Friday, December 22, 2017

A ESCOLHA DE ESTER


Sempre gostei muito da história de Ester. É uma personagem que ainda hoje marca a minha vida com Deus e volta e meia penso nela. Podia ser apenas a história de uma mulher bonita que se tornou rainha, mas Ester foi muito mais do que isso. Um exemplo de resiliência, determinação, coragem, humildade, honra, sabedoria, estratégia... Uma mulher que tinha tudo para ser amarga, deprimida, revoltada. Uma mulher que era humana, limitada, certamente com muitos defeitos, mas que não deixou que o seu passado determinasse a sua identidade e ditasse o seu futuro

O livro de Ester é muito rico e apesar de nunca mencionar o nome de Deus, podemos perceber a Sua ação do início ao fim da história. É assim também na nossa vida muitas vezes, não é? Quando Ele está em nós, às vezes mesmo sem mencionar o Seu nome, podemos percebê-Lo em acontecimentos, em conversas, em conselhos, até num abraço... 

Há várias lições para a vida cristã no livro de Ester, recomendo que o leiam se ainda não tiveram oportunidade, mas hoje quero partilhar convosco alguns aspetos em particular presentes no capítulo 2, que me vieram à mente e ao coração durante as férias, enquanto conversava com o Pai. 

Era uma vez uma menina judia chamada Hadassa. Depois de perder os seus pais, é adotada pelo seu primo Mardoqueu, um judeu da tribo de Benjamim, que tinha sido levado para o exílio pelo rei Nabucodonosor. 

Hadassa era o seu nome de nascimento, mas na Pérsia a menina recebeu o nome de Ester. O nome Hadassa tem origem no hebraico Hadassah, derivado da palavra hadas, que quer dizer "mirto" ou "murta". Murta é um arbusto com origens na Europa e norte da África com folhas conhecidas por exalarem um cheiro agradável quando são esmagadas. Interessante, não acham? Quantas vezes temos sido esmagados pelas circunstâncias, tal como aquela menina. No caso dela a orfandade, o sair da sua casa, do seu conforto, de tudo o que conhecia, para ir viver num lugar estranho, educada num país que não era o seu, com uma língua e uma cultura que não era a sua, por um familiar que não era o seu pai. Ester foi esmagada, mas dela eventualmente exalou um cheiro agradável. Será que connosco tem acontecido o mesmo? Quando somos esmagados por situações que não podemos controlar, retirados do conforto e daquilo que conhecemos, o que revela o nosso coração? Tenho aprendido que a dor é necessária, mas ela precisa de ser processada e vivida, para chegar ao momento em que se transforma em cânticos de adoração. Nem sempre é fácil, mas tenho descoberto que o sofrimento é transformado quando conseguimos agarrar nele e depositá-lo aos pés de Deus. A nossa alma abate-se, mas se deixarmos, o bálsamo de Deus vem sobre nós e cura-nos. 

Ester significa "estrela" e foi isso mesmo que a heroína da nossa história se tornou. Como uma estrela, ela brilhou apesar do seu passado. Ela iluminou apesar da sua dor. Ela dirigiu apesar das circunstâncias adversas. Será que conseguimos fazer o mesmo? Agarrar no nosso nome, na identidade que nos foi dada, muitas vezes tão diferente daquela que Deus nos deu, e transformá-la para a Glória Dele? Na nossa força dificilmente, mas em Deus, na força do Seu poder, certamente. Ele é o único capaz de transformar um passado cinzento num futuro brilhante.  

Isto é um aparte, mas eu acho fantástica a importância que a Bíblia (e na verdade os judeus) atribui ao nome. Devíamos aprender com isto, afinal o nome é uma parte importante da nossa identidade. Inclusivamente vemos Deus mudar o nome de algumas pessoas como que marcando um antes e um depois na sua história. Recentemente fui pesquisar a origem do meu nome e descobri que afinal Diana não é só uma referência à deusa da caça, mas significa "divina" ou "aquela que ilumina". Muito melhor, não? (: Quando pensarem no nome dos vossos filhos tenham isso em consideração, lembrem-se que eles vão carregar essa identidade para o resto da vida.

Voltando à nossa história, e abreviando-a: o rei Assuero da Pérsia zangou-se com Vasti, rainha-consorte, e decidiu que ela já não era digna desse lugar. Repudiou-a, seguindo a sugestão dos seus conselheiros e decidiu arranjar outra mulher para o lugar.

O rei Assuero, ou Xerxes I como é historicamente conhecido, era herdeiro do maior império do seu tempo, o Império Persa e apesar de ser tido pelos relatos históricos, como um homem bonito para a sua época, era também um rei egocêntrico e até vingativo, de temperamento colérico e sensual.

Este rei manda então reunir todas as donzelas (virgens, leia-se) do reino e trazê-las para o palácio para uma espécie de casting. Aquela que lhe agradasse receberia o título de rainha. As outras, bom, digamos que não regressavam a casa... A poligamia e os haréns eram características comuns da cultura persa, pelo que, uma vez escolhida a rainha, as outras passariam a viver como concubinas do rei (Et 2:14) que é como quem diz escravas, sem grandes direitos, nem sobre o seu corpo, nem sobre os seus filhos.

Pelo que lemos em todo o livro parece-me claro que Ester foi ensinada a temer e a adorar a um único Deus, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Mardoqueu tê-la-á ensinado a Lei do Senhor e os seus princípios e não devia ter em mente casá-la com alguém que não fosse igualmente judeu (apesar de estarem longe de casa), como era costume do seu povo. No entanto, os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos e Ester tem agora o seu destino traçado. Se não fosse escolhida para ser rainha, os esforços de Mardoqueu na sua educação de pouco lhe serviriam, porque ela passaria a ser uma concubina. Podia ser até este o desejo de muitos naquele tempo, já que isso significaria viver no meio do luxo que a corte persa implicaria, mas um servo do Deus Altíssimo não desejaria isso para a sua filha.

É este contexto que temos, e é neste contexto que Ester chega ao palácio persa. Imagino a cena, a miúda devia estar em pânico, talvez com um misto de emoções, com curiosidade por conhecer o rei e a vida num palácio, claro, afinal ela era humana, mas ao mesmo tempo, com muito medo. Certamente com muita ansiedade, dúvida, desespero. Não sei, mas isto não é um conto de fadas malta, ela não foi ao baile qual cinderela a dançar com o seu príncipe encantado. Ela era uma jovem a ser tirada à força da família, mais uma vez... mais uma vez Ester era retirada do seu conforto, do seu lar e era colocada num meio estranho e hostil, cheio de intrigas e rivalidade. Só posso imaginar aquilo que ia na cabeça dela e no seu coração, o horrível conflito interior. 

Quando a ordem do rei foi tornada pública, numerosas jovens foram levadas a Susa e reunidas no harém à guarda de Hegai. Ester encontrava-se entre elas. Hegai gostou muito daquela jovem e por isso lhe destinou imediatamente os produtos de beleza e alimentação especial e lhe deu sete das melhores empregadas da casa real, para a assistirem. Foram-lhe ainda dados os melhores aposentos do harém, para ela e para as suas empregadas. Ester 2:8,9

Ester causou uma boa impressão. Ela era esbelta e formosa (vs.7), mas certamente haveria mulheres igualmente bonitas no meio do harém, por isso acredito que foi mais do que a beleza que a destacou das demais. Já referi atrás a educação judaica de Ester. E, ao contrário do que possamos pensar, na época bíblica, as mulheres eram ouvidas, respeitadas e admiradas. Isso mudou mais tarde, mas havia mulheres profetisas e juízas. As mulheres tinham voz, tanto no campo privado como no público. (*) Então acredito que Ester fosse uma jovem educada, humilde no trato, ensinada a servir e a honrar, mas também uma mulher inteligente e com carisma.

Monday, November 6, 2017

#2 ESPELHO DA ALMA: GISELE MANJUA, UMA LUTA CONTRA O CANCRO


A minha convidada de hoje é uma mulher como nós. Podíamos ser nós, na verdade. Mulher, esposa, filha, e mãe, ela descobriu um cancro numa das alturas mais sensíveis da vida de uma mulher, a gravidez. Não imagino o que ela possa ter sentido, mas acredito que ela mesma nos poderá contar e ensinar-nos como suportar uma dor tão grande e ainda assim permanecer fiel ao Deus que nos ama. Este espaço existe para partilhar testemunhos que nos edifiquem e nos fortaleçam e por isso eu desafiei a Gi para este Espelho da Alma.

O nome Gisele pode ter dois significados: "refém" ou "a que maneja a lança com destreza". Acho curioso, porque ela ficou realmente refém de uma doença, mas decidiu ser a que maneja a lança com destreza e lutou esta batalha como um soldado que sabe quem é o Seu Capitão. E venceu. Porque Deus vence sempre, mesmo que pareça que não. Mas sem mais demoras, vamos conhecê-la...


Gi, fala-nos um pouco de ti. Como é que conheceste Jesus e quem era Ele na tua vida antes de receberes a notícia de que tinhas cancro?

O meu nome é Gisele Fernandes Procenia Mamjua, sou brasileira, moro em Portugal há 10 anos, sou casada com um agolano e desta união tivemos dois filhos, Pamini de 7 anos e Noah de 2.
Nasci numa família católica praticante, fui batizada quando nasci, tínhamos de ir à missa todos os domingos, fazer a primeira comunhão, crisma, tínhamos que saber todas as rezas de todos os santos.

Perdi o meu pai muito nova, com 10 anos de idade, e desde então entrei em depressão e apegava-me a rezas, missas e anti-depressivos para poder viver. No ano de 2008, estava a vir do trabalho de autocarro, a ler um livro de autoajuda, quando de repente, se senta ao meu lado uma doida e me pergunta o que eu estava a ler. Eu respondi: "O Segredo" e ela perguntou-me "esse livro é sobre o quê"? Respondi que era um livro de autoajuda, e ela então disse-me que conhecia um livro verdadeiro e eficaz de autoajuda - A Bíblia. Pensei eu: "lá vem uma crente me encher o saco" (aborrecer-me).
Ela ficou uma hora a falar da Bíblia, e depois convidou-me para visitar a igreja dela, e eu disse que iria, só para a despachar.

Fui para casa e comentei com o meu namorado, atualmente meu marido, e fiquei curiosa para saber se o Deus de quem ela falava era o mesmo que eu achava que conhecia. E desde então fiquei a saber que Ele era muito mais do que aquilo que eu imaginava ou conhecia. Desde que conheci verdadeiramente Jesus sabia que ele era capaz de tudo, mas tudo mesmo, e quando recebi a notícia do cancro pensei: vou morrer, mas se essa for a vontade de Deus que assim seja, pois se Ele me deu um filho, que tanto desejei, Ele fará conforme a Sua vontade para a minha vida.
Mas não é fácil, mesmo confiando em Deus, aceitar uma notícia destas.


Tens uma família linda e estavas grávida do teu segundo rebento quando descobriste que tinhas cancro, com sete meses de gestação. O que é que sentiste quando o médico te deu o diagnóstico?

Sabes, como eu disse antes, a primeira coisa que me veio a cabeça foi: vou morrer. Fiquei muito revoltada, chorei durante uma semana inteira sem parar, que foi o prazo que os médicos me deram para o bebé nascer. Dado o estado avançado da doença eu precisava de começar logo a quimioterapia.


Monday, October 30, 2017

SOBRE O HALLOWEEN E DIA DE TODOS OS SANTOS



Em atualização

Já tenho este blog há vários anos e nunca considerei escrever sobre este tema. A verdade é que já muito se falou e escreveu sobre isto e, portanto, nunca achei que eu pudesse acrescentar algo à discussão. Isso e sempre tive alguma preguiça, confesso. (:

Entretanto, tenho percebido que há ainda muita confusão no meio cristão sobre este tema e enquanto orava ontem, senti que devia trazer-vos algum esclarecimento sobre esta festa e sobre o que a Palavra nos ensina, para que cada um possa tomar uma decisão fundamentada. Modismos e achismos à parte, os filhos de Deus são guiados pelo Espírito de Deus e, portanto, é importante que estejamos munidos de tudo o que pudermos para fazermos escolhas conscientes. Para a árdua tarefa de hoje pedi ajuda à História, para nos ajudar no contexto dos factos, e à Bíblia, que é a Palavra de Deus revelada aos homens e que é a “lâmpada que ilumina os nossos passos e a luz que clareia o nosso caminho” (Salmo 119:105). Ora venham comigo nesta aventura… Se não tiverem paciência para ler tudo, passem diretamente à parte "E o que a Bíblia diz"



A ORIGEM DAS FESTAS 

O Halloween, ou Hallowe’en, tem a origem num festival Celta muito antigo – o Samhain (que significa “o fim do verão”) –, que marcava o início do inverno, o fim das colheitas e o início do novo ano celta que, de acordo com o calendário gregoriano adotado no século XVI, se comemorava a 1 de novembro. Era a celebração mais importante do antigo calendário celta e, apesar de ter sido substituído no século VII, é ainda hoje relembrado por toda a Europa sob a forma de diferentes tradições e costumes que perduram até aos nossos dias.

Tradicionalmente, durava três dias, coincidindo atualmente com as celebrações católicas da Vigília de Todos os Santos (noite de 31 de outubro), Dia de Todos os Santos (1 de novembro) e Dia dos Fiéis Defuntos (2 de novembro).

Os celtas acreditavam que, no dia 31 de outubro, o véu que separava o mundo dos vivos e dos mortos se tornava mais ténue e que os mortos constituíam então um perigo para os vivos, causando problemas como doenças ou destruição das colheitas. 

Os festivais envolviam fogueiras, em honra de familiares já falecidos, para purificar pessoas e a terra, e afastar os demónios, que eram mais fortes nesta altura do ano. De acordo com documentos antigos, no Samhain faziam-se inclusive muitos sacrifícios aos deuses celtas da morte, com animais e humanos lançados em grandes fogueiras como ofertas. Trajes e máscaras eram usados na tentativa de copiar os espíritos malignos ou acalmá-los.



SÍMBOLOS E ATIVIDADES RELACIONADAS COM O HALLOWEEN

No Halloween, os celtas colocavam um esqueleto à janela para representar os mortos. Acreditando que a cabeça era a parte mais poderosa do corpo, contendo o espírito e o seu conhecimento, os celtas também usavam a cabeça de um vegetal para afugentar quaisquer espíritos malignos que pudessem tentar atacá-los. Usavam-se nabos para se esculpirem caras e assim eram colocados às janelas, para evitar os espíritos malignos. 


  •  Jack-o'-lantern ou lanterna de abóbora
As abóboras esculpidas com velas lá dentro em jeito de lanterna remontam à antiga lenda Irlandesa, que conta a história de um velho agricultor de nome Jack, ganancioso e bêbedo, que terá enganado o diabo e por isso terá sido condenado a vaguear pelo mundo, errante, à noite com a única luz que tinha: uma vela dentro de uma cabeça de nabo esculpida. 
As abóboras esculpidas ficaram associadas ao Halloween na América do Norte, onde as abóboras não só estavam disponíveis em grande quantidade, como eram bastante grandes, facilitando as esculturas. A abóbora esculpida começou por ser usada na altura das colheitas, só foi associada ao Halloween quase no final do século XIX. 

  • Jogos de adivinhação 
Na noite correspondente ao Halloween, e à semelhança do que acontece atualmente, eram feitos vários jogos, alegres e muito barulhentos. Alguns persistem até hoje, como é o caso do “apple bobbing” ou “bobbing for apples”, que consiste em tentar pescar uma maçã com a boca de um tanque cheio de água.
Os celtas acreditavam que a presença dos espíritos era propícia à adivinhação e muitos dos jogos tinham, por isso, um caráter divinatório. Eram especialmente usados para questões relacionadas com o amor ou o casamento. 

  • Trick-or-treat: doce ou travessura? 
"Trick-or-treat", em português “Doce ou travessura”, é um costume para crianças no Halloween. As crianças mascaradas vão de casa em casa pedir doces ou dinheiro com a pergunta “doce ou travessura"? A "travessura" é uma ameaça ociosa sobre os proprietários ou suas propriedades se estes não lhes derem nenhum doce. 
A prática de vestir-se em trajes e ir de porta em porta a pedir doces em feriados remonta à Idade Média e inclui os cânticos de Natal. A prática de “Doce ou travessura” assemelha-se à prática medieval de souling, quando pessoas pobres iam porta-a-porta no dia 1 de novembro, recebendo comida em troca de orações pelos mortos no Dia dos Fiéis Defuntos, a 2 de novembro. A prática de pedir "Pão por Deus" que conhecemos poderá ter também a sua origem aqui.



O HALLOWEEN HOJE

O Halloween hoje é uma amálgama da própria época, de obras de literatura gótica e de terror, de quase um século de trabalho de cineastas e artistas gráficos americanos e de uma exploração (altamente comercial) do oculto e do misterioso.

As imagens de Halloween tendem a envolver a morte, o mal, a magia ou monstros míticos. As personagens típicas nos EUA, entretanto importadas para outras partes do mundo, e mais recentemente, Portugal, incluem o diabo, a morte, fantasmas, demónios, bruxas, goblins, vampiros, lobisomens, zombies, múmias, esqueletos, gatos pretos, aranhas, morcegos, corujas, corvos, abutres, etc. O temas do ocultismo e das trevas é, sem dúvida, recorrente. 

Tuesday, September 5, 2017

DESTINO


Ontem de manhã estava a orar pelo Fireoste(*), a conferência de jovens da igreja onde congrego, que irá acontecer no fim de setembro, e o Espírito Santo levou-me a orar por transformação de dentro para fora e por um verdadeiro encontro com o Senhor, tal como aconteceu com Saulo de Tarso, que hoje conhecemos como Apóstolo Paulo. Ora, o tema da conferência, curiosamente, é  "Destino"  e Deus levou-me exatamente a compreender qual era o destino daquele homem e qual será o nosso, se não tivermos este encontro com Ele.

A presença de Deus é tão transformadora que tem o poder de mudar identidades, histórias e destinos.  Assim aconteceu com Saulo, um perseguidor de cristãos, que se torna Paulo depois de ter um encontro com Jesus a caminho de Damasco.

Enquanto orava tive uma convicção profunda de que Damasco era muito mais do que um destino físico e o Espírito conduziu-me numa pesquisa pela Palavra, que me surpreendeu. Deixo-vos as referências, mas ficaria muito extenso explicar cada uma, pelo que desafio-vos a ler depois para entenderem melhor.

Damasco é inimiga de Deus e de Israel (II Samuel 8:5),  um símbolo de ruína espiritual (Isaías 17:1); de morte e de traição (II Reis 8:7). símbolo de idolatria (II Reis 16:10); de maldade e violência (Amós 1:5);  e de perseguição (II Coríntios 11:32).  Mas Damasco é também símbolo de esterilidade  (Génesis 15:2) e de deserto (II Reis 19:15) e sobre estas últimas quero dizer algo.


Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!”Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Génesis 15:2

Abrão não tinha filhos porque Sarai, sua mulher, era estéril, e como era comum na época, o seu herdeiro seria Eliézer... de Damasco. É isso que Abrão quer dizer quando responde a Deus: "de que é que me serve a recompensa se não tenho um filho a quem a deixar?". Reparem que no momento em que isto acontece, Abrão ainda não é Abraão e Sarai ainda não é Sara, porque isso só pode acontecer depois de um encontro real com Ele. E sem esse encontro, o nosso destino é Damasco. Sem esse encontro Abrão e Sarai morreriam sem filhos, mas Deus marcou a vida deste casal de forma tão profunda, que mudou o seu destino, a sua identidade e a sua história. Abraão tornou-se o pai da fé e Sara mãe de nações. Geraram Isaac, o filho da Promessa e com ele gerações até ao nascimento de Jesus, o Messias.

Então o SENHOR Deus lhe orientou: “Vai, retorna por onde vieste para o deserto de Damasco.  I Reis 19:15

Deserto nesta passagem é midbar no hebraico, a mesma palavra utilizada em Isaías 51:3: Porque o Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Eden e a sua solidão como o jardim do Senhor; gozo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de cântico. Mais do que um deserto físico, Damasco é um deserto espiritual. Lugar inóspito, de difícil cultivo e de seca profunda, em oposição às águas vivas e terras férteis do Eden. A comparação em Isaías é interessante porque percebemos a oposição clara que há entre o deserto e o jardim de Deus. A oposição entre a solidão, tristeza, a falta de perdão, amargura de um e o gozo, alegria, ações de graças, favor, vida e cânticos de outro. 

O Eden é o nosso destino desde o princípio. Foi ali  que Deus colocou o Adão, Adam no hebraico, a humanidade e é ali, às origens de tudo que Ele nos quer conduzir. O pecado afasta-nos de Deus Pai e conduz-nos a Damasco, mas o sacrifício redentor de Jesus, o Cristo, leva-nos de volta para casa, para perto do Pai. 

(...), seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; contudo, levanta-te e entra na cidade, pois lá alguém te revelará o que deves realizar. Atos 9: 3-6

E havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou em uma visão. (...) Vai, pois ele é para mim um instrumento escolhido, a fim de levar o meu Nome diante de gentios e seus reis, e perante o povo de Israel.Revelarei a ele tudo quanto lhe será necessário sofrer por causa do meu Nome. Atos 9:10; 15,16

Então, era este o destino de Saulo. Damasco. Era para este "lugar" que ele se dirigia, até que Jesus o interrompeu pelo caminho e mudou o seu destino e a sua história. O seu destino a partir daquele momento mudou. Deus revela-o a Ananias: levar o nome do Senhor perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel (At. 9:15). Isto é tremendo. Um perseguidor de cristãos cujo destino era provavelmente a ruína, o deserto e, certamente, a morte espiritual, agora vai ser pregador. Uau. É isto que Deus faz. Não só com Saulo, mas connosco hoje também. Não importa o que tu foste, importa o que tu podes ser, em Deus. 


Saturday, May 6, 2017

VAMOS ATÉ AO JORDÃO?



Há muito tempo que penso em escrever-vos, mas começo a escrever e depois não sei, parece que não é o tempo, que não tenho vontade, que não sei bem como continuar e páro. Há uns dias atrás abri a Bíblia e pedi a Deus que falasse comigo. Tenho vivido tempos de introspeção e de reflexão e sofrido um bocadinho em silêncio e naquele momento sentia que precisava mesmo do poder da Palavra na minha vida. Fui parar a II Reis e li o seguinte:

E disseram os filhos dos profetas a Eliseu: Eis que o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão e tomemos de lá, cada um de nós, uma viga, e façamo-nos ali um lugar para habitar. E disse ele: Ide. E disse um: Serve-te de ires com os teus servos. E disse: Eu irei. E foi com eles; e, chegando eles ao Jordão, cortaram madeira. E sucedeu que, derrubando um deles uma viga, o ferro caiu na água; e clamou, e disse: Ai, meu senhor! ele era emprestado. E disse o homem de Deus: Onde caiu? E mostrando-lhe ele o lugar, cortou um pau, e o lançou ali, e fez flutuar o ferro. E disse: Levanta-o. Então ele estendeu a sua mão e o tomou. II Reis 6:1-7

Li outros capítulos, mas estes versos ficaram a ecoar dentro de mim. Fiquei tão curiosa que voltei atrás. Porque é que no meio da história dos reis de Israel haveria de estar ali aquele fait divers? Achei tão estranho... agora até me dá vontade de rir, mas a verdade é que fiquei deitada na cama de luz apagada a pensar que isto  não podia estar na Bíblia por acaso. Não podia ser um engano, nem palha para encher, portanto, alguma coisa isto quereria dizer, "mas o quê", perguntava eu a Deus. E li e reli no telemóvel até que percebi algo... 

O lugar onde estou, onde estamos, está a ficar pequeno demais. Da mesma forma que uma planta a certa altura do seu crescimento precisa de ser mudada de vaso para poder crescer, há também um tempo na nossa vida em que o lugar (não necessariamente físico, mas espiritual, entendam-me) onde estamos, se torna demasiado apertado para o que Deus quer operar em nós. Há um momento em que é preciso alargar o lugar em que habitamos. Porque ele se tornou demasiado confortável. E porque essa terra já deu o que tinha para dar e já não tem nutrientes que nos permitam crescer e dar fruto. 

o lugar em que habitamos diante da tua face, nos é estreito. Vamos, pois, até ao Jordão...

Quando percebemos que já não podemos mais permanecer onde estamos, como estamos, que já não podemos fazer as coisas da mesma maneira e que há mais, então é tempo de ir até ao Jordão. O Jordão que significa "aquele que desce" ou "lugar onde se desce". E como nós precisamos descer... Para fazermos um novo lugar para habitar (e habitação fala de construção, de estrutura) é preciso descer da nossa altivez, descer da nossa arrogância, descer das nossas vontades, descer dos nossos achismos, descer da nossa condição atual e mergulhar, para ressurgirmos preparados para enfrentar um novo tempo, uma nova habitação cheia do Espírito Santo e do Seu poder!