempo de ir até ao Jordão. O Jordão que significa "aquele que desce" ou "lugar onde se desce". E como nós precisamos descer... Para fazermos um novo lugar para habitar (e habitação fala de construção, de estrutura) é preciso descer da nossa altivez, descer da nossa arrogância, descer das nossas vontades, descer dos nossos achismos, descer da nossa condição atual e mergulhar, para ressurgirmos preparados para enfrentar um novo tempo, uma nova habitação cheia do Espírito Santo e do Seu poder!

Friday, December 30, 2016

GRATIDÃO



Gratidão. Por tudo e por nada. Pelo dia de hoje e pelo de ontem. Pelo que vivi. Pelo que sofri. Pelo que cresci. Pelo que dei e pelo que recebi. Pelo que pude fazer e pelo que não consegui alcançar. Gratidão é o que sinto neste último mês, nestes últimos dias do ano.


Há muito que não vos escrevo, por um lado por falta de tempo, por outro por falta de vontade e já sabem que eu não escrevo por obrigação, mas pelo coração. E foi o coração que me trouxe de volta, com a necessidade de partilhar convosco o que tem estado cá dentro nos últimos tempos e, em especial, para vos deixar com algo para pensar neste que é o fim de mais um ano.  

Tenho pensado muito nos últimos tempos, na minha vida, nos meus objetivos, no que aconteceu neste ano, no que alcancei, no que falhei e de repente dei por mim num lugar de crise. Crise porque sinto que o que alcancei não é suficiente, porque sinto que há mais de Deus para mim, e que eu consigo fazer melhor para Ele. Crise porque sinto o tempo a fugir-me das mãos e isso assusta-me. Crise porque vejo o mundo a discutir por aquilo que não tem qualquer valor. Crise por ver como tudo passa e como as pessoas perdem tempo (às vezes eu inclusive) com coisas que não interessam. Crise porque passamos a vida a correr e nem damos conta de que ela está a passar-nos ao lado. Crise porque me sinto pequena demais e muitas vezes insuficiente. Crise porque muitas vezes não consegui fazer o que queria ter feito...  

Mas sabem, a crise não tem de ser um lugar mau. Não quando temos Cristo. Porque Ele é o Caminho e com Ele sempre vamos ser capazes de nos dirigir para o lugar certo. Com Ele sempre seremos capazes de sair do lugar de crise para o lugar de criação. Porque na crise, cria-se! A crise conduz-nos a novas decisões, incentiva-nos a crescer, constrange-nos a transformar e a ser transformados. E é curioso que estes dias alguém dizia precisamente que a crise é um lugar necessário para o avivamento e para a transformação. E eu não podia concordar mais. É nesses momentos que damos o salto. É aí, na insatisfação e na incapacidade, que Deus entra com a Graça e nos leva a um novo lugar Nele. Mais alto. Mais perto. Muito mais perto Dele. 

Mas é preciso abraçá-la [à crise] e deixá-la fazer o seu papel em nós. Precisamos de aprender a abraçar a dor, o medo, a dúvida, o sofrimento, o desânimo, a frustração, em vez de tentarmos camuflá-los, ignorá-los ou atirá-los para trás das costas, como se não os vendo, não os sentíssemos. Custa, muito, mas aceitar aquilo que sentimos e pedir ajuda ao Pai para lidar com isso é a única forma de seguir em frente e passarmos para o próximo nível. Reconhecer o que nos vai na alma é o primeiro passo para aceitar e, assim, ultrapassar qualquer coisa. 

As provas revelam o amor do Pai. Este é o título que podemos ler no capítulo 12 do livro de Hebreus antes do verso que transcrevo abaixo. E eu não diria melhor. Realmente, as lutas e as dores revelam o amor deste Deus que enviou o Seu filho Jesus para nos salvar de uma vida sem sentido e de uma eternidade escura e fria. Que nos enviou o filho do Seu amor para nos trazer de volta ao princípio de tudo, quando Ele nos criou com um amor perfeito e profundo, à Sua imagem e semelhança. O Criador, o Autor da vida, queria a Sua criação de volta, mas desta vez decidiu dar-lhe muito mais do que apenas o sopro da vida, deu-nos o poder de sermos chamados Filhos de Deus. E por causa disso hoje não somos mais órfãos, mas filhos, se somente crermos em Jesus e no Seu sacrifício. Aleluia, bendito seja o nome do Senhor por isto!

Meu filho, não desprezeis a disciplina do Senhor, nem desanimeis quando por Ele sois repreendido, pois o Senhor disciplina a quem ama, e educa todo aquele a quem recebe como filho. Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina; Deus vos trata como filhos. Hebreus 12:5-7

Já li esta passagem algumas vezes, mas só hoje a entendi. Sempre me foquei na parte da "disciplina"e a interpretei como a correção por algo de errado que fizemos, mas estava tão enganada... não é nada disso. Sim, é verdade que um pai corrige quando fazemos algo de errado, e isso também se aplica a Deus Pai, mas não é a isso (apenas) que o autor se refere. O que na verdade aqui diz é para entendermos a dificuldades, os sofrimentos, como uma forma de educação. Tudo o que vivemos que nos faz sofrer é usado por Deus para nos educar. Às vezes nem fizemos nada de errado para merecer certa situação (como já ouvi alguns dizer), mas isso faz parte da nossa educação espiritual, chamemos-lhe assim. É o processo que o Pai usa para nos dar grandes lições, sobre o Seu amor, a Sua paz, a Sua graça, fidelidade, poder, soberania... 

Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina. Deus está-nos a educar. A ensinar-nos a ser fortes, a amar mais, a ter mais compaixão, a ver o lado bom das coisas, a ser mais pacientes, a saber esperar, a ter domínio próprio, a ser humildes, mansos, a saber servir o próximo, a saber dar, e a saber receber... Sim, Deus está-nos a ensinar porque Ele é um Pai que nos trata como filhos. E um pai que se preze quer o melhor para os seus filhos. Assim é Deus. 


Thursday, November 10, 2016

MARCHA! (parte II)




Se não leram a parte I deste texto, recomendo vivamente que o façam antes de continuar. É importante para entenderem the whole picture. Não vou fazer introdução, para não perdermos mais tempo.Continuando, então, de onde ficamos...

E os egípcios perseguiram-nos (...) e alcançaram-nos acampados junto ao mar... 
E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao Senhor. E disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito?  (...) Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. Êxodo 14:7-12

Imaginem a cena... Deus já tinha avisado o Seu povo que a estratégia era esta, atrair os egípcios (basicamente os israelitas foram o que se chama de isco), mas quando eles levantam os olhos e vêem o exército de faraó, aí é que a porca torce o rabo! A história é-vos familiar? 

Eles entraram em pânico, começaram a desesperar, a achar que iam morrer. E quase estragam tudo... Até diz que o povo clamou ao Senhor, que no original é "tsâ'aq", um grito de ajuda, mas depois lemos as palavras por eles proferidas a Moisés e por momentos ficamos confusos. O grito de socorro do povo não coincide com o seu discurso. Isto ensina-me que em aflição qualquer um grita por socorro. Qualquer um pede ajuda a Deus quando pensa que vai morrer, até quem não crê Nele, porque é o medo a falar, mas o nosso discurso é que vai revelar o nosso coração. O próprio Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12:34). Não é por acaso que a Bíblia nos descreve esta conversa. 

Deus não faz nada sem avisar primeiro os seus servos (Amós 3:7), então Deus avisa-nos. E prepara-nos. Nós já sabemos, mas quando acontece, quando nos vemos no meio da guerra, quantos de nós não entram em pânico? De repente esquecemos tudo o que ouvimos, tudo o que vimos, e o ser humano que há em nós desespera, com medo. Alguns paralisam. Outros voltam-se mesmo contra Deus. Foi o que aconteceu na nossa história. Um povo cansado de ser escravizado sentiu-se entre a espada e a parede novamente e, por momentos, perdeu a sua fé. Um povo habituado à escravatura e à prisão, que preferia continuar nesse lugar do que morrer no deserto.


Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. Êxodo 14:13

Sabes, tu não vais morrer no deserto. O calor aperta, a dor parece insuportável, mas Deus jamais te abandonou. Quando é Ele que te tira do Egipto, quando é Ele que te guia pelo deserto, não precisas temer. Ele tem um plano para te livrar. 


Talvez estejas a viver um tempo assim, difícil. De repente viste-te rodeado pelo inimigo e o teu coração vacilou. Por momentos perdeste a esperança no futuro e a fé Naquele que te tirou da terra de escravidão... Mas se entraste neste blog hoje à procura de respostas, então eu quero-te lembrar que Deus ainda não deu a última palavra. Como Moisés disse aquele povo hoje te digo: não temas, fica quieto e vê o livramento do Senhor sobre a tua vida. Aos egípcios que hoje vês, nunca mais verás, em nome de Jesus. 

Wednesday, October 19, 2016

MARCHA! (parte I)


Estava na igreja um destes dias e, enquanto orava, o Espírito Santo disse-me: "diz ao meu povo que marche". Não entendi nada, mas no meu lugar eu própria comecei a marcar o meu passo, como se fosse parte de um exército, aquele que Deus quer levantar nesta terra. Não estivesse eu já habituada a estas pequenas "loucuras" e ficaria envergonhada de fazer aquelas figurinhas. Não fiquei. Percebi há já algum tempo que não tenho porque me envergonhar do Espírito Santo e do seu mover. Aprendi a amar o ministério desta que é a terceira pessoa da trindade e a desejar conhecê-Lo cada vez mais. 
Já em casa, pus-me a pensar no que Deus me disse e decidi ir em busca deste versículo, que me lembrava estar relacionado com o episódio do Mar Vermelho. 

Comecei a reler a história e a preparar este texto sem ter bem noção do que Deus queria que eu escrevesse, mas vocês já sabem que este blog é assim. (: 

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; (...) eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Êxodo 3:7-9

Resumindo a história, depois de anos de escravidão no Egipto, os israelitas podem finalmente mudar de vida. Guiados por Moisés, chamado por Deus para esta árdua tarefa, e depois de muitas peripécias (também conhecidas por pragas do Egipto) conseguem escapar da opressão de faraó e rumam à Terra Prometida. 

Assim de repente consigo fazer uma associação com a nossa vida e a Igreja no geral. Quanta opressão temos sentido... Durante anos a Igreja do Senhor tem vivido oprimida, escravizada pelo inferno... o diabo tem matado os nossos sonhos, a nossa esperança, tem matado mesmo vidas espiritualmente falando... ele tem roubado a nossa fé e a nossa alegria, sugado a nossa energia, destruído a unidade, a santidade e a integridade da Noiva. Hoje vemos um povo frio, apático, cheio de desamor, incapaz de romper no sobrenatural e de viver a vida  abundante que Jesus Cristo conquistou para nós. 

Mas assim como viu o clamor e as dores do Seu povo no Egipto, Deus também tem visto como temos sido afligidos e Ele mesmo está a levantar homens e mulheres neste tempo, guiados pelo Espírito Santo, dependentes Dele, para fazerem a diferença e serem referências nesta geração.

Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar os meninos. E subiu também com eles muita mistura de gente, e ovelhas, e bois, uma grande quantidade de gado. Êxodo 12:37,38

Quando lemos isto talvez não tenhamos a real consciência do que aconteceu, mas a Bíblia diz que eram cerca de seiscentos mil homens a pé mais as mulheres e crianças e outros que terão aproveitado a deixa para sair também daquela terra (vs 38). Eu sou péssima a matemática, mas se contarmos com as famílias completas então este número certamente duplicava! É muita gente! Muita gente mesmo! Para terem uma noção, só a cidade de Lisboa tem cerca de 550 mil habitantes... Conseguem imaginar todos os habitantes de Lisboa a mudarem-se, ao mesmo tempo, a pé, e com as suas tralhas todas? E ainda os animais? Agora imaginem mais do dobro disso! Que imagem incrível...

Thursday, August 25, 2016

POSICIONA-TE


Então o povo reclamava contra Moisés e dizia: Dêem-nos água para beber! (...) Por que nos fizeste sair do Egipto? Foi para nos matares à sede, a nós, aos nossos filhos e ao nosso gado?. Moisés invocou então o SENHOR e disse: Que hei-de fazer a este povo?. (...) O SENHOR respondeu-lhe: (...) Bate com a vara no rochedo e dele sairá água para o povo beber. Êxodo 17:3,4

Deus é muito paciente. Porque é preciso ter muita pachorra para aturar um povo que está sempre a reclamar... E assim era o povo israelita. Pareciam aquelas crianças pequenas que têm sempre qualquer coisa. Tenho sono, tenho fome, tenho xixi... Ou que choram porque estão cansadas. Ou porque querem o chupa-chupa e o pai não deu. Ou só porque sim. Que se atiram para o chão no supermercado a berrar. Que gritam para chamar a atenção. E podia continuar... 

A diferença é que as crianças podem fazer estas coisas, é normal que o façam, porque estão a crescer. São crianças, é assim que aprendem. Porque têm lá depois o pai e a mãe a corrigir e a ensinar os limites. Agora, adultos a fazer birra? 

Quando li este relato de Êxodo o Espírito Santo fez-me refletir... não é muito diferente do que vemos hoje, pois não? Um povo mimado, que questiona Deus constantemente, aquilo que Ele diz, aquilo que Ele faz, como faz, quando faz... um povo que reclama por tudo e por nada. Um povo que chega mesmo a colocar em causa o amor de Deus. Um povo, que devia ser maduro, a fazer birra. 

Quando era criança, falava como criança, sentia como criança e pensava como criança. Depois tornei-me adulto e deixei o modo de ser de criança. I Coríntios 13:11 

Voltastes a necessitar de leite, quando já devíeis estar recebendo alimento sólido! Ora, quem precisa alimentar-se de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. No entanto, o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante da fé, tornaram-se capazes de discernir tanto o bem quanto o mal. Hebreus 5:12-14

Há um tempo para sermos meninos na fé e há um tempo para crescermos. E não confundir esta meninice de que fala o apóstolo Paulo com o ser como criança que nos ensinou Jesus. Devemos ser puros como crianças, mas não podemos ser meninos no entendimento para sempre. As birras não são adequadas a filhos maduros, que sabem quem são em Cristo e que conhecem o Seu Pai. Filhos maduros compreendem o poder da oração, da obediência, da confiança e da dependência total em oposição ao queixume, lamentação, murmuração, reclamação... Resumindo, sabem que birras não funcionam e não resolvem problemas (menos ainda se espirituais). 

Monday, June 20, 2016

O MONTE E A PROMESSA


Tenho este nos rascunhos há umas semanas, mas ainda não tinha parado para o terminar. Realmente o tempo de Deus é algo curioso, já pensaram nisso? Algo acontece hoje, mas só vai ter impacto lá mais à frente, às vezes anos depois. Começamos algo hoje, mas só vemos a sua concretização muito tempo depois... Será que também há rascunhos na tua vida? Coisas guardadas em gavetas à espera de verem, finalmente, a luz do dia? Sabe que, com Deus, nada fica por escrever, a Seu tempo tudo o que Ele começou, encontra o seu fim. 

Hoje quero falar-vos sobre promessas e montes. E quero usar a conhecidíssima história de Abraão e Isaque como ponto de partida.

Toma Isaque, teu filho, teu único filho, a quem tu muito amas, e vai-te à terra de Moriá. Sacrifica-o ali como holocausto, sobre um dos montes, que Eu te indicarei!...
Abraão levantou-se bem cedo, selou seu jumento e tomou consigo dois de seus servos e seu amado filho Isaque. Ele ainda partiu a lenha para o holocausto e se pôs a caminho rumo ao lugar que Deus havia mostrado. 
No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar que Deus havia determinado. Génesis 22:2-4

Resumindo a história, Deus põe a fé de Abraão à prova e pede-lhe que sacrifique o filho Isaque, que Ele mesmo, Deus, lhe prometera e que Abraão tinha tido com Sara já na velhice. Abraão obedece, convicto de que Deus providenciaria o cordeiro para o sacrifício ou, mesmo que não, que ressuscitaria o menino. 

Durante três dias Abraão caminhou em direcção aquele monte, sem saber bem o que ia acontecer. Provavelmente conversou com Isaque durante a viagem, riram, brincaram, se calhar choraram... não sei, mas não acredito que aquele pai não tenha abraçado o filho, o filho que ele já não esperava ter e que agora ia entregar a Deus. Não, não posso acreditar que aquele homem não se tenha emocionado por um momento. Ele era homem, lembremo-nos disso. Humano, frágil, limitado, tal como nós. Eu no lugar dele abraçaria o meu filho com todas as minhas forças, para que ele tivesse a certeza de que eu o amava. E acredito que com Abraão não tenha sido diferente. Talvez enquanto Isaque dormia ele se esgueirasse para longe para elevar os seus pensamentos a Deus, para chorar e derramar o seu coração diante de Deus... Porque não?   

A Bíblia não nos dá muitos detalhes e por isso vemos sempre esta história de uma maneira muito ligeira, porque já sabemos o fim, mas Abraão não sabia. Ele apenas tinha fé de que Deus ia cumprir a promessa que lhe fizera lá em Génesis 17, mas ele não sabia como. E mesmo que Deus ressuscitasse o filho, como ele imaginava, acham que não lhe custava matar o próprio filho? Imagino o que terá passado pela cabeça daquele homem... pergunto-me se pensamentos como "será que foi mesmo Deus que falou comigo?" ou "porque é que Deus me faria uma coisa destas?", ou "será que o meu filho vai entender?" lhe passaram pela cabeça. Sabe Deus que passam pela nossa muitas vezes. E já pensaram onde é que Sara entrava no meio disto tudo? O que é que Abraão terá dito à mulher que ia fazer com o seu único filho? Será que aquela mãe sabia que o marido ia sacrificar o seu menino? 

Abraão caminhou durante três dias com Isaque e os seu servos, até que avistou o monte ao longe. Nesse momento pediu ao servos que esperassem ali por eles e subiu ao monte com o filho.  Muitos te acompanharão na caminhada, para te ajudar a carregar a lenha, para te proteger e até te servir, mas a subida ao monte é entre ti e Deus. És só tu e o fruto da tua obediência. Tu e o teu Isaque, seja ele um filho, um casamento, um ministério, um sonho... 

Eu não sei qual é o teu Isaque, mas subir ao monte dói. Subir ao monte do sacrifício é uma escolha pessoal de rendição total, de entrega completa ao Pai, crendo que Ele sabe o que faz e não nos pede mais do que podemos suportar. 

Talvez venhas sentindo que estás sozinho e talvez isso te esteja a custar. Sentes que és o suporte de todos, mas que ninguém te suporta a ti. Que dás e dás, mas só precisavas de receber um pouco. Estás a subir o monte. Abraão também estava nessa posição. Ali a subir ao monte agora só com o filho, sozinhos, ele não podia dar-se ao luxo de se ir abaixo. 

E quantas vezes é assim na nossa vida? Sorris por fora e tentas fortalecer todos à tua volta, mas por dentro só te apetece chorar. Quem é pai vai entender. Se estivesses a subir ao monte para sacrificar o teu filho certamente irias querer que ele se sentisse o mais seguro possível, verdade? Não ias querer que ele tivesse medo.  Provavelmente dirias "vai correr tudo bem". Abraão era pai, ora ponham-se na pele dele. Foi com certeza isso que ele fez. 

Wednesday, June 1, 2016

O CONVITE


Hoje apeteceu-me ler a Bíblia de maneira diferente e resolvi ligar a versão em áudio da Bíblia Online. Por incrível que pareça nunca tinha experimentado e até gostei, acho que me ajudou a concentrar (fica aqui a dica para quem não é muito amigo de ler. Vão a este site, escolham o que querem e é só clicar em "ouvi").
Ouvi (e acompanhei a leitura ao mesmo tempo) o capítulo 4 de Marcos e, por fim, detive-me numa frase. Transcrevi abaixo o versículo completo, mas o que me chamou mesmo a atenção foi o que escrevi a negrito. 

E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram- no. Mateus 4:21,22

Esta passagem conta-nos basicamente o momento em que, depois de ter chamado Simão Pedro e André, Jesus dá de caras com os filhos de Zebedeu, Tiago e João, e os chama. Não sei quanto a vocês, mas eu cá fiquei a tentar imaginar a cena. Comecei a imaginar Jesus a dar início ao Seu ministério e a passar pelas pessoas e a chamá-las. Como é que terá sido? Será que Ele chegava e pimbas ala-que-se-faz-tarde-anda-lá-comigo-curar-pessoas? É que quando lemos parece que é tudo muito rápido, mas eu cá acho que não foi bem assim (se calhar estou a cometer uma heresia qualquer, mas vá...deixem-me).
Cá com os meus botões eu imaginei que Jesus chegou e meteu conversa com eles. Pronto. Deve-se ter apresentado, perguntado o nome deles, quiçá perguntado se precisavam de ajuda para arranjar as redes... e conversa puxa conversa, os jovens devem ter começado a conversar sobre a vidinha e os seus sonhos e tal, digo eu! E Jesus, que não era um qualquer, com certeza disse-lhes coisas que lhes devem ter arregalados os olhos. Sei lá, qualquer coisa como "eu tenho uma missão, salvar o mundo, e preciso de ajuda" (Jesus devia ser um homem muito inspirador). Claro que eles não foram parvos, quando Jesus os convidou a seguir viagem com Ele, disseram logo que sim! Ora vamos lá ver na balança (se me estivessem a ver agora era mais fácil) ser pescador ou salvar o mundo? Salvar o mundo ou ser pescador?... A escolha deles a gente já sabe. 

[Pronto, se calhar não foi nada assim, mas na minha cabeça faz muito mais sentido. Deixem-me ser feliz ehe]

Deus chamou-nos. A cada um de nós, para O conhecermos e caminharmos com Ele. Ele convidou-nos a fazer parte de um Reino Eterno. Não são homens que te chamam, não é o teu vizinho, o teu amigo, a tua mulher, o pastor x ou y, não, é Deus, o Criador, o Autor e Consumador da nossa fé, é Ele quem chama a cada um pessoalmente. 

E este "chamou-os" que lemos no verso 21 vem do grego ekalesen, que significa chamar, convocar, convidar. Jesus não chegou e simplesmente gritou o nome deles como quando estamos na rua e passamos por alguém "oh manel!". Nada disso. Jesus fez-lhes um convite, que eles prontamente aceitaram. 

Tiago e João eram pessoas comuns, bem como o eram alguns dos outros discípulos, eram pescadores, homens simples, humildes até. Mas Jesus convidou-os a segui-lo, a participarem com Ele de uma missão maior. 

Ele também nos faz esse convite ainda hoje. A ti e a mim, independentemente do nosso estado civil, da nossa religião, da nossa cor, da língua que falamos, da roupa que vestimos, do dinheiro que temos na conta... Não importa. Deus não faz acepção de pessoas. Ele enviou Jesus, Seu filho, para que todos nós pudéssemos ser convidados a fazer parte do Reino. Para que todos pudéssemos ser filhos de Deus e um dia vivermos com Ele na Eternidade. 

A Bíblia diz-nos que estes jovens deixaram imediatamente o barco e o pai, que foi outra das coisas que chamou a minha atenção. 


Tuesday, May 17, 2016

PREPARAI O CAMINHO DO SENHOR



Há uns dias estava num congresso de adoração (ultimamente parecem pipocas, há-os por todo o lado e ainda bem, porque bem precisamos de [aprender a] adorar mais e pedir menos) e Deus falou comigo. No meu coração saltava a palavra 'santidade' e a frase 'voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor' e aquilo mexeu tanto comigo. Até escrevi umas coisas no caderno para não me esquecer e achei que devia pensar melhor no tema e dedicar-lhe um texto aqui no blog. 

(...) voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas; assim apareceu João, o Batista, no deserto, pregando o batismo de arrependimento para remissão dos pecados. Marcos 1:2-4

João Batista foi a voz do que clama no deserto. Escolhido de Deus ainda antes de nascer, João era filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, uma das descendentes de Arão e prima de Maria, mãe de Jesus. Diz a Bíblia que Isabel e Zacarias andavam em justiça aos olhos de Deus e obedeciam de forma irrepreensível a todos os mandamentos e doutrinas do Senhor (Lc 1:6), mas que Isabel era estéril. 
Acho isto tão interessante. João era, antes de mais, um milagre, o filho desejado dos seus pais e o Senhor permitiu a esterilidade daquele casal, que O amava e O servia, porque tinha algo tremendo para fazer através da sua descendência. Às vezes também é assim connosco. Deus tem demorado a fazer algo na tua vida? Certamente Ele tem um plano maior que o teu. Deus é um Deus de propósitos. Ele pensa mais além do "eu" e do "agora". Espera com confiança, Ele sabe o que faz e certamente o fruto da tua espera será grande aos olhos do Senhor! 

E o menino crescia e se robustecia em espírito; e viveu no deserto até o dia em que havia de revelar-se publicamente a Israel. Lucas 1:80

João Batista era um homem com visão e propósito. Viveu no deserto até ao dia em que Deus o colocou no lugar certo. Muitas vezes não entendemos que Deus tem um tempo para tudo. E sim, há um tempo para viver no deserto e aprender a estar só, e só com o Pai. Como é que queremos que o Senhor nos use e se revele a nós se não somos capazes de estar no meio da adversidade com Ele? Queremos fazer e acontecer, mas esperar é para o irmão do lado. Não funciona assim, lamento. Primeiro crescemos, fortalecemo-nos no espírito, como João, e aprendemos a viver no deserto e então, no dia em que o Senhor nos chamar, Ele mesmo nos revelará publicamente a Jerusalém, que é a Igreja do Senhor! Deus tinha um tempo para João e tem um tempo para ti e para mim. Não apressemos o relógio dos céus, que conhece o dia e a hora é o Senhor.

Pois ele será grande aos olhos do Senhor, jamais beberá vinho nem qualquer outra bebida fermentada, e será pleno do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. 
E conduzirá muitos dos filhos de Israel à conversão ao Senhor, seu Deus. Ele avançará na presença do Senhor, no mesmo espírito e poder de Elias, com o propósito de fazer voltar o coração dos pais a seus filhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, deixando um povo preparado para o Senhor”. Lucas 1:15-17

Pela descrição de Lucas e por outros textos, pensa-se que João Batista era nazireu, à semelhança de Sansão e Samuel. Os nazireus eram aqueles que na lei de Moisés se obrigavam por voto a abster-se de vinho e de todas as bebidas alcoólicas, a deixar crescer o cabelo e a não tocar em cadáveres.  Portanto, e é o que importa reter aqui, João era um homem consagrado a Deus, santificado, separado. Ele não era igual a tantos outros.  Ele era pleno, cheio, do Espírito Santo, já desde o ventre da sua mãe. Uau!

João foi escolhido por Deus e chamado para uma grande obra e não é possível fazer uma grande obra para Deus sem santificação. Porque sem santidade ninguém verá o Senhor (Hebreus 12:14). Nos dias de hoje não é diferente. É claro que não vamos agora tornar-nos nazireus, mas o que importa é a revelação que o Espírito Santo nos traz daí e confesso que só agora entendo o que Ele me queria dizer naquela conferência. É tempo de nos santificarmos, cada um de nós, filhos de Deus, para que outros possam também vir ao conhecimento da Verdade, que se chama Jesus!



Santificai-vos, porque amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vós! Josué 3:5

[Santo no gr. hagios hb. Kadosh] quer dizer separado. É aquele que se separa do mal, e se dedica ao serviço de Deus. É o ato de santificar, tornar sagrado, santo; separado do mundo e do pecado; dedicado exclusivamente a Deus; ter uma vida de santificação.

Santidade é uma das características do Senhor, logo precisa de ser também nossa, já que nós fomos criados à Sua imagem e semelhança. E o chamado à santificação não vem do tempo de Jesus ou de Paulo, vem de muito antes. Lá no Antigo Testamento vemos Deus por várias vezes a falar da sua santidade e a exortar o povo a se santificar. "Eu sou santo", "eu vos santifico", "sereis santos", "eu vos separei", "vos santificarei" são expressões que lemos n vezes em toda a Bíblia.

Friday, April 29, 2016

CARTA À MINHA MÃE



Mamã, acho que era assim que te chamava quando era mais pequenina e acho que tu gostavas. Talvez te fizesse sentir que eu seria a tua pequenina para sempre. Mas depois eu cresci. Cresci e as nossas vidas afastaram-se. Não fisicamente, mas emocionalmente. Continuavas a ser a minha mãe, mas eras difícil. Eu pelo menos achava. Achava que não me entendias e que não fazias ideia do que estavas a fazer, comigo. O meu coração fechou-se, pouco a pouco. Era a minha maneira de me tentar proteger da dor e, ao mesmo tempo, tentar guardar o amor em algum lado. Fechei-o de tal forma a sete chaves que tive dificuldade a encontrá-lo mais tarde. 

Culpei-te. Pelas minhas frustrações, pelos meus comportamentos, pelas minhas falhas, pelas minhas más respostas. Culpei-te pela vida que não tive e pelo que não fui. Porque tu devias ser a minha mãe, aquela super-heroína que faz tudo e salva todos. Mas não eras. Eu achava que não eras, porque sentia que me fazias sofrer. Fartei-me dos gritos, das discussões sem sentido, de me sentir rejeitada. Queria, por um momento, ser eu o centro. Queria, por um momento, ser eu mesma, descobrir quem era, sentir que existia como Diana e não só como filha de alguém. 

Mas um dia a minha vida mudou. Deus encontrou-me e pegou-me pela mão. Eu dei-lha sem medos. Precisava de um pai e de uma mãe. Achava que não tinha nenhum dos dois. Precisava de uma mãe que não me julgasse, que não me criticasse, que me ouvisse e que me pegasse ao colo. E Deus foi tudo isso. Foi o pai que nunca tive e foi a mãe que eu achava não ter. E Ele curou as minhas feridas. Mostrou-me cada uma delas e limpou-as devagar, bem devagar.

Então trocou a minha dor por alegria, deu-me um coração cheio de graça, de perdão, de misericórdia e de amor. Ele encheu-me de tanto amor. E foi o amor que, dia após dia, me foi ensinando e mostrando a realidade como ela é. E Deus mostrou-me a mãe que gostarias de ter sido, mas que a vida não te permitiu ser. E fui entendendo que a minha luta não era contra ti. A Bíblia ensinou-me que não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se vêem (Efésios 6:11). Tu querias, mas não conseguias. 

Tuesday, April 12, 2016

(ADORAÇÃO) DE CORAÇÃO


É desta. É agora ou nunca! Pedi a minha hora de almoço emprestada ao estômago para escrever (finalmente!) este texto, senão nunca mais. Deus nos ajude a remir o tempo, porque parece que ele voa cada vez mais rápido (será só comigo?)!

Há uns tempos estava na igreja e sentia uma opressão, como se algo estivesse a impedir o mover de Deus naquele lugar. Comecei a orar e perguntei a Deus o que se passava. Dentro de mim ouvi o Espírito Santo: "este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". Comecei a chorar. Fiquei triste, muito triste, porque queria mais, precisava de mais e sei que muitos dos que ali estavam também precisavam. Sei que Deus quer derramar mais, muito mais, mas também sei que nós somos o maior impedimento para que isso aconteça. Nós, seres humanos, nas nossas atitudes, nas nossas escolhas... 

Esta palavra está originalmente em Isaías, quando este profetizava para Ariel [Leão de Deus], um dos nomes de Jerusalém. Dizia o profeta:
Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; Isaías 29:13

No Novo Testamento vemos novamente esta palavra ser referenciada, desta feita por Jesus, quando questionado por uns escribas e fariseus de Jerusalém a propósito de uma tradição que os discípulos não respeitariam:

Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. Mateus 15:7-9

Deus é perito em fazer-nos focar no que realmente importa. E para Ele, o que importa é o amor. Ele, que é amor, que deu o Seu único filho por amor, que ama o pecador, que corrige com amor, não nos pede nada mais, senão o nosso amor. Em Provérbios 26:23 lemos de forma clara Deus dizer Filho meu, dá-me o teu coração, mas se dúvidas houvesse, o próprio Jesus ensina nos evangelhos: Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças, este é o primeiro mandamento. (Marcos 12:30)

Assim sendo, não é difícil perceber que Deus não se mova quando está perante uma adoração pela metade, feita apenas de liturgias, de hábitos ou, como o profeta Isaías descreveu, de "mandamentos de homens em que foi instruído". Ir à igreja ao domingo, levantar as mãos, cantar, abrir a Bíblia, ouvir a pregação, tomar a ceia, nada disso por si só faz de nós adoradores. E Jesus foi claro quando disse que o Pai procura os verdadeiros adoradores, que o adoram em espírito e em verdade (João 4:23). 

Friday, March 4, 2016

A FORÇA QUE VEM DO ALTO


Recentemente estava a conversar com alguém e essa pessoa, que estava bastante em baixo, disse-me "há pessoas que são muito fortes, eu não sou". Acho que aquilo ficou a trabalhar no meu inconsciente, porque mais tarde dei por mim a pensar nessa tal força que, na óptica daquela pessoa, só alguns têm, e achei que seria um bom tema para abordar aqui.

A verdade é que todos nós, sem excepção, ou já passámos, ou estamos a passar, por alguma situação que achamos ser mais forte do que nós. Algo que nos faz sentir impotentes, frágeis, com vontade de desistir. Uma circunstância (ou um conjunto delas) que nos leva a um lugar tão sombrio e assustador que achamos que não vamos ser capazes de sair dele. E sentimo-nos fracos, emocionalmente falando. Só nos apetece chorar, fugir, ficar sozinhos, e sei lá bem mais o quê. Ficamos abatidos, tristes, infelizes e sentimos que não conseguimos mais continuar a lutar. Estamos sem forças.

Acho que cada um de nós tem uma forma diferente de lidar com a dor, sabe Deus que eu gosto de me enfiar na caverna... não sou ninguém para dizer que não nos podemos sentir assim, porque a realidade é que somos humanos e sentimos, sim. Há três anos atrás eu quase sucumbi a uma depressão. Uma situação complicada na minha vida mexeu de tal forma com as minhas emoções que só me apetecia chorar. Não me apetecia fazer absolutamente nada, só ficar ali quieta, calada e sozinha.

Como é que ultrapassei aquele momento e como é que dei a volta por cima, perguntam-me vocês? A sós com Deus. Não foram os meus amigos, não foram os meus pastores, não foi o meu marido.  Fui só eu e Deus mesmo.  Aliás, posso dizer-vos que o meu marido mais tarde me contou que orou e perguntou a Deus o que é que podia fazer para me ajudar e a resposta que recebeu foi "não faças nada". Acho que o que Deus queria dizer era: "Eu trato disso."

Se há coisa que tenho aprendido é que nos momentos difíceis não são os outros que nos valem. Não quer dizer que eles até nem estejam lá, às vezes estão. E também não quer dizer que não possam orar por nós e abraçar-nos. Às vezes ajuda. Mas, aquilo que te vai fazer sair do fundo do poço não é a mão de nenhum deles. A única mão que tem o poder de te ajudar a sobreviver a essa tempestade é a do Deus Todo-Poderoso!

Volto a dizer, eu não sou contra a ajuda de pessoas. Eu própria já ajudei e ajudo pessoas. Também já fui e sou ainda ajudada, mas uma coisa é o medicamento que te alivia as dores, outra coisa bem diferente é a cura total! As pessoas podem ajudar-te, mas o único que tem a cura para a tua dor é Jesus. 

Então mas afinal como é que posso ter forças para ultrapassar o sofrimento?

Friday, February 12, 2016

SALVOS DA DESTRUIÇÃO: A HISTÓRIA DE LÓ


Podem não acreditar, mas tenho este texto (ou as notas, pelo menos) há cerca de um ano na minha agenda! Tinha na ideia fazer um vídeo, mas é hoje, amanhã e depois e nunca mais, portanto, vai virar texto de uma vez por todas! By the way, fica o desafio, há alguma coisa que andas a deixar para amanhã? Esquece o amanhã, vai lá e faz já hoje! O tempo é este! (:

A história sobre a qual me vou debruçar hoje é sobejamente conhecida. Em Génesis 19 lemos sobre a família de Ló, sobrinho de Abraão, e sobre a cidade onde este vivia - Sodoma. Diz-nos o texto que o pecado se teria agravado muito (Gn 18:20) em Sodoma e Gomorra e que, por esse motivo, Deus teria decidido destruir ambas as cidades. No capítulo 18 vemos Deus a contar a Abraão a sua decisão e este último a tentar demover o Senhor, pedindo-lhe que poupe os justos que encontrar.

Acho amoroso como o texto bíblico nos conta que Deus se questiona se deverá contar ou não a Abraão o seu intento. Não me parece que aquilo esteja ali por acaso. Deus sabia perfeitamente que Ló era sobrinho de Abraão e que ele vivia nas terras de Sodoma. Tão cuidadoso é este Pai... Ele sempre se revela aos Seus filhos, protegendo-os mesmo nos momentos mais difíceis. Ele amava Abraão e por isso promete-lhe não destruir a cidade por amor a 10 justos, se ali os encontrasse. Extraordinário isto...

Infelizmente, Sodoma e Gomorra estavam extremamente corrompidas pela prática do pecado, pelo que a sua destruição foi inevitável. Mas... Deus não se esqueceu de Abraão.

(Só um parêntesis aqui, acredito piamente que Deus só destruiu as cidades porque não encontrou 10 justos ali. Tenho para mim que se 10 justos houvesse, Ele não a teria destruído. Fiquem-se com esta, Deus sempre cumpre a Sua palavra!)

E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas). 2 Pedro 2:7,8

No verso 19 diz que "Deus se lembrou de Abraão e tirou a Ló do meio da destruição". Acho isto lindo. Deus fez como disse que faria, porque Ele é fiel para cumprir o que prometeu! Ele procurou pelos justos, conforme prometera a Abraão. E encontrou um. Encontrou Ló. E salvou-o, não só a ele, mas à sua família! Este Deus é ou não é maravilhoso?

Ainda hoje é assim. Ele procura os que O temem e os que procuram agradá-Lo e Ele os livra! Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias (Sl 34:17). E se isto fosse uma pregação eu estaria a gritar aleluia!! (:

Que Deus é lindo já nós sabemos, mas o que quero fazer hoje é reunir aqui, em alguns pontos, o que é é que eu aprendo com Ló e a sua história:


1. Deus dá-nos sempre uma segunda oportunidade! Aceita-a sem questionar. 

Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; Génesis 19:12 

Deus concedeu a Ló e aos seus uma oportunidade de fugir ao pecado daquela cidade e hoje podemos trazer isto para as nossas próprias vidas. Jesus morreu para que hoje possamos escolher sair de uma vida de pecado, de morte espiritual, para uma nova vida em Cristo Jesus. Uma vida abundante em justiça, paz e alegria ainda nesta terra e uma Vida Eterna após esta.

A escolha que está nas nossas mãos hoje é semelhante: Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, (Deuteronómio 30:15, 19)

A Bíblia não diz, mas aposto que Ló se sentiu muito especial. Não há como não se sentir, afinal ele estava a ser poupado no meio de sei lá quantos! Deus escolheu salvá-lo. E Ele escolheu salvar-nos a nós. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sinto-me muito especial.

Confesso que, às vezes, nos meus devaneios penso que Deus devia fazer como fez com Sodoma e  Gomorra e destruir isto tudo. Sinto que o mundo está tão perdido que se calhar valia mais desaparecer tudo. Mas Deus não é homem. Ele é Deus e ama a humanidade... só não ama o seu pecado. Mas Ele ama-nos. Ele é Senhor dos Céus e da Terra e escolheu amar-me, a mim, a ti... Escolheu salvar-nos e dar-nos vida eterna. Quão incrível é isto?

No caso de Ló Deus mandou os anjos e deu-lhes ordem que o salvassem, mas connosco foi diferente. Ele olhou para nós e disse a Jesus "vai lá abaixo e morre por eles, eu quero tê-los de volta". Ninguém morreu por Ló e ainda assim ele não pensou duas vezes em aceitar a oportunidade que lhe foi dada. Jesus resgatou-nos das mãos do diabo e deu-nos uma segunda oportunidade. E nós o que fazemos muitas vezes? Levamos a coisa a brincar. Alguns rejeitam-No mesmo... Mas ninguém muda o facto de que Ele veio para nós e para todos quantos O quiserem receber!

Pergunto-te eu hoje: aceitaste tu esta oportunidade? E se tu já tens a salvação, como os anjos perguntaram a Ló, tens mais alguém aqui? Quem queres tu que Ele salve? Vai e tira-os fora desse lugar onde eles estão...