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Friday, December 20, 2019

[CHRIST? MAS...] NATAL, MAS POUCO



O nascimento de Jesus foi um pouco como o Natal hoje em dia. Anunciado com muita antecedência, alvo de grandes preparativos, ansiado por muitos, temido por tantos outros. Todos esperam sempre muito, mas na verdade nunca ninguém sabe bem como vai ser... E muitas vezes a experiência incrível que se esperava acaba rodeada de palha, de estranhos e de alguns animais.

Não devia ser assim, mas infelizmente é nestas alturas que mais se acentuam as desigualdades e as diferenças entre pessoas. Há aqueles que fingem muito bem e há-os que não sabem fingir de todo, pelo que acabam a estragar a festa aos outros. É a dor do ser humano que se agudiza numa época em que fotos e luzes desfocam a triste realidade de muitas famílias - não foi assim o resto do ano. Não nos amamos assim tanto. Toleramo-nos. Não queremos realmente dar presentes, mas há um código social que nos obriga. Não queremos estar aqui, mas temos de estar. 

Quando é que começámos a fazer as coisas porque temos de? Será que tem mesmo de ser assim? 
Natal significa literalmente "nascer", mas eu questiono-me sobre o que tem nascido em nós. Nas nossas casas. Nas nossas famílias. Nos nossos pensamentos. Nas nossas emoções. Nos nossos corações. 

Eu adoro o Natal, mas não posso dizer que tenha tido experiências espetaculares ao longo dos anos. Se calhar vocês também não. Não sei. O que sei é que eu nunca desisti. Talvez porque a essência da época sempre esteve escondida dentro de mim e eu não sabia. Mesmo quando não tinha o Cristo que dá o Crist ao Christmas em inglês, eu sempre procurei e sonhei com o "nascimento" que o Cristo representa em nós que Nele cremos. 

O nascimento de novos sonhos. O nascimento de novas ideias, oportunidades, amizades. O nascimento de uma família diferente, de um amor crescente. Nascimento de forças, de coragem, de fé num amanhã melhor. O nascimento da esperança, da vida, da eternidade. 

Jesus nasceu para que pudesse viver como homem, como um de nós e, assim, hoje pudéssemos acreditar que Ele sabe o que sentimos, pensamos, sofremos. Jesus nasceu para dar a vida novamente, em prol de todos nós, para que acreditássemos que depois de hoje há um amanhã,  que depois da dor nasce a restauração, que depois da tristeza nasce a alegria, que depois da noite nasce o dia. Que depois da morte há Eternidade. 

Jesus nasceu e deu a vida para nos dar a oportunidade de entregar a nossa e, assim, nascermos também de novo. E, como Ele, passarmos de meninos a filhos de Deus, do Pai de amor que O enviou por amor a nós. 

Oiço muitos falarem do Natal com amargura e ressentimento. Compreendo os seus motivos, mas não precisa de ser assim. Não se entendermos o que significa verdadeiramente o Natal. Não se aceitarmos que não são as circunstâncias onde "nascemos" que determinam quem somos. Jesus nasceu num estábulo. A sua companhia eram, além dos seus pais, estranhos e animais. O ambiente não mudou quem Ele era. Não mudou o Seu nome. Não mudou a Sua identidade. 

700 anos antes Isaías profetizou o Natal e a Páscoa:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. - Isaías 9:6

Nasceu menino para que pudesse ser "filho do homem", mas foi dado como Filho pelo próprio Deus e tornou-se Governador de um Reino que não tem fim quando entregou a Sua vida em resgate por todos (I Tm 2:6). 

Isaías omitiu as circunstâncias do Natal, o local, o ambiente, a companhia. Também não referiu o nome Jesus ou Emanuel (que significa Deus connosco), ambos nomes do Messias, mas deixou-nos uma descrição profunda da Sua identidade ao declarar que Ele seria chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. 

Friday, December 22, 2017

A ESCOLHA DE ESTER


Sempre gostei muito da história de Ester. É uma personagem que ainda hoje marca a minha vida com Deus e volta e meia penso nela. Podia ser apenas a história de uma mulher bonita que se tornou rainha, mas Ester foi muito mais do que isso. Um exemplo de resiliência, determinação, coragem, humildade, honra, sabedoria, estratégia... Uma mulher que tinha tudo para ser amarga, deprimida, revoltada. Uma mulher que era humana, limitada, certamente com muitos defeitos, mas que não deixou que o seu passado determinasse a sua identidade e ditasse o seu futuro

O livro de Ester é muito rico e apesar de nunca mencionar o nome de Deus, podemos perceber a Sua ação do início ao fim da história. É assim também na nossa vida muitas vezes, não é? Quando Ele está em nós, às vezes mesmo sem mencionar o Seu nome, podemos percebê-Lo em acontecimentos, em conversas, em conselhos, até num abraço... 

Há várias lições para a vida cristã no livro de Ester, recomendo que o leiam se ainda não tiveram oportunidade, mas hoje quero partilhar convosco alguns aspetos em particular presentes no capítulo 2, que me vieram à mente e ao coração durante as férias, enquanto conversava com o Pai. 

Era uma vez uma menina judia chamada Hadassa. Depois de perder os seus pais, é adotada pelo seu primo Mardoqueu, um judeu da tribo de Benjamim, que tinha sido levado para o exílio pelo rei Nabucodonosor. 

Hadassa era o seu nome de nascimento, mas na Pérsia a menina recebeu o nome de Ester. O nome Hadassa tem origem no hebraico Hadassah, derivado da palavra hadas, que quer dizer "mirto" ou "murta". Murta é um arbusto com origens na Europa e norte da África com folhas conhecidas por exalarem um cheiro agradável quando são esmagadas. Interessante, não acham? Quantas vezes temos sido esmagados pelas circunstâncias, tal como aquela menina. No caso dela a orfandade, o sair da sua casa, do seu conforto, de tudo o que conhecia, para ir viver num lugar estranho, educada num país que não era o seu, com uma língua e uma cultura que não era a sua, por um familiar que não era o seu pai. Ester foi esmagada, mas dela eventualmente exalou um cheiro agradável. Será que connosco tem acontecido o mesmo? Quando somos esmagados por situações que não podemos controlar, retirados do conforto e daquilo que conhecemos, o que revela o nosso coração? Tenho aprendido que a dor é necessária, mas ela precisa de ser processada e vivida, para chegar ao momento em que se transforma em cânticos de adoração. Nem sempre é fácil, mas tenho descoberto que o sofrimento é transformado quando conseguimos agarrar nele e depositá-lo aos pés de Deus. A nossa alma abate-se, mas se deixarmos, o bálsamo de Deus vem sobre nós e cura-nos. 

Ester significa "estrela" e foi isso mesmo que a heroína da nossa história se tornou. Como uma estrela, ela brilhou apesar do seu passado. Ela iluminou apesar da sua dor. Ela dirigiu apesar das circunstâncias adversas. Será que conseguimos fazer o mesmo? Agarrar no nosso nome, na identidade que nos foi dada, muitas vezes tão diferente daquela que Deus nos deu, e transformá-la para a Glória Dele? Na nossa força dificilmente, mas em Deus, na força do Seu poder, certamente. Ele é o único capaz de transformar um passado cinzento num futuro brilhante.  

Isto é um aparte, mas eu acho fantástica a importância que a Bíblia (e na verdade os judeus) atribui ao nome. Devíamos aprender com isto, afinal o nome é uma parte importante da nossa identidade. Inclusivamente vemos Deus mudar o nome de algumas pessoas como que marcando um antes e um depois na sua história. Recentemente fui pesquisar a origem do meu nome e descobri que afinal Diana não é só uma referência à deusa da caça, mas significa "divina" ou "aquela que ilumina". Muito melhor, não? (: Quando pensarem no nome dos vossos filhos tenham isso em consideração, lembrem-se que eles vão carregar essa identidade para o resto da vida.

Voltando à nossa história, e abreviando-a: o rei Assuero da Pérsia zangou-se com Vasti, rainha-consorte, e decidiu que ela já não era digna desse lugar. Repudiou-a, seguindo a sugestão dos seus conselheiros e decidiu arranjar outra mulher para o lugar.

O rei Assuero, ou Xerxes I como é historicamente conhecido, era herdeiro do maior império do seu tempo, o Império Persa e apesar de ser tido pelos relatos históricos, como um homem bonito para a sua época, era também um rei egocêntrico e até vingativo, de temperamento colérico e sensual.

Este rei manda então reunir todas as donzelas (virgens, leia-se) do reino e trazê-las para o palácio para uma espécie de casting. Aquela que lhe agradasse receberia o título de rainha. As outras, bom, digamos que não regressavam a casa... A poligamia e os haréns eram características comuns da cultura persa, pelo que, uma vez escolhida a rainha, as outras passariam a viver como concubinas do rei (Et 2:14) que é como quem diz escravas, sem grandes direitos, nem sobre o seu corpo, nem sobre os seus filhos.

Pelo que lemos em todo o livro parece-me claro que Ester foi ensinada a temer e a adorar a um único Deus, o Deus de Abraão, Isaac e Jacó. Mardoqueu tê-la-á ensinado a Lei do Senhor e os seus princípios e não devia ter em mente casá-la com alguém que não fosse igualmente judeu (apesar de estarem longe de casa), como era costume do seu povo. No entanto, os caminhos de Deus são mais altos do que os nossos e Ester tem agora o seu destino traçado. Se não fosse escolhida para ser rainha, os esforços de Mardoqueu na sua educação de pouco lhe serviriam, porque ela passaria a ser uma concubina. Podia ser até este o desejo de muitos naquele tempo, já que isso significaria viver no meio do luxo que a corte persa implicaria, mas um servo do Deus Altíssimo não desejaria isso para a sua filha.

É este contexto que temos, e é neste contexto que Ester chega ao palácio persa. Imagino a cena, a miúda devia estar em pânico, talvez com um misto de emoções, com curiosidade por conhecer o rei e a vida num palácio, claro, afinal ela era humana, mas ao mesmo tempo, com muito medo. Certamente com muita ansiedade, dúvida, desespero. Não sei, mas isto não é um conto de fadas malta, ela não foi ao baile qual cinderela a dançar com o seu príncipe encantado. Ela era uma jovem a ser tirada à força da família, mais uma vez... mais uma vez Ester era retirada do seu conforto, do seu lar e era colocada num meio estranho e hostil, cheio de intrigas e rivalidade. Só posso imaginar aquilo que ia na cabeça dela e no seu coração, o horrível conflito interior. 

Quando a ordem do rei foi tornada pública, numerosas jovens foram levadas a Susa e reunidas no harém à guarda de Hegai. Ester encontrava-se entre elas. Hegai gostou muito daquela jovem e por isso lhe destinou imediatamente os produtos de beleza e alimentação especial e lhe deu sete das melhores empregadas da casa real, para a assistirem. Foram-lhe ainda dados os melhores aposentos do harém, para ela e para as suas empregadas. Ester 2:8,9

Ester causou uma boa impressão. Ela era esbelta e formosa (vs.7), mas certamente haveria mulheres igualmente bonitas no meio do harém, por isso acredito que foi mais do que a beleza que a destacou das demais. Já referi atrás a educação judaica de Ester. E, ao contrário do que possamos pensar, na época bíblica, as mulheres eram ouvidas, respeitadas e admiradas. Isso mudou mais tarde, mas havia mulheres profetisas e juízas. As mulheres tinham voz, tanto no campo privado como no público. (*) Então acredito que Ester fosse uma jovem educada, humilde no trato, ensinada a servir e a honrar, mas também uma mulher inteligente e com carisma.

Tuesday, September 5, 2017

DESTINO: DAMASCO OU JERUSALÉM?


Ontem de manhã estava a orar pelo Fireoste(*), a conferência de jovens da igreja onde congrego, que irá acontecer no fim de setembro, e o Espírito Santo levou-me a orar por transformação de dentro para fora e por um verdadeiro encontro com o Senhor, tal como aconteceu com Saulo de Tarso, que hoje conhecemos como Apóstolo Paulo. Ora, o tema da conferência, curiosamente, é  "Destino"  e Deus levou-me exatamente a compreender qual era o destino daquele homem e qual será o nosso, se não tivermos este encontro com Ele.

A presença de Deus é tão transformadora que tem o poder de mudar identidades, histórias e destinos.  Assim aconteceu com Saulo, um perseguidor de cristãos, que se torna Paulo depois de ter um encontro com Jesus a caminho de Damasco.

Enquanto orava tive uma convicção profunda de que Damasco era muito mais do que um destino físico e o Espírito conduziu-me numa pesquisa pela Palavra, que me surpreendeu. Deixo-vos as referências, mas ficaria muito extenso explicar cada uma, pelo que desafio-vos a ler depois para entenderem melhor.

Damasco é inimiga de Deus e de Israel (II Samuel 8:5),  um símbolo de ruína espiritual (Isaías 17:1); de morte e de traição (II Reis 8:7). símbolo de idolatria (II Reis 16:10); de maldade e violência (Amós 1:5);  e de perseguição (II Coríntios 11:32).  Mas Damasco é também símbolo de esterilidade  (Génesis 15:2) e de deserto (II Reis 19:15) e sobre estas últimas quero dizer algo.


Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!”Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Génesis 15:2

Abrão não tinha filhos porque Sarai, sua mulher, era estéril, e como era comum na época, o seu herdeiro seria Eliézer... de Damasco. É isso que Abrão quer dizer quando responde a Deus: "de que é que me serve a recompensa se não tenho um filho a quem a deixar?". Reparem que no momento em que isto acontece, Abrão ainda não é Abraão e Sarai ainda não é Sara, porque isso só pode acontecer depois de um encontro real com Ele. E sem esse encontro, o nosso destino é Damasco. Sem esse encontro Abrão e Sarai morreriam sem filhos, mas Deus marcou a vida deste casal de forma tão profunda, que mudou o seu destino, a sua identidade e a sua história. Abraão tornou-se o pai da fé e Sara mãe de nações. Geraram Isaac, o filho da Promessa e com ele gerações até ao nascimento de Jesus, o Messias.

Então o SENHOR Deus lhe orientou: “Vai, retorna por onde vieste para o deserto de Damasco.  I Reis 19:15

Deserto nesta passagem é midbar no hebraico, a mesma palavra utilizada em Isaías 51:3: Porque o Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Eden e a sua solidão como o jardim do Senhor; gozo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de cântico. Mais do que um deserto físico, Damasco é um deserto espiritual. Lugar inóspito, de difícil cultivo e de seca profunda, em oposição às águas vivas e terras férteis do Eden. A comparação em Isaías é interessante porque percebemos a oposição clara que há entre o deserto e o jardim de Deus. A oposição entre a solidão, tristeza, a falta de perdão, amargura de um e o gozo, alegria, ações de graças, favor, vida e cânticos de outro. 

O Eden é o nosso destino desde o princípio. Foi ali  que Deus colocou o Adão, Adam no hebraico, a humanidade e é ali, às origens de tudo que Ele nos quer conduzir. O pecado afasta-nos de Deus Pai e conduz-nos a Damasco, mas o sacrifício redentor de Jesus, o Cristo, leva-nos de volta para casa, para perto do Pai. 

(...), seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; contudo, levanta-te e entra na cidade, pois lá alguém te revelará o que deves realizar. Atos 9: 3-6

E havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou em uma visão. (...) Vai, pois ele é para mim um instrumento escolhido, a fim de levar o meu Nome diante de gentios e seus reis, e perante o povo de Israel.Revelarei a ele tudo quanto lhe será necessário sofrer por causa do meu Nome. Atos 9:10; 15,16

Então, era este o destino de Saulo. Damasco. Era para este "lugar" que ele se dirigia, até que Jesus o interrompeu pelo caminho e mudou o seu destino e a sua história. O seu destino a partir daquele momento mudou. Deus revela-o a Ananias: levar o nome do Senhor perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel (At. 9:15). Isto é tremendo. Um perseguidor de cristãos cujo destino era provavelmente a ruína, o deserto e, certamente, a morte espiritual, agora vai ser pregador. Uau. É isto que Deus faz. Não só com Saulo, mas connosco hoje também. Não importa o que tu foste, importa o que tu podes ser, em Deus. 


Friday, December 30, 2016

GRATIDÃO



Gratidão. Por tudo e por nada. Pelo dia de hoje e pelo de ontem. Pelo que vivi. Pelo que sofri. Pelo que cresci. Pelo que dei e pelo que recebi. Pelo que pude fazer e pelo que não consegui alcançar. Gratidão é o que sinto neste último mês, nestes últimos dias do ano.


Há muito que não vos escrevo, por um lado por falta de tempo, por outro por falta de vontade e já sabem que eu não escrevo por obrigação, mas pelo coração. E foi o coração que me trouxe de volta, com a necessidade de partilhar convosco o que tem estado cá dentro nos últimos tempos e, em especial, para vos deixar com algo para pensar neste que é o fim de mais um ano.  

Tenho pensado muito nos últimos tempos, na minha vida, nos meus objetivos, no que aconteceu neste ano, no que alcancei, no que falhei e de repente dei por mim num lugar de crise. Crise porque sinto que o que alcancei não é suficiente, porque sinto que há mais de Deus para mim, e que eu consigo fazer melhor para Ele. Crise porque sinto o tempo a fugir-me das mãos e isso assusta-me. Crise porque vejo o mundo a discutir por aquilo que não tem qualquer valor. Crise por ver como tudo passa e como as pessoas perdem tempo (às vezes eu inclusive) com coisas que não interessam. Crise porque passamos a vida a correr e nem damos conta de que ela está a passar-nos ao lado. Crise porque me sinto pequena demais e muitas vezes insuficiente. Crise porque muitas vezes não consegui fazer o que queria ter feito...  

Mas sabem, a crise não tem de ser um lugar mau. Não quando temos Cristo. Porque Ele é o Caminho e com Ele sempre vamos ser capazes de nos dirigir para o lugar certo. Com Ele sempre seremos capazes de sair do lugar de crise para o lugar de criação. Porque na crise, cria-se! A crise conduz-nos a novas decisões, incentiva-nos a crescer, constrange-nos a transformar e a ser transformados. E é curioso que estes dias alguém dizia precisamente que a crise é um lugar necessário para o avivamento e para a transformação. E eu não podia concordar mais. É nesses momentos que damos o salto. É aí, na insatisfação e na incapacidade, que Deus entra com a Graça e nos leva a um novo lugar Nele. Mais alto. Mais perto. Muito mais perto Dele. 

Mas é preciso abraçá-la [à crise] e deixá-la fazer o seu papel em nós. Precisamos de aprender a abraçar a dor, o medo, a dúvida, o sofrimento, o desânimo, a frustração, em vez de tentarmos camuflá-los, ignorá-los ou atirá-los para trás das costas, como se não os vendo, não os sentíssemos. Custa, muito, mas aceitar aquilo que sentimos e pedir ajuda ao Pai para lidar com isso é a única forma de seguir em frente e passarmos para o próximo nível. Reconhecer o que nos vai na alma é o primeiro passo para aceitar e, assim, ultrapassar qualquer coisa. 

As provas revelam o amor do Pai. Este é o título que podemos ler no capítulo 12 do livro de Hebreus antes do verso que transcrevo abaixo. E eu não diria melhor. Realmente, as lutas e as dores revelam o amor deste Deus que enviou o Seu filho Jesus para nos salvar de uma vida sem sentido e de uma eternidade escura e fria. Que nos enviou o filho do Seu amor para nos trazer de volta ao princípio de tudo, quando Ele nos criou com um amor perfeito e profundo, à Sua imagem e semelhança. O Criador, o Autor da vida, queria a Sua criação de volta, mas desta vez decidiu dar-lhe muito mais do que apenas o sopro da vida, deu-nos o poder de sermos chamados Filhos de Deus. E por causa disso hoje não somos mais órfãos, mas filhos, se somente crermos em Jesus e no Seu sacrifício. Aleluia, bendito seja o nome do Senhor por isto!

Meu filho, não desprezeis a disciplina do Senhor, nem desanimeis quando por Ele sois repreendido, pois o Senhor disciplina a quem ama, e educa todo aquele a quem recebe como filho. Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina; Deus vos trata como filhos. Hebreus 12:5-7

Já li esta passagem algumas vezes, mas só hoje a entendi. Sempre me foquei na parte da "disciplina"e a interpretei como a correção por algo de errado que fizemos, mas estava tão enganada... não é nada disso. Sim, é verdade que um pai corrige quando fazemos algo de errado, e isso também se aplica a Deus Pai, mas não é a isso (apenas) que o autor se refere. O que na verdade aqui diz é para entendermos a dificuldades, os sofrimentos, como uma forma de educação. Tudo o que vivemos que nos faz sofrer é usado por Deus para nos educar. Às vezes nem fizemos nada de errado para merecer certa situação (como já ouvi alguns dizer), mas isso faz parte da nossa educação espiritual, chamemos-lhe assim. É o processo que o Pai usa para nos dar grandes lições, sobre o Seu amor, a Sua paz, a Sua graça, fidelidade, poder, soberania... 

Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina. Deus está-nos a educar. A ensinar-nos a ser fortes, a amar mais, a ter mais compaixão, a ver o lado bom das coisas, a ser mais pacientes, a saber esperar, a ter domínio próprio, a ser humildes, mansos, a saber servir o próximo, a saber dar, e a saber receber... Sim, Deus está-nos a ensinar porque Ele é um Pai que nos trata como filhos. E um pai que se preze quer o melhor para os seus filhos. Assim é Deus. 


Thursday, November 10, 2016

MARCHA! (parte II)




Se não leram a parte I deste texto, recomendo vivamente que o façam antes de continuar. É importante para entenderem the whole picture. Não vou fazer introdução, para não perdermos mais tempo.Continuando, então, de onde ficamos...

E os egípcios perseguiram-nos (...) e alcançaram-nos acampados junto ao mar... 
E aproximando Faraó, os filhos de Israel levantaram seus olhos, e eis que os egípcios vinham atrás deles, e temeram muito; então os filhos de Israel clamaram ao SenhorE disseram a Moisés: Não havia sepulcros no Egito, para nos tirar de lá, para que morramos neste deserto? Por que nos fizeste isto, fazendo-nos sair do Egito?  (...) Pois que melhor nos fora servir aos egípcios, do que morrermos no deserto. Êxodo 14:7-12

Imaginem a cena... Deus já tinha avisado o Seu povo que a estratégia era esta, atrair os egípcios (basicamente os israelitas foram o que se chama de isco), mas quando eles levantam os olhos e vêem o exército de faraó, aí é que a porca torce o rabo! A história é-vos familiar? 

Eles entraram em pânico, começaram a desesperar, a achar que iam morrer. E quase estragam tudo... Até diz que o povo clamou ao Senhor, que no original é "tsâ'aq", um grito de ajuda, mas depois lemos as palavras por eles proferidas a Moisés e por momentos ficamos confusos. O grito de socorro do povo não coincide com o seu discurso. Isto ensina-me que em aflição qualquer um grita por socorro. Qualquer um pede ajuda a Deus quando pensa que vai morrer, até quem não crê Nele, porque é o medo a falar, mas o nosso discurso é que vai revelar o nosso coração. O próprio Jesus disse que a boca fala do que está cheio o coração (Mateus 12:34). Não é por acaso que a Bíblia nos descreve esta conversa. 

Deus não faz nada sem avisar primeiro os seus servos (Amós 3:7), então Deus avisa-nos. E prepara-nos. Nós já sabemos, mas quando acontece, quando nos vemos no meio da guerra, quantos de nós não entram em pânico? De repente esquecemos tudo o que ouvimos, tudo o que vimos, e o ser humano que há em nós desespera, com medo. Alguns paralisam. Outros voltam-se mesmo contra Deus. Foi o que aconteceu na nossa história. Um povo cansado de ser escravizado sentiu-se entre a espada e a parede novamente e, por momentos, perdeu a sua fé. Um povo habituado à escravatura e à prisão, que preferia continuar nesse lugar do que morrer no deserto.


Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos, e vede o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje vistes, nunca mais os tornareis a ver. Êxodo 14:13

Sabes, tu não vais morrer no deserto. O calor aperta, a dor parece insuportável, mas Deus jamais te abandonou. Quando é Ele que te tira do Egipto, quando é Ele que te guia pelo deserto, não precisas temer. Ele tem um plano para te livrar. 


Talvez estejas a viver um tempo assim, difícil. De repente viste-te rodeado pelo inimigo e o teu coração vacilou. Por momentos perdeste a esperança no futuro e a fé Naquele que te tirou da terra de escravidão... Mas se entraste neste blog hoje à procura de respostas, então eu quero-te lembrar que Deus ainda não deu a última palavra. Como Moisés disse aquele povo hoje te digo: não temas, fica quieto e vê o livramento do Senhor sobre a tua vida. Aos egípcios que hoje vês, nunca mais verás, em nome de Jesus. 

Wednesday, October 19, 2016

MARCHA! (parte I)


Estava na igreja um destes dias e, enquanto orava, o Espírito Santo disse-me: "diz ao meu povo que marche". Não entendi nada, mas no meu lugar eu própria comecei a marcar o meu passo, como se fosse parte de um exército, aquele que Deus quer levantar nesta terra. Não estivesse eu já habituada a estas pequenas "loucuras" e ficaria envergonhada de fazer aquelas figurinhas. Não fiquei. Percebi há já algum tempo que não tenho porque me envergonhar do Espírito Santo e do seu mover. Aprendi a amar o ministério desta que é a terceira pessoa da trindade e a desejar conhecê-Lo cada vez mais. 
Já em casa, pus-me a pensar no que Deus me disse e decidi ir em busca deste versículo, que me lembrava estar relacionado com o episódio do Mar Vermelho. 

Comecei a reler a história e a preparar este texto sem ter bem noção do que Deus queria que eu escrevesse, mas vocês já sabem que este blog é assim. (: 

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; (...) eis que o clamor dos filhos de Israel é vindo a mim, e também tenho visto a opressão com que os egípcios os oprimem. Êxodo 3:7-9

Resumindo a história, depois de anos de escravidão no Egipto, os israelitas podem finalmente mudar de vida. Guiados por Moisés, chamado por Deus para esta árdua tarefa, e depois de muitas peripécias (também conhecidas por pragas do Egipto) conseguem escapar da opressão de faraó e rumam à Terra Prometida. 

Assim de repente consigo fazer uma associação com a nossa vida e a Igreja no geral. Quanta opressão temos sentido... Durante anos a Igreja do Senhor tem vivido oprimida, escravizada pelo inferno... o diabo tem matado os nossos sonhos, a nossa esperança, tem matado mesmo vidas espiritualmente falando... ele tem roubado a nossa fé e a nossa alegria, sugado a nossa energia, destruído a unidade, a santidade e a integridade da Noiva. Hoje vemos um povo frio, apático, cheio de desamor, incapaz de romper no sobrenatural e de viver a vida  abundante que Jesus Cristo conquistou para nós. 

Mas assim como viu o clamor e as dores do Seu povo no Egipto, Deus também tem visto como temos sido afligidos e Ele mesmo está a levantar homens e mulheres neste tempo, guiados pelo Espírito Santo, dependentes Dele, para fazerem a diferença e serem referências nesta geração.

Assim partiram os filhos de Israel de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil a pé, somente de homens, sem contar os meninos. E subiu também com eles muita mistura de gente, e ovelhas, e bois, uma grande quantidade de gado. Êxodo 12:37,38

Quando lemos isto talvez não tenhamos a real consciência do que aconteceu, mas a Bíblia diz que eram cerca de seiscentos mil homens a pé mais as mulheres e crianças e outros que terão aproveitado a deixa para sair também daquela terra (vs 38). Eu sou péssima a matemática, mas se contarmos com as famílias completas então este número certamente duplicava! É muita gente! Muita gente mesmo! Para terem uma noção, só a cidade de Lisboa tem cerca de 550 mil habitantes... Conseguem imaginar todos os habitantes de Lisboa a mudarem-se, ao mesmo tempo, a pé, e com as suas tralhas todas? E ainda os animais? Agora imaginem mais do dobro disso! Que imagem incrível...

Monday, June 20, 2016

O MONTE E A PROMESSA


Tenho este nos rascunhos há umas semanas, mas ainda não tinha parado para o terminar. Realmente o tempo de Deus é algo curioso, já pensaram nisso? Algo acontece hoje, mas só vai ter impacto lá mais à frente, às vezes anos depois. Começamos algo hoje, mas só vemos a sua concretização muito tempo depois... Será que também há rascunhos na tua vida? Coisas guardadas em gavetas à espera de verem, finalmente, a luz do dia? Sabe que, com Deus, nada fica por escrever, a Seu tempo tudo o que Ele começou, encontra o seu fim. 

Hoje quero falar-vos sobre promessas e montes. E quero usar a conhecidíssima história de Abraão e Isaque como ponto de partida.

Toma Isaque, teu filho, teu único filho, a quem tu muito amas, e vai-te à terra de Moriá. Sacrifica-o ali como holocausto, sobre um dos montes, que Eu te indicarei!...
Abraão levantou-se bem cedo, selou seu jumento e tomou consigo dois de seus servos e seu amado filho Isaque. Ele ainda partiu a lenha para o holocausto e se pôs a caminho rumo ao lugar que Deus havia mostrado. 
No terceiro dia, Abraão, levantando os olhos, viu de longe o lugar que Deus havia determinado. Génesis 22:2-4

Resumindo a história, Deus põe a fé de Abraão à prova e pede-lhe que sacrifique o filho Isaque, que Ele mesmo, Deus, lhe prometera e que Abraão tinha tido com Sara já na velhice. Abraão obedece, convicto de que Deus providenciaria o cordeiro para o sacrifício ou, mesmo que não, que ressuscitaria o menino. 

Durante três dias Abraão caminhou em direcção aquele monte, sem saber bem o que ia acontecer. Provavelmente conversou com Isaque durante a viagem, riram, brincaram, se calhar choraram... não sei, mas não acredito que aquele pai não tenha abraçado o filho, o filho que ele já não esperava ter e que agora ia entregar a Deus. Não, não posso acreditar que aquele homem não se tenha emocionado por um momento. Ele era homem, lembremo-nos disso. Humano, frágil, limitado, tal como nós. Eu no lugar dele abraçaria o meu filho com todas as minhas forças, para que ele tivesse a certeza de que eu o amava. E acredito que com Abraão não tenha sido diferente. Talvez enquanto Isaque dormia ele se esgueirasse para longe para elevar os seus pensamentos a Deus, para chorar e derramar o seu coração diante de Deus... Porque não?   

A Bíblia não nos dá muitos detalhes e por isso vemos sempre esta história de uma maneira muito ligeira, porque já sabemos o fim, mas Abraão não sabia. Ele apenas tinha fé de que Deus ia cumprir a promessa que lhe fizera lá em Génesis 17, mas ele não sabia como. E mesmo que Deus ressuscitasse o filho, como ele imaginava, acham que não lhe custava matar o próprio filho? Imagino o que terá passado pela cabeça daquele homem... pergunto-me se pensamentos como "será que foi mesmo Deus que falou comigo?" ou "porque é que Deus me faria uma coisa destas?", ou "será que o meu filho vai entender?" lhe passaram pela cabeça. Sabe Deus que passam pela nossa muitas vezes. E já pensaram onde é que Sara entrava no meio disto tudo? O que é que Abraão terá dito à mulher que ia fazer com o seu único filho? Será que aquela mãe sabia que o marido ia sacrificar o seu menino? 

Abraão caminhou durante três dias com Isaque e os seu servos, até que avistou o monte ao longe. Nesse momento pediu ao servos que esperassem ali por eles e subiu ao monte com o filho.  Muitos te acompanharão na caminhada, para te ajudar a carregar a lenha, para te proteger e até te servir, mas a subida ao monte é entre ti e Deus. És só tu e o fruto da tua obediência. Tu e o teu Isaque, seja ele um filho, um casamento, um ministério, um sonho... 

Eu não sei qual é o teu Isaque, mas subir ao monte dói. Subir ao monte do sacrifício é uma escolha pessoal de rendição total, de entrega completa ao Pai, crendo que Ele sabe o que faz e não nos pede mais do que podemos suportar. 

Talvez venhas sentindo que estás sozinho e talvez isso te esteja a custar. Sentes que és o suporte de todos, mas que ninguém te suporta a ti. Que dás e dás, mas só precisavas de receber um pouco. Estás a subir o monte. Abraão também estava nessa posição. Ali a subir ao monte agora só com o filho, sozinhos, ele não podia dar-se ao luxo de se ir abaixo. 

E quantas vezes é assim na nossa vida? Sorris por fora e tentas fortalecer todos à tua volta, mas por dentro só te apetece chorar. Quem é pai vai entender. Se estivesses a subir ao monte para sacrificar o teu filho certamente irias querer que ele se sentisse o mais seguro possível, verdade? Não ias querer que ele tivesse medo.  Provavelmente dirias "vai correr tudo bem". Abraão era pai, ora ponham-se na pele dele. Foi com certeza isso que ele fez. 

Friday, April 29, 2016

CARTA À MINHA MÃE



Mamã, acho que era assim que te chamava quando era mais pequenina e acho que tu gostavas. Talvez te fizesse sentir que eu seria a tua pequenina para sempre. Mas depois eu cresci. Cresci e as nossas vidas afastaram-se. Não fisicamente, mas emocionalmente. Continuavas a ser a minha mãe, mas eras difícil. Eu pelo menos achava. Achava que não me entendias e que não fazias ideia do que estavas a fazer, comigo. O meu coração fechou-se, pouco a pouco. Era a minha maneira de me tentar proteger da dor e, ao mesmo tempo, tentar guardar o amor em algum lado. Fechei-o de tal forma a sete chaves que tive dificuldade a encontrá-lo mais tarde. 

Culpei-te. Pelas minhas frustrações, pelos meus comportamentos, pelas minhas falhas, pelas minhas más respostas. Culpei-te pela vida que não tive e pelo que não fui. Porque tu devias ser a minha mãe, aquela super-heroína que faz tudo e salva todos. Mas não eras. Eu achava que não eras, porque sentia que me fazias sofrer. Fartei-me dos gritos, das discussões sem sentido, de me sentir rejeitada. Queria, por um momento, ser eu o centro. Queria, por um momento, ser eu mesma, descobrir quem era, sentir que existia como Diana e não só como filha de alguém. 

Mas um dia a minha vida mudou. Deus encontrou-me e pegou-me pela mão. Eu dei-lha sem medos. Precisava de um pai e de uma mãe. Achava que não tinha nenhum dos dois. Precisava de uma mãe que não me julgasse, que não me criticasse, que me ouvisse e que me pegasse ao colo. E Deus foi tudo isso. Foi o pai que nunca tive e foi a mãe que eu achava não ter. E Ele curou as minhas feridas. Mostrou-me cada uma delas e limpou-as devagar, bem devagar.

Então trocou a minha dor por alegria, deu-me um coração cheio de graça, de perdão, de misericórdia e de amor. Ele encheu-me de tanto amor. E foi o amor que, dia após dia, me foi ensinando e mostrando a realidade como ela é. E Deus mostrou-me a mãe que gostarias de ter sido, mas que a vida não te permitiu ser. E fui entendendo que a minha luta não era contra ti. A Bíblia ensinou-me que não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se vêem (Efésios 6:11). Tu querias, mas não conseguias. 

Friday, February 12, 2016

SALVOS DA DESTRUIÇÃO: A HISTÓRIA DE LÓ


Podem não acreditar, mas tenho este texto (ou as notas, pelo menos) há cerca de um ano na minha agenda! Tinha na ideia fazer um vídeo, mas é hoje, amanhã e depois e nunca mais, portanto, vai virar texto de uma vez por todas! By the way, fica o desafio, há alguma coisa que andas a deixar para amanhã? Esquece o amanhã, vai lá e faz já hoje! O tempo é este! (:

A história sobre a qual me vou debruçar hoje é sobejamente conhecida. Em Génesis 19 lemos sobre a família de Ló, sobrinho de Abraão, e sobre a cidade onde este vivia - Sodoma. Diz-nos o texto que o pecado se teria agravado muito (Gn 18:20) em Sodoma e Gomorra e que, por esse motivo, Deus teria decidido destruir ambas as cidades. No capítulo 18 vemos Deus a contar a Abraão a sua decisão e este último a tentar demover o Senhor, pedindo-lhe que poupe os justos que encontrar.

Acho amoroso como o texto bíblico nos conta que Deus se questiona se deverá contar ou não a Abraão o seu intento. Não me parece que aquilo esteja ali por acaso. Deus sabia perfeitamente que Ló era sobrinho de Abraão e que ele vivia nas terras de Sodoma. Tão cuidadoso é este Pai... Ele sempre se revela aos Seus filhos, protegendo-os mesmo nos momentos mais difíceis. Ele amava Abraão e por isso promete-lhe não destruir a cidade por amor a 10 justos, se ali os encontrasse. Extraordinário isto...

Infelizmente, Sodoma e Gomorra estavam extremamente corrompidas pela prática do pecado, pelo que a sua destruição foi inevitável. Mas... Deus não se esqueceu de Abraão.

(Só um parêntesis aqui, acredito piamente que Deus só destruiu as cidades porque não encontrou 10 justos ali. Tenho para mim que se 10 justos houvesse, Ele não a teria destruído. Fiquem-se com esta, Deus sempre cumpre a Sua palavra!)

E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas). 2 Pedro 2:7,8

No verso 19 diz que "Deus se lembrou de Abraão e tirou a Ló do meio da destruição". Acho isto lindo. Deus fez como disse que faria, porque Ele é fiel para cumprir o que prometeu! Ele procurou pelos justos, conforme prometera a Abraão. E encontrou um. Encontrou Ló. E salvou-o, não só a ele, mas à sua família! Este Deus é ou não é maravilhoso?

Ainda hoje é assim. Ele procura os que O temem e os que procuram agradá-Lo e Ele os livra! Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias (Sl 34:17). E se isto fosse uma pregação eu estaria a gritar aleluia!! (:

Que Deus é lindo já nós sabemos, mas o que quero fazer hoje é reunir aqui, em alguns pontos, o que é é que eu aprendo com Ló e a sua história:


1. Deus dá-nos sempre uma segunda oportunidade! Aceita-a sem questionar. 

Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; Génesis 19:12 

Deus concedeu a Ló e aos seus uma oportunidade de fugir ao pecado daquela cidade e hoje podemos trazer isto para as nossas próprias vidas. Jesus morreu para que hoje possamos escolher sair de uma vida de pecado, de morte espiritual, para uma nova vida em Cristo Jesus. Uma vida abundante em justiça, paz e alegria ainda nesta terra e uma Vida Eterna após esta.

A escolha que está nas nossas mãos hoje é semelhante: Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, (Deuteronómio 30:15, 19)

A Bíblia não diz, mas aposto que Ló se sentiu muito especial. Não há como não se sentir, afinal ele estava a ser poupado no meio de sei lá quantos! Deus escolheu salvá-lo. E Ele escolheu salvar-nos a nós. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sinto-me muito especial.

Confesso que, às vezes, nos meus devaneios penso que Deus devia fazer como fez com Sodoma e  Gomorra e destruir isto tudo. Sinto que o mundo está tão perdido que se calhar valia mais desaparecer tudo. Mas Deus não é homem. Ele é Deus e ama a humanidade... só não ama o seu pecado. Mas Ele ama-nos. Ele é Senhor dos Céus e da Terra e escolheu amar-me, a mim, a ti... Escolheu salvar-nos e dar-nos vida eterna. Quão incrível é isto?

No caso de Ló Deus mandou os anjos e deu-lhes ordem que o salvassem, mas connosco foi diferente. Ele olhou para nós e disse a Jesus "vai lá abaixo e morre por eles, eu quero tê-los de volta". Ninguém morreu por Ló e ainda assim ele não pensou duas vezes em aceitar a oportunidade que lhe foi dada. Jesus resgatou-nos das mãos do diabo e deu-nos uma segunda oportunidade. E nós o que fazemos muitas vezes? Levamos a coisa a brincar. Alguns rejeitam-No mesmo... Mas ninguém muda o facto de que Ele veio para nós e para todos quantos O quiserem receber!

Pergunto-te eu hoje: aceitaste tu esta oportunidade? E se tu já tens a salvação, como os anjos perguntaram a Ló, tens mais alguém aqui? Quem queres tu que Ele salve? Vai e tira-os fora desse lugar onde eles estão...

Thursday, January 21, 2016

É TEMPO... DE FRUTIFICAR!


O ano já começou há quase um mês e eu ainda não consegui escrever-vos. Já perdi a conta às vezes que tentei acabar este texto. Tenho tentado, juro, mas entre trabalho, semana das Primícias na igreja, dores de cabeça (grrr), fisioterapia (um problemita nas costas, mas nada de grave, não se preocupem) e outros compromissos, não tenho mesmo conseguido. Ando numa luta com o tempo e com as rotinas e sinto que, por mais que corra, nunca é suficiente para fazer tudo o que quero. Serei a única com esta sensação? Não sei se sou eu que sou desorganizada ou se simplesmente estou a colocar as minhas expectativas demasiado lá em cima, mas tenho fé de que hei-de chegar lá! Tenho um ano inteirinho pela frente... :) E por falar nisso, um feliz ano gente maravilhosa!

O meu 2015 não teve o desfecho que eu queria e, tenho de confessar, isso abalou-me. Chorei no último dia do ano "velho" e fiquei bastante vulnerável no início deste ano "novo". Pena que nós humanos não temos aqueles botões de "reset" em que podemos carregar no dia 1. Nós humanos precisamos de lidar com a frustração que ficou do ano "velho" no ano novo. É que apesar de dois tempos totalmente diferentes (espiritualmente falando), a verdade é que aquilo que os separa, fisicamente falando, é apenas um dia, umas horas. E quando estamos com o coração aos saltos (não necessariamente de alegria) e temos de por um sorriso na cara e fazer-nos de fortes para celebrar a meia-noite, não é fácil, porque não temos tempo de digerir tudo, não temos tempo para fazer enterrar o ano "velho" e fazer o "luto". Ou até é, por instantes, se pensarmos nas coisas boas que temos a agradecer e se colocarmos a nossa fé no novo que podemos vir a alcançar. Foi o que eu fiz. 

Mas depois do baile no castelo, a Cinderela voltou para casa e só tinha um sapatinho. E, de repente, já era um novo dia, novo ano, mas o sapatinho da noite anterior ainda permanecia. Quantas "Cinderelas" temos por aí? Aposto que não sou a única... Quantos de nós perderam um sapatinho em 2015 e entraram a coxear em 2016? E entendam, não estou a falar de pecado, nem nada disso. Estou a falar de sonhos. Quantos sonhos tens tu almejado e que parece que nunca mais chegam? Desejaste-o/s no ano que passou e no anterior, e no anterior a esse e sabe-se lá há quantos anos andas a sonhar com ele, e a tua fé leva-te até ao último dia do ano, todas as vezes, apenas para seres confrontado com a realidade - ainda não é o tempo. 

É duro isto. Eu sei, acreditem. E olhem que eu sou uma mulher de fé! Mas a fé não invalida a tristeza e o choro e o desejo de que a vontade de Deus fosse diferente, ou melhor, fosse igual à nossa... Jesus também chorou. Muitas vezes quando oro digo a Deus que gostava que a vontade Dele fosse igual à minha, mas como sei que nem sempre isso é possível, peço-Lhe que faça a Dele, mesmo que me custe. E peço-Lhe outra coisa, que me ajude a suportar a dor da espera e a aprender com tudo o que Ele me dá. 

Então, este texto não era para ser isto, mas é preciso que todos nós aceitemos que não faz mal ser humano e talvez alguém que me vai ler precise de "ouvir" isto. Não faz mal. Vai ficar tudo bem. Não vou ser hipócrita e dizer que 2015 terminou maravilhosamente bem e que 2016 começou melhor ainda. Não foi assim. Muitas vezes não é. E provavelmente não é só comigo. 2015 não acabou como eu queria, mas acabou como Deus queria e isso basta-me. Chorei, mas entreguei-Lhe tudo, como fiz no resto do ano. É aqui que reside a diferença. Seja como eu quero ou não, Deus é fiel e continua a ser digno da minha adoração e da minha gratidão. Ele sabe mais e Ele tem o melhor para mim! E para ti. 

2016, sendo um dia depois do fim que eu não queria, não foi, obviamente, o início que eu esperava. Eu preciso de tempo. Nós precisamos. De tempo para encaixar, para pensar, para ultrapassar. Há um tempo para todas as coisas e Deus não se ofende com isso. Ele conhece o nosso coração e Ele, melhor do que ninguém, entende o turbilhão de emoções que vivemos. Ele só deseja que as vivamos com Ele, perto Dele. Porque Ele pode ajudar. O Consolador habita em nós. O Espírito Santo tem o bálsamo de que precisamos.

Apesar de tudo o que descrevi atrás, no entanto, tenho de admitir que 2015 foi um ano de muito crescimento. Aliás, se eu tivesse de escolher uma palavra para definir 2015 seria essa mesmo - crescimento. E ninguém cresce sem dores. As tristezas, as perdas, as frustrações fazem parte da vida e são elas que nos ensinam quem somos. Elas trazem ao de cima o melhor e o pior de nós. Mostram-nos as nossas fraquezas e revelam a força do nosso carácter e da nossa fé.

Mas 2016 vai ser melhor. Se nós permanecermos Naquele que nos fortalece. E alguns podem dizer "ah mas disseste que 2015 não acabou como querias, como sabes se não acontece o mesmo em 2016?". A verdade é que não sei, apenas posso acreditar, ter fé de que não será assim. Mas, ainda que fosse, eu estaria novamente aqui a escrever-vos que Deus é digno do nosso louvor e da nossa confiança, porque o meu coração está Nele e não no que Ele me dá, ainda que às vezes possa ficar triste quando Ele escolhe não dar. É preciso que tenhamos isto bem esclarecido dentro de nós.

E, da mesma forma, é importante lembrar que um sonho não realizado (ou mais) não pode determinar o teu sentimento em relação a todo um ano. Mesmo que o fim não seja o que desejas, ou colocando a coisa de outra forma, mesmo que no fim da corrida não chegues em primeiro lugar, não podes esquecer tudo o que aprendeste e recebeste até aquele momento. Isto sim é determinante. A tua atitude. Podes chorar, babar, mas é preciso ser grato por tudo. Até pelas derrotas, ou melhor dizendo, especialmente pelas derrotas. É que ganhar é fácil, mas é na derrota que se vêem os verdadeiros campeões. 

Mas estava eu a dizer que 2016 será muito melhor, porque eu quero também ser muito melhor. Estão comigo? Se estão, quero declarar na vissa vida uma palavra que creio que Deus trouxe para a minha vida e que já partilhei no Facebook no início do ano.

E te farei frutificar grandissimamente... Génesis 17:6


Wednesday, November 11, 2015

MUDANÇAS


Perdoem-me não conseguir escrever mais vezes aqui, o tempo é curto para tanta coisa, mas tenho novidades a caminho e, em breve, terei uma nova "rúbrica" (chamemos-lhe assim) para vocês aqui no blog! Ah, e em breve também poderão ouvir alguns pensamentos meus na Rádio NAIC, que podem ouvir aqui: www.naic.pt/radio. Assim que estiver no ar, prometo que aviso! Como vêem, tenho andado ocupada :) Enquanto não estou por aqui, podem acompanhar-me diariamente na página oficial d'o pro[fé]ta no Facebook, aqui

Bom, mas contadas as novidades, hoje gostava vos falar de plantas. Para quem não sabe, eu adoro plantas e tenho uma pequena varanda onde vou vendo crescer algumas espécies. Uma das plantas mais antigas que tenho foi-me oferecida pela avó do meu marido e já a tenho desde que casámos. Sempre esteve dentro de casa, mas quando mudámos para esta casa nova, fiquei super feliz por poder exibi-la na minha varanda aberta (é um planta que era de exterior originalmente).  

Acontece que desde que mudámos, há já mais de um ano, a planta não crescia e aquilo aborrecia-me. Sei que as plantas, aliás, tal como nós, precisam de tempo para se adaptar a um novo ambiente, mas um ano? Parecia-me demais. Pensei que fosse necessidade de poda, podei-a, nada. Pensei que precisasse de mais água, regava-a, nada. Também não era falta de adubo... o que poderia ser? 

Às vezes também é assim connosco, não é? Muitas vezes achamos que estamos no lugar certo, mas a nossa vida não muda. Nada floresce, nada brilha, nada acontece. E o que parece até começar a acontecer, rapidamente morre. Tentamos de tudo e nada. Não percebemos porque é que a nossa vida não anda para a frente. O certo é que não anda. 

Certo dia estou eu de férias e entro num horto. A vendedora, muito simpática, sugeriu-me resguardar a planta, colocando-a num sítio mais protegido. E assim fiz. Mantive-a lá fora, mas num local mais abrigado e não queria acreditar! Nem uma semana se passou e aquela planta parecia que tinha nascido de novo. De repente, tudo mudou. Porque eu a mudei de sítio!? É que vocês não estão bem a entender, eu coloquei-a a apenas uns centímetros de distância, mas fez toda a diferença, porque ali ela estava mais protegida pelas plantas do lado. 

E, de repente, aquelas folhas que cresciam tímidas e logo ficavam sem cor, secavam e caíam, tornaram-se viçosas, verdes, brilhantes, enormes e lindas. A planta começou a ficar frondosa e cheia de vida. Inacreditável. 

Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia;

E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. Mateus 7:24-27

"Aquele que escuta as minhas palavras e as pratica". Isto é tão grande... engloba taaanta coisa, meu Deus! Será que estamos nesse lugar? Será que podemos ser comparados ao homem que firmou a sua casa na rocha? Ou será que temos negociado pequenas coisas, que parecem tão insignificantes, mas que nos têm afastado do centro da vontade de Deus? 

Parecia-me tão inócuo deixar aquela planta ali. Ao início parecia estar tudo perfeito. Depois pensei que fosse normal. Talvez pareça também que está tudo bem na tua vida, ou talvez aches que é normal o que se está a passar... E deixem-me fazer aqui um parêntesis. Realmente às vezes há tempos na nossa vida em que nada acontece e é normal, são estações, tempos que vêm e vão, mas que vêm para crescimento, com um propósito. Não é disso que estou a falar aqui hoje. 

Monday, October 19, 2015

A TEMPESTADE


Ontem um texto começou a desenhar-se na minha mente. Agarrei na Bíblia e fui ler o livro de Jonas. Ainda mal tinha começado e puff, Deus troca-me as voltas! Este Deus é tão incrível, nunca me canso de o dizer. Nem sei se ainda irei escrever sobre o que tinha pensado originalmente, ou não, mas hoje trago-vos algo que achei delicioso e que é, decididamente, muito sério e da parte do Pai para muitos de nós.  

Jonas, porém, ficou com medo e preferiu fugir do Senhor. Foi até ao mar, ao porto e Jope, onde descobriu um navio que ia para Társis. Comprou a sua passagem, embarcou e desceu para o escuro porão do navio, para se esconder do Senhor. 
Mas, durante a viagem, de repente, o senhor mandou um vento terrível que agitou o mar e formou uma grande tempestade. Tão grande que o navio estava quase a partir-se ao meio. Jonas 1:3,4

Comecemos então pelo princípio. Jonas recebe uma ordem de Deus e, em vez de obedecer, foge com o rabinho entre as pernas. Apanha um navio para Társis e esconde-se do Senhor (como se isso fosse possível). O problema é que, já diz a expressão, "you can run, but you cannot hide"... e, como é  óbvio, Deus, que não achou graça nenhuma à atitude imatura do profeta, não vai de modos e agita o mar de tal forma, que se formou uma grande tempestade. E pronto, está o caldo entornado.

Para os que já me conhecem, já estão mesmo a ver que isto não vai ser o que parece. (: Mas venham comigo, prometo que vai valer a pena. 

Vamos imaginar, por momentos, que este navio é a tua vida. Estás tu a caminho das promessas que Deus te deu, a caminho de um sonho qualquer e, "de repente", durante a viagem, começa "uma grande tempestade". Isto é tremendo. Quero que entendas a profundidade do que Deus nos está a revelar. 

É de repente. Aqueles marinheiros não estavam à espera. O mar devia estar calmo... E talvez tenha acontecido o mesmo contigo. Tudo parecia bem e, de repente, levantou-se tudo contra ti. De repente, os ventos levantaram-se e tudo desabou. Talvez tenhas ficado desempregado, ou o carro avariou, os filhos adoeceram,  a casa foi penhorada, foi-te diagnosticada uma doença grave, o teu ministério desmoronou, a tua casa está o caos... não faço ideia qual seja a tua tempestade, mas uma coisa é certa, o desespero tomou conta do teu coração. O medo da morte está aí, bem perto. 

Com muito medo de morrer, os marinheiros, desesperados, gritavam pedindo ajuda aos seus deuses. Para o navio ficar mais leve, começaram a jogar a carga ao mar. Enquanto tudo isso acontecia, Jonas dormia tranquilamente no porão. Jonas 1:5

O ser humano é muito previsível. Quando estamos muito mal, com medo de morrer, medidas drásticas impõem-se. Acho interessante a reacção dos nossos amigos marinheiros. Diz que ele gritavam a pedir ajuda aos seus deuses... A quem é que tu tens pedido ajuda? Será que na tempestade tu clamas ao Deus que pode todas as coisas, ou será que te voltas para os amigos? Para a família? Quem sabe, talvez o teu problema seja falta de dinheiro, e a tua reacção foi procurar mais trabalhos, para sustentares a família. Ou será que o teu apoio é o teu namorado/marido/mulher? 

Quando a tempestade chega ao teu navio, por quem gritas tu? Será que clamas por Deus, ou será que gritas, em pânico, por ajuda aos teus "deuses"?

Friday, September 11, 2015

REFUGIADOS - O QUE PENSA DEUS?


É quase vergonhoso dizer isto, mas estou a tentar escrever este texto há provavelmente mais de uma semana. Ok, não é muito diferente do que já aconteceu com outros, mas este é mesmo sensível (o tema, não o texto, bom, talvez ambos). Certo é que os refugiados estão a dar que falar (e que partilhar) e se antes não sentia necessidade de escrever sobre isso só porque todos escreviam (também porque nem sabia bem se ia acrescentar alguma coisa), a verdade é que agora sinto que tenho quase a obrigação de o fazer. E digo obrigação, não porque tenho de ir na onda da malta e porque é moda agora opinar sobre a coisa, mas porque sou cristã, seguidora de Cristo, entenda-se, e com um blog chamado "o pro(fé)ta". Por esse motivo tenho, mais do que o direito, o dever, de partilhar convosco, não a minha opinião, mas a de Deus, a respeito de tudo isto. Foi a Sua vontade que procurei nas Escrituras, porque é por ela que me quero deixar guiar. Se é assim noutros temas do quotidiano, neste não poderia ser diferente. Em boa verdade, estaria a ser hipócrita se fosse de outra forma.

E por falar em hipocrisia, começo já por dizer que estaria a mentir se não admitisse que tenho mixed feelings quando penso nesta crise de refugiados. São "mixed" porque, se por um lado, penso nas pessoas a sofrer e me encho de compaixão, por outro penso "e se com os bons vierem uns doidos que vão tirar a nossa paz"?

Portanto, antes que tirem conclusões precipitadas, não, eu não sou uma totó ingénua que se esconde em Deus e acha que isto é tudo peace&love e está tudo bem. Não, eu não sou nenhuma totó, eu sou apenas uma pessoa, como vocês, e tenho dúvidas sim, questionamentos sim, e medos também às vezes, sim. Mas a minha fé em Deus e o meu relacionamento com Ele permite-me ter outras coisas, outras coisas que me levam a não ver como o mundo vê. Não porque eu seja especial, convém explicar, mas porque Ele é! E porque Ele vê a coisa de uma maneira diferente de todos, eu também vejo, porque Ele empresta-me os Seus olhos e o Seu coração.

Por causa Dele, quando algum dos sentimentos que referi anteriormente me assolam, eu tenho uma uma certeza: Ele está no controlo. Ele está. E Ele É. E isso basta-me.

É estranho, eu sei. E é de loucos, eu também sei. Mas é assim mesmo. É que Deus é a minha cena, percebem? E isso significa Amor, com "A" maiúsculo e grande. E isso significa Paz "que excede todo o entendimento" (que é, como quem diz, eu tenho paz mesmo no meio da guerra, por assim dizer e a malta acha que eu sou doida). E isso significa ser doido para uns, mas para mim significa confiar em quem sabe mais. Significa, portanto, ser sábia e inteligente (não querendo com isto ofender quem não pensa como eu, não me interpretem mal). (:

Mas continuando, eu sou aquela que só não ajuda se não puder e que se preocupa realmente com as pessoas que estão a fugir de uma guerra, da mesma forma que se preocupa com amigos desempregados e/ou em dificuldades ou desconhecidos que não têm o que comer. Que fique claro, desde já, que para mim são todos pessoas, independentemente da sua língua, cor, credo ou cultura. 

Mas sou humana, como dizia há pouco, e por isso sim, às vezes sou também aquela que receia pela paz de um país que está numa situação limite, como é o caso de Portugal. Sou aquela que teme pelo caos que se pode instaurar quando um país que tem tido dificuldade em gerir o seu próprio povo, recebe refugiados de uma cultura e religião totalmente diferente, senão mesmo oposta à sua. Sou aquela que fica de coração apertado porque teme que algumas pessoas mal intencionadas e instigadas por radicalismos religiosos, coloquem em causa a minha/nossa liberdade. 


Monday, August 17, 2015

REFÚGIO


Ó minha Fortaleza, em ti espero! Tu, ó Deus, és o meu supremo refúgio. Salmos 59:9

Ao longo da minha caminhada tenho aprendido e crescido (graças a Ele) e tenho tido oportunidade de, em vários momentos, (re)conhecer algumas das características de Deus. Pude (e posso) viver e experimentar o Deus que é Pai, que é amigo, conselheiro, professor... pude conhecer o Deus fiel, o Deus que abraça e ama, o Deus provedor, o Deus que protege, o Deus que cura e liberta, o Deus que surpreende, enfim... mas há algo que tem vindo ao meu coração ultimamente e que, eu creio, é fundamental para vivermos um cristianismo real e profundo: conhecer Deus enquanto "Refúgio".

Confesso que me tem sido difícil encontrar o caminho desta mensagem e por isso ela já teve vários "rascunhos". Escrevo, apago. Escrevo, apago. E pergunto-me porque é que será tão difícil escrever sobre algo tão simples. Talvez seja tão simples que não precisasse que alguém o descreva?... Não sei, mas certo é que a Bíblia utiliza esta expressão muitas vezes (muitas mesmas, confirmem na vossa concordância), por isso certamente é importante dizê-lo, escrevê-lo, enfim, falar sobre o tema e relembrá-lo.

Talvez Deus saiba que há alguém por aí que precisa de ser relembrado de que Ele é um refúgio presente na aflição. Talvez tu que me estás a ler hoje precises de um refúgio e o estejas a procurar no lugar errado... não sei o motivo de escrever sobre isto, mas uma coisa eu sei, "falar" daquilo que Deus é, nunca é perda de tempo. E a Sua Palavra nunca volta vazia, portanto, que esta Verdade imutável e incontornável te encha da Paz que excede todo o entendimento, te console e te dirija, em todos os teus caminhos.

Comecemos pelo princípio (ish, já escreveste tanto e ainda só vais no princípio...medo!).  O dicionário descreve a palavra refúgio como um "lugar considerado seguro para nele algo ou alguém se refugiar" e, no sentido figurado, como uma "pessoa, coisa ou ideia que protege ou ampara".

Não se iludam, essa história do "eu não preciso de ninguém" só existe na ficção, porque na vida real isso é uma grande treta! Todos nós precisamos de um refúgio, de alguém/algo para o qual correr em algum momento das nossas vidas. Os oprimidos, pessoas atormentadas por algo. Os fugitivos (e não me refiro apenas aos que cometeram um crime, mas também aos que fogem de algumas emoções ou de algumas situações com as quais não se querem confrontar); os depressivos; os que se sentem culpados; os desesperados; os angustiados; os tristes; os perdidos (= sem direcção); os perseguidos; os cansados; os que sofrem; os que procuram uma vida diferente... Todos, sem excepção. 

Thursday, April 23, 2015

O ELIXIR DA VIDA


Não planeei escrever este texto, como aliás não planeio a maioria deles, mas ao fazer hoje um post na página d'O Pro(fé)ta no Facebook sobre o Dia Mundial do Livro (by the way, sabiam que a Bíblia lidera a lista dos 10 livros mais vendidos no Planeta há cinco décadas?), lembrei-me de uma reflexão que fiz há uns dias sobre as palavras de Jesus que lemos em João 8:32 e achei que fazia sentido partilhá-la convosco, especialmente neste dia. 

Se permanecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos. E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” João 8:32
É curioso, esta semana estava a ver uma série de que gosto imenso e uma das personagens dizia para outra: "You have no idea how powerful the truth can be" (não imaginas quão poderosa pode ser a verdade". E realmente é mesmo assim, há qualquer coisa de extremamente poderoso na verdade. A verdade liberta! Por mais dura que às vezes ela possa ser (e às vezes é), quando ela é assumida, ela tem o poder de libertar. Quem a diz e quem a recebe!  

E a verdade liberta talvez porque o oposto da verdade é a mentira e a mentira acarreta necessariamente um fardo demasiado pesado de carregar. Assim, quando nos vemos livre dele, é compreensível que nos sintamos mais leves, capazes de finalmente respirar fundo, livres.

Jesus disse que conhecer a verdade nos libertaria. Qual verdade? A Sua Palavra. A santa e eterna Palavra de Deus, a Bíblia.
A tua palavra é a verdade, desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre. Salmos 119:160 
(...) a tua palavra é a verdade. João 17:17b

A Palavra de Deus é a verdade. E a Verdade é Jesus. 

Tuesday, April 14, 2015

UMA NOVA HISTÓRIA


Por estes dias acordei a cantar uma música (podem ver o vídeo abaixo)... Cantei uma e outra vez e a música não me saía da cabeça... foi assim o dia inteiro. À noite aconteceu algo que me deixou triste e a música voltou a ecoar na minha mente..."sai da tua tenda filho meu...uma nova história Deus tem para mim...". Coloquei a música a tocar no youtube e ouvi-a novamente. Troquei umas palavras com Deus e abri a Bíblia em Génesis 15. Já tinha lido esta passagem várias vezes e até já ouvi pregações sobre o tema, mas naquele momento tudo aquilo me disse tanto... 

Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!” 
Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Tu não me concedeste descendência, e por esse motivo um dos meus servos, nascido na minha casa, será o meu herdeiro!” Génesis 15:1-3

No capítulo 14 de Génesis, Abrão (Deus aqui ainda não lhe tinha mudado o nome) descobre que o seu sobrinho Ló foi raptado numa guerra e convoca 318 homens para o ir salvar. Saem vitoriosos, Ló regressa a casa e percebemos na atitude de Abrão que ele é um homem de honra e com carácter. Glorifica a Deus, entrega o seu dízimo e não fica com nada do que não é seu. 

Ler isto depois de já ter lido o capítulo 15 fez-me refletir sobre as emoções de Abrão e sobre quem era realmente este homem que hoje conhecemos como o Pai da Fé. E refletir sobre o tema levou-me a perceber em Abrão um homem, com sonhos e frustrações, como todos nós. Um homem casado com uma mulher que ele amava profundamente, mas que não lhe podia dar filhos porque era estéril. Um homem que era tio e que provavelmente via no sobrinho orfão a única oportunidade de ser um pouco pai. Um homem que procurava ser fiel a Deus e fazer a coisa certa, mas que no fundo sentia um vazio por não ter descendência.

Até posso estar a viajar na maionese, mas eu gosto de ler nas entrelinhas. As nossas respostas podem dizer muito sobre o que sentimos e com Abrão não é diferente. Senão vejam... 

No início do capítulo 15 Deus fala com Abrão e diz-lhe: "Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!". Uau!Isto é o que eu chamo uma palavra de incentivo! Mas e o que é que Abrão lhe responde? "De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos?".

E com isto percebemos tudo. Abrão desejava ser pai e esse sentimento era mais real e mais profundo do que imaginamos. Ouvimos muitas pregações por aí sobre a esterilidade de Sara e  sobre a fé de Abrão quando entregou Isaque, mas acho que nunca ouvi ninguém falar sobre o desejo do coração de Abrão, um desejo tão forte, que não havia recompensa que lhe fosse suficiente. Ele não queria mais nada. Ele queria filhos, uma descendência. 

Monday, March 9, 2015

ASSIM TU ÉS. MULHER.

Ontem não tive oportunidade de escrever sobre o Dia da Mulher, mas não queria deixar a data em branco.

Não que as mulheres precisem de dias para serem tudo aquilo que são, mas a verdade é que às vezes todos nós, todos sem excepção, precisamos que alguém nos relembre quão importantes somos, verdade? É por esse motivo que vos escrevo hoje. 

Porque sei que muitas vezes não tens sido reconhecida devidamente, mulher. 
Porque muitas vezes tens chorado quando ninguém vê, mulher. 
Porque muitas vezes tens perdido horas de sono para fazeres o que mais ninguém faz, mulher. 
Porque muitas vezes és agredida na tua essência, mulher. 
Porque tantas vezes as tuas palavras sábias salvaram vidas, mulher. 
Porque os teus abraços, que deste quando tu eras quem mais deles precisava, levantaram outros e lhes deram força para continuar, mulher. 
Porque dás o melhor aos teus filhos, ficando tu com os restos, mulher. 
Porque lhes dás amor e carinho e te enches de paciência quando estás tão cansada, mulher. 
Porque fazes e dás, sem pedir nada em troca, mulher. 

Porque és especial e precisas que alguém to relembre. Porque nada do que fazes Lhe é oculto. Porque Ele vê o teu esforço e porque as tuas lágrimas, a seu tempo, se transformarão em belas e lindas flores.
Quão importante és tu. Mulher. 


Mulher virtuosa quem a achará? Provérbios 31:10

Wednesday, March 4, 2015

E ENCONTRARÁS DESCANSO...


"Oh tempo volta para trás...", dizia a música. Eu não queria que ele fizesse rewind, mas uma pausa de vez em quando era bem-vinda para me dar tempo para fazer tudo o que quero! Entre trabalho, família, casa, blog e otras cositas mas, parece que as horas me fogem pelos dedos. Oh vida corrida esta. :) 

E bom, assim sem saber ler nem escrever já tenho três textos novos nos rascunhos a precisar de ser acabados! E não sei como ainda consegui começar a escrever este sem acabar os outros... 'Tá bonito 'tá! Mas adiante. Terminada a introdução, vamos ao que interessa. 

Ontem à noite sentia-me especialmente cansada. Não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Nem sei bem porquê para ser honesta. Quer dizer, sei, a verdade é que elas não matam mas vão moendo, mas o que quero dizer é que não me sentia assim por nenhum motivo em especial (apesar de até ter vários que o poderiam provocar), apenas me sentia cansada, extenuada. Por alguns momentos fiquei ali, na casa de banho (já vos disse que a minha casa de banho é ungida? ehehe), a respirar e a deixar cair umas quantas lágrimas, nem sei bem porquê, mas que elas precisavam de cair, precisavam. E eu não as impedi. 

Orei. Nada de muito eloquente, mas bem sentido. Disse a Deus o que sentia. Ele trouxe-me à memória uma passagem perfeita. Gostei desta versão:

Vinde a mim todos os que estais cansados de carregar as suas pesadas cargas, e Eu vos darei descanso. Mateus 11:28

Hoje pus-me a reflectir nisto e achei que devia escrever algo sobre o tema. A vida é realmente corrida demais e parece-me que há-de haver por aí muita gente a sentir-se "cansada de carregar as suas pesadas cargas". Se és uma dessas pessoas quero dizer-te que Jesus prometeu dar-te descanso. E Jesus sempre cumpre as Suas promessas.  Ele promete aliviar as nossas cargas e dar descanso ao cansado e sobrecarregado. 

Mas, como em tudo na vida com Deus, é preciso fazermos a nossa parte, a primeira parte, na verdade. 

Jesus começa por dizer "vinde a mim" e continua "e eu vos aliviarei". Então, encontramos aqui uma condição. Ele promete dar descanso a todos aqueles que forem até Ele. 

E se continuarmos a ler, os versos 29 e 30 desvendam um pouco mais... 
Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve. Mateus 11:29-30
Irmos até Ele é o primeiro passo, mas não o único. Diz mais Jesus: "tomai sobre vós o meu jugo".
Pesquisando um pouco descobri que o "jugo" é uma peça feita de madeira, utilizada para unir dois bois, para que andem no mesmo compasso enquanto puxam um arado ou uma carroça. É também chamada de "canga" ou "junta de bois". ´