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Tuesday, September 5, 2017

DESTINO: DAMASCO OU JERUSALÉM?


Ontem de manhã estava a orar pelo Fireoste(*), a conferência de jovens da igreja onde congrego, que irá acontecer no fim de setembro, e o Espírito Santo levou-me a orar por transformação de dentro para fora e por um verdadeiro encontro com o Senhor, tal como aconteceu com Saulo de Tarso, que hoje conhecemos como Apóstolo Paulo. Ora, o tema da conferência, curiosamente, é  "Destino"  e Deus levou-me exatamente a compreender qual era o destino daquele homem e qual será o nosso, se não tivermos este encontro com Ele.

A presença de Deus é tão transformadora que tem o poder de mudar identidades, histórias e destinos.  Assim aconteceu com Saulo, um perseguidor de cristãos, que se torna Paulo depois de ter um encontro com Jesus a caminho de Damasco.

Enquanto orava tive uma convicção profunda de que Damasco era muito mais do que um destino físico e o Espírito conduziu-me numa pesquisa pela Palavra, que me surpreendeu. Deixo-vos as referências, mas ficaria muito extenso explicar cada uma, pelo que desafio-vos a ler depois para entenderem melhor.

Damasco é inimiga de Deus e de Israel (II Samuel 8:5),  um símbolo de ruína espiritual (Isaías 17:1); de morte e de traição (II Reis 8:7). símbolo de idolatria (II Reis 16:10); de maldade e violência (Amós 1:5);  e de perseguição (II Coríntios 11:32).  Mas Damasco é também símbolo de esterilidade  (Génesis 15:2) e de deserto (II Reis 19:15) e sobre estas últimas quero dizer algo.


Passados esses acontecimentos, o SENHOR falou a Abrão, por intermédio de uma visão: “Não temas, Abrão! Eu Sou o teu escudo; e grande será a tua recompensa!”Contudo, Abrão declarou: “Ó Todo-Poderoso SENHOR, meu Deus! De que valerá uma grande recompensa se continuo sem filhos? Eliézer de Damasco é quem vai herdar tudo o que tenho. Génesis 15:2

Abrão não tinha filhos porque Sarai, sua mulher, era estéril, e como era comum na época, o seu herdeiro seria Eliézer... de Damasco. É isso que Abrão quer dizer quando responde a Deus: "de que é que me serve a recompensa se não tenho um filho a quem a deixar?". Reparem que no momento em que isto acontece, Abrão ainda não é Abraão e Sarai ainda não é Sara, porque isso só pode acontecer depois de um encontro real com Ele. E sem esse encontro, o nosso destino é Damasco. Sem esse encontro Abrão e Sarai morreriam sem filhos, mas Deus marcou a vida deste casal de forma tão profunda, que mudou o seu destino, a sua identidade e a sua história. Abraão tornou-se o pai da fé e Sara mãe de nações. Geraram Isaac, o filho da Promessa e com ele gerações até ao nascimento de Jesus, o Messias.

Então o SENHOR Deus lhe orientou: “Vai, retorna por onde vieste para o deserto de Damasco.  I Reis 19:15

Deserto nesta passagem é midbar no hebraico, a mesma palavra utilizada em Isaías 51:3: Porque o Senhor consolará a Sião; consolará a todos os seus lugares assolados, e fará o seu deserto como o Eden e a sua solidão como o jardim do Senhor; gozo e alegria se acharão nela, ação de graças, e voz de cântico. Mais do que um deserto físico, Damasco é um deserto espiritual. Lugar inóspito, de difícil cultivo e de seca profunda, em oposição às águas vivas e terras férteis do Eden. A comparação em Isaías é interessante porque percebemos a oposição clara que há entre o deserto e o jardim de Deus. A oposição entre a solidão, tristeza, a falta de perdão, amargura de um e o gozo, alegria, ações de graças, favor, vida e cânticos de outro. 

O Eden é o nosso destino desde o princípio. Foi ali  que Deus colocou o Adão, Adam no hebraico, a humanidade e é ali, às origens de tudo que Ele nos quer conduzir. O pecado afasta-nos de Deus Pai e conduz-nos a Damasco, mas o sacrifício redentor de Jesus, o Cristo, leva-nos de volta para casa, para perto do Pai. 

(...), seguindo ele viagem e aproximando-se de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? Respondeu o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues; contudo, levanta-te e entra na cidade, pois lá alguém te revelará o que deves realizar. Atos 9: 3-6

E havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor o chamou em uma visão. (...) Vai, pois ele é para mim um instrumento escolhido, a fim de levar o meu Nome diante de gentios e seus reis, e perante o povo de Israel.Revelarei a ele tudo quanto lhe será necessário sofrer por causa do meu Nome. Atos 9:10; 15,16

Então, era este o destino de Saulo. Damasco. Era para este "lugar" que ele se dirigia, até que Jesus o interrompeu pelo caminho e mudou o seu destino e a sua história. O seu destino a partir daquele momento mudou. Deus revela-o a Ananias: levar o nome do Senhor perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel (At. 9:15). Isto é tremendo. Um perseguidor de cristãos cujo destino era provavelmente a ruína, o deserto e, certamente, a morte espiritual, agora vai ser pregador. Uau. É isto que Deus faz. Não só com Saulo, mas connosco hoje também. Não importa o que tu foste, importa o que tu podes ser, em Deus. 


Friday, December 30, 2016

GRATIDÃO



Gratidão. Por tudo e por nada. Pelo dia de hoje e pelo de ontem. Pelo que vivi. Pelo que sofri. Pelo que cresci. Pelo que dei e pelo que recebi. Pelo que pude fazer e pelo que não consegui alcançar. Gratidão é o que sinto neste último mês, nestes últimos dias do ano.


Há muito que não vos escrevo, por um lado por falta de tempo, por outro por falta de vontade e já sabem que eu não escrevo por obrigação, mas pelo coração. E foi o coração que me trouxe de volta, com a necessidade de partilhar convosco o que tem estado cá dentro nos últimos tempos e, em especial, para vos deixar com algo para pensar neste que é o fim de mais um ano.  

Tenho pensado muito nos últimos tempos, na minha vida, nos meus objetivos, no que aconteceu neste ano, no que alcancei, no que falhei e de repente dei por mim num lugar de crise. Crise porque sinto que o que alcancei não é suficiente, porque sinto que há mais de Deus para mim, e que eu consigo fazer melhor para Ele. Crise porque sinto o tempo a fugir-me das mãos e isso assusta-me. Crise porque vejo o mundo a discutir por aquilo que não tem qualquer valor. Crise por ver como tudo passa e como as pessoas perdem tempo (às vezes eu inclusive) com coisas que não interessam. Crise porque passamos a vida a correr e nem damos conta de que ela está a passar-nos ao lado. Crise porque me sinto pequena demais e muitas vezes insuficiente. Crise porque muitas vezes não consegui fazer o que queria ter feito...  

Mas sabem, a crise não tem de ser um lugar mau. Não quando temos Cristo. Porque Ele é o Caminho e com Ele sempre vamos ser capazes de nos dirigir para o lugar certo. Com Ele sempre seremos capazes de sair do lugar de crise para o lugar de criação. Porque na crise, cria-se! A crise conduz-nos a novas decisões, incentiva-nos a crescer, constrange-nos a transformar e a ser transformados. E é curioso que estes dias alguém dizia precisamente que a crise é um lugar necessário para o avivamento e para a transformação. E eu não podia concordar mais. É nesses momentos que damos o salto. É aí, na insatisfação e na incapacidade, que Deus entra com a Graça e nos leva a um novo lugar Nele. Mais alto. Mais perto. Muito mais perto Dele. 

Mas é preciso abraçá-la [à crise] e deixá-la fazer o seu papel em nós. Precisamos de aprender a abraçar a dor, o medo, a dúvida, o sofrimento, o desânimo, a frustração, em vez de tentarmos camuflá-los, ignorá-los ou atirá-los para trás das costas, como se não os vendo, não os sentíssemos. Custa, muito, mas aceitar aquilo que sentimos e pedir ajuda ao Pai para lidar com isso é a única forma de seguir em frente e passarmos para o próximo nível. Reconhecer o que nos vai na alma é o primeiro passo para aceitar e, assim, ultrapassar qualquer coisa. 

As provas revelam o amor do Pai. Este é o título que podemos ler no capítulo 12 do livro de Hebreus antes do verso que transcrevo abaixo. E eu não diria melhor. Realmente, as lutas e as dores revelam o amor deste Deus que enviou o Seu filho Jesus para nos salvar de uma vida sem sentido e de uma eternidade escura e fria. Que nos enviou o filho do Seu amor para nos trazer de volta ao princípio de tudo, quando Ele nos criou com um amor perfeito e profundo, à Sua imagem e semelhança. O Criador, o Autor da vida, queria a Sua criação de volta, mas desta vez decidiu dar-lhe muito mais do que apenas o sopro da vida, deu-nos o poder de sermos chamados Filhos de Deus. E por causa disso hoje não somos mais órfãos, mas filhos, se somente crermos em Jesus e no Seu sacrifício. Aleluia, bendito seja o nome do Senhor por isto!

Meu filho, não desprezeis a disciplina do Senhor, nem desanimeis quando por Ele sois repreendido, pois o Senhor disciplina a quem ama, e educa todo aquele a quem recebe como filho. Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina; Deus vos trata como filhos. Hebreus 12:5-7

Já li esta passagem algumas vezes, mas só hoje a entendi. Sempre me foquei na parte da "disciplina"e a interpretei como a correção por algo de errado que fizemos, mas estava tão enganada... não é nada disso. Sim, é verdade que um pai corrige quando fazemos algo de errado, e isso também se aplica a Deus Pai, mas não é a isso (apenas) que o autor se refere. O que na verdade aqui diz é para entendermos a dificuldades, os sofrimentos, como uma forma de educação. Tudo o que vivemos que nos faz sofrer é usado por Deus para nos educar. Às vezes nem fizemos nada de errado para merecer certa situação (como já ouvi alguns dizer), mas isso faz parte da nossa educação espiritual, chamemos-lhe assim. É o processo que o Pai usa para nos dar grandes lições, sobre o Seu amor, a Sua paz, a Sua graça, fidelidade, poder, soberania... 

Suportai as dificuldades, aceitando-as como disciplina. Deus está-nos a educar. A ensinar-nos a ser fortes, a amar mais, a ter mais compaixão, a ver o lado bom das coisas, a ser mais pacientes, a saber esperar, a ter domínio próprio, a ser humildes, mansos, a saber servir o próximo, a saber dar, e a saber receber... Sim, Deus está-nos a ensinar porque Ele é um Pai que nos trata como filhos. E um pai que se preze quer o melhor para os seus filhos. Assim é Deus. 


Wednesday, June 1, 2016

O CONVITE


Hoje apeteceu-me ler a Bíblia de maneira diferente e resolvi ligar a versão em áudio da Bíblia Online. Por incrível que pareça nunca tinha experimentado e até gostei, acho que me ajudou a concentrar (fica aqui a dica para quem não é muito amigo de ler. Vão a este site, escolham o que querem e é só clicar em "ouvi").
Ouvi (e acompanhei a leitura ao mesmo tempo) o capítulo 4 de Marcos e, por fim, detive-me numa frase. Transcrevi abaixo o versículo completo, mas o que me chamou mesmo a atenção foi o que escrevi a negrito. 

E, passando mais adiante, viu outros dois irmãos - Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João, no barco com seu pai Zebedeu, consertando as redes; e os chamou. Estes, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram- no. Mateus 4:21,22

Esta passagem conta-nos basicamente o momento em que, depois de ter chamado Simão Pedro e André, Jesus dá de caras com os filhos de Zebedeu, Tiago e João, e os chama. Não sei quanto a vocês, mas eu cá fiquei a tentar imaginar a cena. Comecei a imaginar Jesus a dar início ao Seu ministério e a passar pelas pessoas e a chamá-las. Como é que terá sido? Será que Ele chegava e pimbas ala-que-se-faz-tarde-anda-lá-comigo-curar-pessoas? É que quando lemos parece que é tudo muito rápido, mas eu cá acho que não foi bem assim (se calhar estou a cometer uma heresia qualquer, mas vá...deixem-me).
Cá com os meus botões eu imaginei que Jesus chegou e meteu conversa com eles. Pronto. Deve-se ter apresentado, perguntado o nome deles, quiçá perguntado se precisavam de ajuda para arranjar as redes... e conversa puxa conversa, os jovens devem ter começado a conversar sobre a vidinha e os seus sonhos e tal, digo eu! E Jesus, que não era um qualquer, com certeza disse-lhes coisas que lhes devem ter arregalados os olhos. Sei lá, qualquer coisa como "eu tenho uma missão, salvar o mundo, e preciso de ajuda" (Jesus devia ser um homem muito inspirador). Claro que eles não foram parvos, quando Jesus os convidou a seguir viagem com Ele, disseram logo que sim! Ora vamos lá ver na balança (se me estivessem a ver agora era mais fácil) ser pescador ou salvar o mundo? Salvar o mundo ou ser pescador?... A escolha deles a gente já sabe. 

[Pronto, se calhar não foi nada assim, mas na minha cabeça faz muito mais sentido. Deixem-me ser feliz ehe]

Deus chamou-nos. A cada um de nós, para O conhecermos e caminharmos com Ele. Ele convidou-nos a fazer parte de um Reino Eterno. Não são homens que te chamam, não é o teu vizinho, o teu amigo, a tua mulher, o pastor x ou y, não, é Deus, o Criador, o Autor e Consumador da nossa fé, é Ele quem chama a cada um pessoalmente. 

E este "chamou-os" que lemos no verso 21 vem do grego ekalesen, que significa chamar, convocar, convidar. Jesus não chegou e simplesmente gritou o nome deles como quando estamos na rua e passamos por alguém "oh manel!". Nada disso. Jesus fez-lhes um convite, que eles prontamente aceitaram. 

Tiago e João eram pessoas comuns, bem como o eram alguns dos outros discípulos, eram pescadores, homens simples, humildes até. Mas Jesus convidou-os a segui-lo, a participarem com Ele de uma missão maior. 

Ele também nos faz esse convite ainda hoje. A ti e a mim, independentemente do nosso estado civil, da nossa religião, da nossa cor, da língua que falamos, da roupa que vestimos, do dinheiro que temos na conta... Não importa. Deus não faz acepção de pessoas. Ele enviou Jesus, Seu filho, para que todos nós pudéssemos ser convidados a fazer parte do Reino. Para que todos pudéssemos ser filhos de Deus e um dia vivermos com Ele na Eternidade. 

A Bíblia diz-nos que estes jovens deixaram imediatamente o barco e o pai, que foi outra das coisas que chamou a minha atenção. 


Friday, April 29, 2016

CARTA À MINHA MÃE



Mamã, acho que era assim que te chamava quando era mais pequenina e acho que tu gostavas. Talvez te fizesse sentir que eu seria a tua pequenina para sempre. Mas depois eu cresci. Cresci e as nossas vidas afastaram-se. Não fisicamente, mas emocionalmente. Continuavas a ser a minha mãe, mas eras difícil. Eu pelo menos achava. Achava que não me entendias e que não fazias ideia do que estavas a fazer, comigo. O meu coração fechou-se, pouco a pouco. Era a minha maneira de me tentar proteger da dor e, ao mesmo tempo, tentar guardar o amor em algum lado. Fechei-o de tal forma a sete chaves que tive dificuldade a encontrá-lo mais tarde. 

Culpei-te. Pelas minhas frustrações, pelos meus comportamentos, pelas minhas falhas, pelas minhas más respostas. Culpei-te pela vida que não tive e pelo que não fui. Porque tu devias ser a minha mãe, aquela super-heroína que faz tudo e salva todos. Mas não eras. Eu achava que não eras, porque sentia que me fazias sofrer. Fartei-me dos gritos, das discussões sem sentido, de me sentir rejeitada. Queria, por um momento, ser eu o centro. Queria, por um momento, ser eu mesma, descobrir quem era, sentir que existia como Diana e não só como filha de alguém. 

Mas um dia a minha vida mudou. Deus encontrou-me e pegou-me pela mão. Eu dei-lha sem medos. Precisava de um pai e de uma mãe. Achava que não tinha nenhum dos dois. Precisava de uma mãe que não me julgasse, que não me criticasse, que me ouvisse e que me pegasse ao colo. E Deus foi tudo isso. Foi o pai que nunca tive e foi a mãe que eu achava não ter. E Ele curou as minhas feridas. Mostrou-me cada uma delas e limpou-as devagar, bem devagar.

Então trocou a minha dor por alegria, deu-me um coração cheio de graça, de perdão, de misericórdia e de amor. Ele encheu-me de tanto amor. E foi o amor que, dia após dia, me foi ensinando e mostrando a realidade como ela é. E Deus mostrou-me a mãe que gostarias de ter sido, mas que a vida não te permitiu ser. E fui entendendo que a minha luta não era contra ti. A Bíblia ensinou-me que não é contra seres humanos que temos de combater, mas contra poderes e autoridades, que dominam este mundo de escuridão, e contra os espíritos do mal, que não se vêem (Efésios 6:11). Tu querias, mas não conseguias. 

Tuesday, April 12, 2016

(ADORAÇÃO) DE CORAÇÃO


É desta. É agora ou nunca! Pedi a minha hora de almoço emprestada ao estômago para escrever (finalmente!) este texto, senão nunca mais. Deus nos ajude a remir o tempo, porque parece que ele voa cada vez mais rápido (será só comigo?)!

Há uns tempos estava na igreja e sentia uma opressão, como se algo estivesse a impedir o mover de Deus naquele lugar. Comecei a orar e perguntei a Deus o que se passava. Dentro de mim ouvi o Espírito Santo: "este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim". Comecei a chorar. Fiquei triste, muito triste, porque queria mais, precisava de mais e sei que muitos dos que ali estavam também precisavam. Sei que Deus quer derramar mais, muito mais, mas também sei que nós somos o maior impedimento para que isso aconteça. Nós, seres humanos, nas nossas atitudes, nas nossas escolhas... 

Esta palavra está originalmente em Isaías, quando este profetizava para Ariel [Leão de Deus], um dos nomes de Jerusalém. Dizia o profeta:
Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído; Isaías 29:13

No Novo Testamento vemos novamente esta palavra ser referenciada, desta feita por Jesus, quando questionado por uns escribas e fariseus de Jerusalém a propósito de uma tradição que os discípulos não respeitariam:

Hipócritas, bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. Mateus 15:7-9

Deus é perito em fazer-nos focar no que realmente importa. E para Ele, o que importa é o amor. Ele, que é amor, que deu o Seu único filho por amor, que ama o pecador, que corrige com amor, não nos pede nada mais, senão o nosso amor. Em Provérbios 26:23 lemos de forma clara Deus dizer Filho meu, dá-me o teu coração, mas se dúvidas houvesse, o próprio Jesus ensina nos evangelhos: Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças, este é o primeiro mandamento. (Marcos 12:30)

Assim sendo, não é difícil perceber que Deus não se mova quando está perante uma adoração pela metade, feita apenas de liturgias, de hábitos ou, como o profeta Isaías descreveu, de "mandamentos de homens em que foi instruído". Ir à igreja ao domingo, levantar as mãos, cantar, abrir a Bíblia, ouvir a pregação, tomar a ceia, nada disso por si só faz de nós adoradores. E Jesus foi claro quando disse que o Pai procura os verdadeiros adoradores, que o adoram em espírito e em verdade (João 4:23). 

Friday, February 12, 2016

SALVOS DA DESTRUIÇÃO: A HISTÓRIA DE LÓ


Podem não acreditar, mas tenho este texto (ou as notas, pelo menos) há cerca de um ano na minha agenda! Tinha na ideia fazer um vídeo, mas é hoje, amanhã e depois e nunca mais, portanto, vai virar texto de uma vez por todas! By the way, fica o desafio, há alguma coisa que andas a deixar para amanhã? Esquece o amanhã, vai lá e faz já hoje! O tempo é este! (:

A história sobre a qual me vou debruçar hoje é sobejamente conhecida. Em Génesis 19 lemos sobre a família de Ló, sobrinho de Abraão, e sobre a cidade onde este vivia - Sodoma. Diz-nos o texto que o pecado se teria agravado muito (Gn 18:20) em Sodoma e Gomorra e que, por esse motivo, Deus teria decidido destruir ambas as cidades. No capítulo 18 vemos Deus a contar a Abraão a sua decisão e este último a tentar demover o Senhor, pedindo-lhe que poupe os justos que encontrar.

Acho amoroso como o texto bíblico nos conta que Deus se questiona se deverá contar ou não a Abraão o seu intento. Não me parece que aquilo esteja ali por acaso. Deus sabia perfeitamente que Ló era sobrinho de Abraão e que ele vivia nas terras de Sodoma. Tão cuidadoso é este Pai... Ele sempre se revela aos Seus filhos, protegendo-os mesmo nos momentos mais difíceis. Ele amava Abraão e por isso promete-lhe não destruir a cidade por amor a 10 justos, se ali os encontrasse. Extraordinário isto...

Infelizmente, Sodoma e Gomorra estavam extremamente corrompidas pela prática do pecado, pelo que a sua destruição foi inevitável. Mas... Deus não se esqueceu de Abraão.

(Só um parêntesis aqui, acredito piamente que Deus só destruiu as cidades porque não encontrou 10 justos ali. Tenho para mim que se 10 justos houvesse, Ele não a teria destruído. Fiquem-se com esta, Deus sempre cumpre a Sua palavra!)

E livrou o justo Ló, enfadado da vida dissoluta dos homens abomináveis (Porque este justo, habitando entre eles, afligia todos os dias a sua alma justa, por isso via e ouvia sobre as suas obras injustas). 2 Pedro 2:7,8

No verso 19 diz que "Deus se lembrou de Abraão e tirou a Ló do meio da destruição". Acho isto lindo. Deus fez como disse que faria, porque Ele é fiel para cumprir o que prometeu! Ele procurou pelos justos, conforme prometera a Abraão. E encontrou um. Encontrou Ló. E salvou-o, não só a ele, mas à sua família! Este Deus é ou não é maravilhoso?

Ainda hoje é assim. Ele procura os que O temem e os que procuram agradá-Lo e Ele os livra! Os justos clamam, e o Senhor os ouve, e os livra de todas as suas angústias (Sl 34:17). E se isto fosse uma pregação eu estaria a gritar aleluia!! (:

Que Deus é lindo já nós sabemos, mas o que quero fazer hoje é reunir aqui, em alguns pontos, o que é é que eu aprendo com Ló e a sua história:


1. Deus dá-nos sempre uma segunda oportunidade! Aceita-a sem questionar. 

Então disseram aqueles homens a Ló: Tens alguém mais aqui? Teu genro, e teus filhos, e tuas filhas, e todos quantos tens nesta cidade, tira-os fora deste lugar; Génesis 19:12 

Deus concedeu a Ló e aos seus uma oportunidade de fugir ao pecado daquela cidade e hoje podemos trazer isto para as nossas próprias vidas. Jesus morreu para que hoje possamos escolher sair de uma vida de pecado, de morte espiritual, para uma nova vida em Cristo Jesus. Uma vida abundante em justiça, paz e alegria ainda nesta terra e uma Vida Eterna após esta.

A escolha que está nas nossas mãos hoje é semelhante: Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, (Deuteronómio 30:15, 19)

A Bíblia não diz, mas aposto que Ló se sentiu muito especial. Não há como não se sentir, afinal ele estava a ser poupado no meio de sei lá quantos! Deus escolheu salvá-lo. E Ele escolheu salvar-nos a nós. Eu não sei quanto a vocês, mas eu sinto-me muito especial.

Confesso que, às vezes, nos meus devaneios penso que Deus devia fazer como fez com Sodoma e  Gomorra e destruir isto tudo. Sinto que o mundo está tão perdido que se calhar valia mais desaparecer tudo. Mas Deus não é homem. Ele é Deus e ama a humanidade... só não ama o seu pecado. Mas Ele ama-nos. Ele é Senhor dos Céus e da Terra e escolheu amar-me, a mim, a ti... Escolheu salvar-nos e dar-nos vida eterna. Quão incrível é isto?

No caso de Ló Deus mandou os anjos e deu-lhes ordem que o salvassem, mas connosco foi diferente. Ele olhou para nós e disse a Jesus "vai lá abaixo e morre por eles, eu quero tê-los de volta". Ninguém morreu por Ló e ainda assim ele não pensou duas vezes em aceitar a oportunidade que lhe foi dada. Jesus resgatou-nos das mãos do diabo e deu-nos uma segunda oportunidade. E nós o que fazemos muitas vezes? Levamos a coisa a brincar. Alguns rejeitam-No mesmo... Mas ninguém muda o facto de que Ele veio para nós e para todos quantos O quiserem receber!

Pergunto-te eu hoje: aceitaste tu esta oportunidade? E se tu já tens a salvação, como os anjos perguntaram a Ló, tens mais alguém aqui? Quem queres tu que Ele salve? Vai e tira-os fora desse lugar onde eles estão...

Tuesday, December 22, 2015

#1 ESPELHO DA ALMA: ZOEY, UM BEBÉ MILAGRE


O tempo tem sido curto para escrever e a vontade pouca também, confesso, mas estamos quase a terminar mais um ano e, como não sei se conseguirei passar por cá depois, decidi encerrar este 2015 com algo especial. :) Apresento-vos a nova rubrica do blog, que apelidei de "Espelho da alma", e que consistirá em entrevistas a pessoas especiais, pessoas que, de alguma forma, são exemplo de superação, de força, e de fé...  pessoas com história, que me e vos inspirem a continuar a lutar todos os dias e a nunca desistir.  

Para este primeiríssimo "Espelho da alma" lancei o desafio à Tânia e ao Alexandre Izumi, um casal cheio de fé, pais de três filhos lindos e que viveram um milagre incrível na terceira gravidez. Com poucas semanas de gestação a Tânia perdeu todo o líquido amniótico, indispensável à vida in utero. Os médicos disseram que a gravidez era inviável e recomendaram o aborto. A Tânia e o Alexandre recusaram e avançaram com a gravidez, mesmo sendo apelidados de irresponsáveis, firmes na promessa de que o seu bebé seria um milagre de Deus. E foi. A Zoey nasceu, contra todos os prognósticos médicos, perfeita e saudável. Mas a luta foi dura... 

A história da Zoey está no Facebook (passem por lá, façam "gosto" e partilhem) e até já passou num programa de televisão, mas eu queria realmente partilhar convosco o testemunho destes pais, na primeira pessoa, porque eles, mais do que cristãos, são pessoas reais, como nós, e enfrentaram um problema bem real. Que a sua fé vos possa inspirar também, como me inspirou a mim.

Como mulher cristã, filha de Deus, o que é que sentiste quando te disseram que a tua gravidez não era viável? Tiveste medo? Dúvida? Como é que reagiste a esta notícia? 


Quando recebi a notícia de que a gravidez não era viável, não quis acreditar que aquilo estava a acontecer comigo, justo eu, Deus sabe que eu sou tão frágil, Deus sabe que eu não suportarei outro aborto, outra perda. Foi este o pensamento e um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que os pensamentos corriam na minha mente dizendo eles são médicos tens de aceitar, eles sabem o que estão a dizer, eu sabia que não podia deixar as minhas emoções se abalarem porque não queria passar para o baby essa insegurança. 

Existia uma luta de alguém que sabe o que é dito “normal”, “natural”, porque eu ouvia-os e nas explicações deles tudo batia certo, afinal de contas eu já tinha tido dois nados vivos, já tinha estudado biologia, então eles não estavam a dizer nenhuma asneira. Mas por outro, como mulher cristã, sabia que esse Deus que deu a vida, só Ele e apenas Ele tinha o poder de fazer o que quisesse com ela. Esse Deus que eu conheço é um Deus de poder, já O experimentei tantas vezes, e por breves segundos, pensava será que vai acontecer comigo? Que será que Ele vai fazer desta vez? 

Senti medo, claro, medo da perda, medo de mais um sonho frustrado, porque uma gravidez é um sonho. Qualquer mulher antes de engravidar sonha com o dia em que está grávida, não importa se pela 1ª vez, 2ª ou 4ª vez, e eu estava a viver mais um sonho, que eu não queria que se tornasse num pesadelo, seria doloroso demais. 

Mas a minha, a nossa reação, (sim nossa, porque a decisão, sempre foi dos dois, minha e do meu marido) foi de "enquanto o coração bater, existe vida". E existia um coração a bater, então havia vida, não iríamos nós fazer parar esse som maravilhoso. 


O que é que mantém uma mulher a quem médicos dizem que deve abortar porque o seu bebé vai morrer, firme ao ponto de ser capaz de manter uma gravidez até ao fim, contra tudo e contra todos? 


A fé Diana, apenas isso nos mantém firmes em algo que não é visível, que não é palpável. Porque nem as ecografias poderiam ajudar, pois eram tão ilegíveis que nem isso ajudava a pensar "se calhar vai correr tudo bem". Durante toda a gravidez nunca vi a minha filha, apenas um saco roto e sem qualquer espaço para que ela se conseguisse esticar. 
Não eram as palavras de médicos que animavam, nem mesmo as muitas vozes que se levantavam com preocupações, afinal com uma bolsa rota, eu sofria o risco de ter uma infeção, risco de vida mesmo. 

Friday, September 11, 2015

REFUGIADOS - O QUE PENSA DEUS?


É quase vergonhoso dizer isto, mas estou a tentar escrever este texto há provavelmente mais de uma semana. Ok, não é muito diferente do que já aconteceu com outros, mas este é mesmo sensível (o tema, não o texto, bom, talvez ambos). Certo é que os refugiados estão a dar que falar (e que partilhar) e se antes não sentia necessidade de escrever sobre isso só porque todos escreviam (também porque nem sabia bem se ia acrescentar alguma coisa), a verdade é que agora sinto que tenho quase a obrigação de o fazer. E digo obrigação, não porque tenho de ir na onda da malta e porque é moda agora opinar sobre a coisa, mas porque sou cristã, seguidora de Cristo, entenda-se, e com um blog chamado "o pro(fé)ta". Por esse motivo tenho, mais do que o direito, o dever, de partilhar convosco, não a minha opinião, mas a de Deus, a respeito de tudo isto. Foi a Sua vontade que procurei nas Escrituras, porque é por ela que me quero deixar guiar. Se é assim noutros temas do quotidiano, neste não poderia ser diferente. Em boa verdade, estaria a ser hipócrita se fosse de outra forma.

E por falar em hipocrisia, começo já por dizer que estaria a mentir se não admitisse que tenho mixed feelings quando penso nesta crise de refugiados. São "mixed" porque, se por um lado, penso nas pessoas a sofrer e me encho de compaixão, por outro penso "e se com os bons vierem uns doidos que vão tirar a nossa paz"?

Portanto, antes que tirem conclusões precipitadas, não, eu não sou uma totó ingénua que se esconde em Deus e acha que isto é tudo peace&love e está tudo bem. Não, eu não sou nenhuma totó, eu sou apenas uma pessoa, como vocês, e tenho dúvidas sim, questionamentos sim, e medos também às vezes, sim. Mas a minha fé em Deus e o meu relacionamento com Ele permite-me ter outras coisas, outras coisas que me levam a não ver como o mundo vê. Não porque eu seja especial, convém explicar, mas porque Ele é! E porque Ele vê a coisa de uma maneira diferente de todos, eu também vejo, porque Ele empresta-me os Seus olhos e o Seu coração.

Por causa Dele, quando algum dos sentimentos que referi anteriormente me assolam, eu tenho uma uma certeza: Ele está no controlo. Ele está. E Ele É. E isso basta-me.

É estranho, eu sei. E é de loucos, eu também sei. Mas é assim mesmo. É que Deus é a minha cena, percebem? E isso significa Amor, com "A" maiúsculo e grande. E isso significa Paz "que excede todo o entendimento" (que é, como quem diz, eu tenho paz mesmo no meio da guerra, por assim dizer e a malta acha que eu sou doida). E isso significa ser doido para uns, mas para mim significa confiar em quem sabe mais. Significa, portanto, ser sábia e inteligente (não querendo com isto ofender quem não pensa como eu, não me interpretem mal). (:

Mas continuando, eu sou aquela que só não ajuda se não puder e que se preocupa realmente com as pessoas que estão a fugir de uma guerra, da mesma forma que se preocupa com amigos desempregados e/ou em dificuldades ou desconhecidos que não têm o que comer. Que fique claro, desde já, que para mim são todos pessoas, independentemente da sua língua, cor, credo ou cultura. 

Mas sou humana, como dizia há pouco, e por isso sim, às vezes sou também aquela que receia pela paz de um país que está numa situação limite, como é o caso de Portugal. Sou aquela que teme pelo caos que se pode instaurar quando um país que tem tido dificuldade em gerir o seu próprio povo, recebe refugiados de uma cultura e religião totalmente diferente, senão mesmo oposta à sua. Sou aquela que fica de coração apertado porque teme que algumas pessoas mal intencionadas e instigadas por radicalismos religiosos, coloquem em causa a minha/nossa liberdade. 


Monday, August 17, 2015

REFÚGIO


Ó minha Fortaleza, em ti espero! Tu, ó Deus, és o meu supremo refúgio. Salmos 59:9

Ao longo da minha caminhada tenho aprendido e crescido (graças a Ele) e tenho tido oportunidade de, em vários momentos, (re)conhecer algumas das características de Deus. Pude (e posso) viver e experimentar o Deus que é Pai, que é amigo, conselheiro, professor... pude conhecer o Deus fiel, o Deus que abraça e ama, o Deus provedor, o Deus que protege, o Deus que cura e liberta, o Deus que surpreende, enfim... mas há algo que tem vindo ao meu coração ultimamente e que, eu creio, é fundamental para vivermos um cristianismo real e profundo: conhecer Deus enquanto "Refúgio".

Confesso que me tem sido difícil encontrar o caminho desta mensagem e por isso ela já teve vários "rascunhos". Escrevo, apago. Escrevo, apago. E pergunto-me porque é que será tão difícil escrever sobre algo tão simples. Talvez seja tão simples que não precisasse que alguém o descreva?... Não sei, mas certo é que a Bíblia utiliza esta expressão muitas vezes (muitas mesmas, confirmem na vossa concordância), por isso certamente é importante dizê-lo, escrevê-lo, enfim, falar sobre o tema e relembrá-lo.

Talvez Deus saiba que há alguém por aí que precisa de ser relembrado de que Ele é um refúgio presente na aflição. Talvez tu que me estás a ler hoje precises de um refúgio e o estejas a procurar no lugar errado... não sei o motivo de escrever sobre isto, mas uma coisa eu sei, "falar" daquilo que Deus é, nunca é perda de tempo. E a Sua Palavra nunca volta vazia, portanto, que esta Verdade imutável e incontornável te encha da Paz que excede todo o entendimento, te console e te dirija, em todos os teus caminhos.

Comecemos pelo princípio (ish, já escreveste tanto e ainda só vais no princípio...medo!).  O dicionário descreve a palavra refúgio como um "lugar considerado seguro para nele algo ou alguém se refugiar" e, no sentido figurado, como uma "pessoa, coisa ou ideia que protege ou ampara".

Não se iludam, essa história do "eu não preciso de ninguém" só existe na ficção, porque na vida real isso é uma grande treta! Todos nós precisamos de um refúgio, de alguém/algo para o qual correr em algum momento das nossas vidas. Os oprimidos, pessoas atormentadas por algo. Os fugitivos (e não me refiro apenas aos que cometeram um crime, mas também aos que fogem de algumas emoções ou de algumas situações com as quais não se querem confrontar); os depressivos; os que se sentem culpados; os desesperados; os angustiados; os tristes; os perdidos (= sem direcção); os perseguidos; os cansados; os que sofrem; os que procuram uma vida diferente... Todos, sem excepção. 

Tuesday, July 14, 2015

REGRESSA AO PRIMEIRO AMOR



A vontade de escrever ultimamente não tem sido muita, confesso, mas há já uns tempos que ando aqui a marinar um tema e hoje é o dia! Vou sacudir a preguiça e partilhar convosco o que me vai na alma, ou melhor dizendo, no espírito! 

Ultimamente há um tema que tem sido recorrente nas minhas orações. Por mais que ore por outras coisas, isto vem sempre ao meu espírito e creio que não é por acaso, porque quando vou a outras igrejas ou falo com outros irmãos na fé, percebemos rapidamente que estamos todos a sentir o mesmo. 

A Igreja do Senhor, um pouco por todo o mundo, tem estado adormecida, cansada pelas lutas e pelas dificuldades dos tempos difíceis que temos vivido, especialmente na Europa e aqui em Portugal com a crise financeira e de valores a que temos assistido. Vemos as igrejas cheias de pessoas que se acomodaram às suas cadeiras, aos seus cargos, aos seus títulos. Igrejas cheias de pessoas acomodadas a praticar as boas obras e a ir à igreja ao domingo, mas que não passam daí. Apáticas, letárgicas, adormecidas. 

E pergunto eu, será isto suficiente para Deus? Será isto que Deus espera de nós, Sua Noiva? 

Diz assim no livro de Apocalipse:

Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua perseverança; sei que não podes suportar os maus, e que puseste à prova os que se dizem apóstolos e não o são, e os achaste mentirosos; e tens perseverança e por amor do meu nome sofreste, e não desfaleceste. Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeresApocalipse 2:2-5

Achei esta passagem extremamente reveladora e mexeu muito comigo. Aposto que muitos de nós se conseguem identificar com isto. Quão difícil foram os últimos anos, não? Tanto tentaram enganar-nos, afastar-nos... quantas atitudes perdoadas, quantos amigos que deixaram de o ser, quantas palavras nos feriram... Quão duro foi perseverar e permanecer Nele, verdade? E Deus viu tudo isto. E sim, Ele entende, oh como Ele entende. Ele viu as tuas lutas e vê o quanto te tens esforçado, mas...  Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.  


O que aconteceu ao teu coração pelo caminho? Quanto se fechou esse coração para seres capaz de suportar tudo o que viveste... E quando o teu coração se fecha, Deus não pode mais entrar como antes.

Eu me recordo bem do teu profundo e leal amor como minha noiva nos tempos da tua juventude; como recém-casados, estavas apaixonada por mim e me seguias pelo deserto, por terras áridas e ainda não semeadas. Jeremias 2:2

É tempo de voltarmos ao primeiro amor. Aquele que nos dava alegria, aquele que nos fazia sorrir de cada vez que pensávamos em ir orar ou em falar de Jesus a alguém. Quando casamos procurar fazer de tudo para agradar o alvo do nosso amor, o nosso marido, verdade? E com Deus não deveria ser assim também? Dantes corrias para a igreja todo feliz para fazer o que fosse preciso, não faltavas a nenhum culto e estavas em todos os eventos, ias ouvir pregações ao youtube, partilhavas a Palavra de Deus por sms ou nas redes sociais... até fazias questão de vestir algo especial para ir à igreja, porque tinhas prazer em ir à casa do Pai, falavas a todos de Jesus e de como Ele mudou a tua vida, abraçavas os irmãos e esforçavas-te para sempre abençoar alguém com uma palavra de ânimo, com um elogio, com uma oração. 

Monday, June 29, 2015

OS PRINCÍPIOS DA CANOAGEM NO CASAMENTO



Este fim-de-semana fomos fazer canoagem com outros casais lá da igreja. Não foi a primeira vez que nos aventurámos numa coisa do género, mas foi a primeira vez em rio (Zêzere) e durante tanto tempo (cerca de 2h!). Não tirámos fotos porque não podíamos levar nada connosco, por isso a foto que está a ilustrar o post é da primeira vez que andámos :) 

Apesar da fome e do cansaço foi um tempo muito bom, gostei imenso da experiência e apesar de alguns percalços pelo caminho, a nossa canoa não virou e chegámos sãos e salvos ao nosso destino! (aplausos para nós sff). Se puderem agarrem no mais-que-tudo um dia destes e experimentem, que são capazes de gostar.  

"Canoar" (palavra inventada pela minha pessoa), tal como casar, não é para meninos. Não, é para malta forte, corajosa, ousada, destemida e que não conhece a palavra "desistir". Ou aliás, até conhece, mas esta malta especial apagou-a do dicionário. Já a palavra "discutir" é outra conversa... é que a canoagem é um trabalho de equipa e pode trazer ao de cima o melhor e o pior (sublinhem esta) de nós! 

Na canoa (acho que a palavra técnica é kayak) só há espaço para dois. 
Não há lugar para terceiros na canoa, nem há espaço para outros meterem o bedelho, a não ser que vocês vão à água e a canoa vire. Fomos instruídos que se isso acontecesse ninguém do grupo deveria intervir. A ordem era que aguardássemos pelo socorro dos instrutores (profissionais da coisa). 

O teu casamento está a meter água? A canoa virou? Então procura ajuda de alguém que saiba o que está a fazer. De nada nos serviria que outros, sem qualquer experiência, fossem ajudar alguém cuja canoa virou, o mais certo seria que virassem também.  

Meu é o conselho sábio; a mim pertencem o entendimento e o poder! Provérbios 8:14

Thursday, June 25, 2015

A OFERTA QUE DEUS PROCURA


Quero partilhar convosco algo que Deus falou comigo e que tive oportunidade de partilhar com a Igreja na palavra de oferta de sexta-feira passada. Sei que alguns provavelmente me ouviram mas, para os que não tiveram oportunidade, aqui fica. :) 

Então Samuel perguntou-lhe: «O que é que o SENHOR prefere: os sacrifícios ou a obediência à sua vontade? Mais vale obedecer-lhe do que sacrificar-lhe os melhores carneiros. I Samuel 15:22

O rei Saúl recebeu uma ordem directa de Deus através do profeta Samuel: exterminar os Amalequitas. Acontece que o seu exército, ignorando essa mesma ordem, ficou com algum do despojo, poupando algumas ovelhas e bois... O rei poderia e deveria ter-lhes ordenado que não o fizessem, mas não quis aborrecer o povo. Ao invés, preferiu desobedecer a Deus. Quando o profeta Samuel o confronta (vs.19), o rei justifica-se. Basicamente desculpa-se com o exército, dizendo que este é que tinha querido guardar os animais para os sacrificar a Deus.

Ora, qual é que é o grande problema aqui? É que Deus tinha dado uma ordem clara a Saúl, e ele escolheu não a cumprir. Preferiu trazer os animais para ofertar ao Senhor do que obedecer à Sua palavra. A resposta de Deus não se demorou. Não é sacrifícios que Deus procura, o Senhor prefere a obediência à Sua vontade.


Monday, March 9, 2015

ASSIM TU ÉS. MULHER.

Ontem não tive oportunidade de escrever sobre o Dia da Mulher, mas não queria deixar a data em branco.

Não que as mulheres precisem de dias para serem tudo aquilo que são, mas a verdade é que às vezes todos nós, todos sem excepção, precisamos que alguém nos relembre quão importantes somos, verdade? É por esse motivo que vos escrevo hoje. 

Porque sei que muitas vezes não tens sido reconhecida devidamente, mulher. 
Porque muitas vezes tens chorado quando ninguém vê, mulher. 
Porque muitas vezes tens perdido horas de sono para fazeres o que mais ninguém faz, mulher. 
Porque muitas vezes és agredida na tua essência, mulher. 
Porque tantas vezes as tuas palavras sábias salvaram vidas, mulher. 
Porque os teus abraços, que deste quando tu eras quem mais deles precisava, levantaram outros e lhes deram força para continuar, mulher. 
Porque dás o melhor aos teus filhos, ficando tu com os restos, mulher. 
Porque lhes dás amor e carinho e te enches de paciência quando estás tão cansada, mulher. 
Porque fazes e dás, sem pedir nada em troca, mulher. 

Porque és especial e precisas que alguém to relembre. Porque nada do que fazes Lhe é oculto. Porque Ele vê o teu esforço e porque as tuas lágrimas, a seu tempo, se transformarão em belas e lindas flores.
Quão importante és tu. Mulher. 


Mulher virtuosa quem a achará? Provérbios 31:10

Wednesday, February 18, 2015

A MINHA GRAÇA TE BASTA


Ontem no meu tempo com Deus partilhava várias situações que têm acontecido ultimamente na minha vida e pensava em como algumas delas às vezes me têm tentado engolir. Felizmente, e graças a Deus (mesmo), nenhuma tem conseguido, mas não raramente dou por mim a pensar que elas (as dificuldades) são mais que as mães e que parecem pipocas a saltar, umas atrás das outras. A sério, há momentos em que fico tão parva com a rapidez com que os problemas se avolumam, que a minha única reacção é a mesma que me ensinaram a ter a atravessar a estrada: pára, escuta e olha. 

No meio de um sem fim de pensamentos (e pareciam mesmo não ter fim... meu Deus como o nosso cérebro acumula informação... medooo), aquilo que ecoou no meu coração e no meu espírito foi tão simples, mas tão poderoso. Um versículo, um que eu conheço tão bem, quase bem demais. Um versículo que já li tantas, mas tantas vezes e que já me ensinou tanto, em tantas situações... Cá estava ele, outra vez:
A minha graça te basta. II Coríntios 12:9

E graça é favor, é perdão, é bondade, é misericórdia, é amor. Graça é Jesus. Quando ouvimos Deus dizer "a minha graça te basta", como ouviu Paulo, podemos reagir de duas formas: entender que Ele é suficiente, que o que Ele fez é suficiente, que o Seu amor é suficiente e que tudo vai ficar bem ou podemos questionar, ficar inquietos, cheios de dúvidas, de medos, ignorando, portanto, que Deus tem sempre um plano. Qual é a porta que costumas abrir? A da certeza ou da dúvida? A da confiança cega ou a fé que vacila? 

Wednesday, January 7, 2015

A SÍNDROME DE ADÃO



Ando a mastigar este texto desde o final de 2014 mas entre o Natal lá em casa, as férias e a Passagem de Ano ainda não tinha tido oportunidade de me sentar a escrever o que me vai na alma... E sim, esta deve ser a pior blogguer da web, que nem se dignou a vir desejar-vos Feliz Natal e um Bom Ano... Perdoam-me? Ainda vou a tempo? :) 

Nestas alturas (leia-se, no início de um novo ano), toda a gente gosta de falar de esperança, de fé, de novos projetos e de como um ano que começa é também uma oportunidade de começar de novo. E tudo isso está muito bem, mas precisamente porque toda a gente o diz eu não preciso de vos dizer mais do mesmo, pois então... portanto vou dizer-vos outras quantas coisas que também me parecem igualmente importantes e que, na minha humilde opinião, poderão fazer a diferença em 2015 (e sempre, já agora). 

No final de 2014 deparei-me com algumas situações que me levaram a pensar na forma como o ser humano gosta de culpar este mundo e o outro pela sua miséria. Dei por mim a refletir na necessidade que o Homem tem de atirar para cima dos outros as culpas dos seus problemas e de atribuir aos outros a responsabilidade e as consequências de escolhas que foram, na realidade, apenas suas. 

E para ser bem honesta, ao pensar nisto senti uma necessidade incrível de gritar alto e bom som "parem de culpar os outros daquilo que é única e exclusivamente responsabilidade vossa", "ultrapassem isso de uma vez", "responsabilizem-se".

A boa da verdade é que tenho dificuldade em lidar com pessoas que se agarram aos problemas e que os acariciam como se fossem um animal de estimação. Pior, justificam os seus problemas com os outros. O problema são sempre os outros. O erro está sempre nos outros. Se não é o marido, são os filhos, se não é o chefe, é o país, ou é a crise, ou é a sogra... é sempre alguém, mas nunca ele/ela. 

Se conhecem alguém assim certamente me vão compreender quando vos digo que isto no meu ponto de vista é muito mais do que mau feitio. Eu observo aqui sinais, sintomas, observo um padrão de comportamento, que conduz a uma condição. E ao pensar em tudo isto cheguei a uma conclusão, estas pessoas sofrem daquilo que apelidei de Síndrome de Adão.

Thursday, March 27, 2014

AGUENTA MAIS UM POUCO


Há algum tempo que não escrevo aqui no blog. Por incrível que pareça tenho várias mensagens começadas nos rascunhos, mas nenhuma está terminada e às vezes pergunto-me se algum dia as irei terminar e publicar. A seu tempo irei, suponho.

Hoje, no entanto, tive vontade de escrever sobre algo e acho que, finalmente, vai sair daqui um texto com princípio, meio e fim.

Esta manhã recebi uma sms com um pequeno texto e um versículo: Hebreus 11:12. Abri a minha app da Bíblia no telemóvel para ler a passagem como faço sempre e li o seguinte:
Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados. Hebreus 12:12

Depois de ler o versículo reparei que estava a ler o capítulo errado. A app tinha aberto o capítulo 12 de Hebreus em vez do 11 que eu tinha escolhido. Tentei sair e abrir novamente o 11 e nada. Fi-lo vezes sem conta e aquilo insistia em mostrar-me o 12. Já meia frustrada voltei a ler aquela passagem que a app insistia em mostrar-me e na segunda leitura aquelas palavras como que ganharam vida e ecoaram dentro de mim. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados.

Por algum motivo Deus queria que eu lesse Hebreus 12:12. E por algum motivo isso trouxe-me até aqui, a'O Pro(fé)ta,  novamente. 

Se me estás a ler, esta mensagem é também para ti que tens sido cansado pelas circunstâncias, que tens sido moído e quase destruído pelo peso das lutas. Levanta novamente as tuas mãos cansadas e coloca-te de pé, mesmo que sintas que os teus joelhos não têm mais forças para te suportar na caminhada, porque toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. (Hebreus 12:11)

Wednesday, February 13, 2013

NÃO TEMAS, CRÊ SOMENTE


Comecei a escrever esta mensagem há muito tempo. Nunca a terminei. Hoje ao tentar sair da página em que estava rascunhado este texto, sem sucesso, pensei: "talvez tenha de o terminar e publicar de uma vez por todas". E assim fiz.  

No momento em que vos escrevo estou-me a sentir triste, injustiçada e até um pouco com vontade de chorar. Estou no trabalho e não posso fazer mais do que sorrir e ouvir um louvor que me ajude a libertar esta sensação horrível de impotência perante algumas situações. Mas não é sobre mim que quero escrever hoje, é sobre ti. 

Deus é fiel para cumprir tudo o que prometeu na tua vida. Pode não parecer, mas tudo, absolutamente tudo, vem à tua vida com um propósito e no final do dia, esse propósito encerra em si algo de bom. Só não sabemos bem quando chega esse "dia", mas chegará por fim, isso é certo: 

E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito. Romanos 8:28

Podes não entender o que Eu faço hoje, mas um dia entenderás (João 13:7). As palavras de Jesus são reconfortantes. Ele sabe o que faz. 


Tuesday, December 4, 2012

CHEGA-TE A MIM E EU ME CHEGAREI A TI


No último domingo tinha uma criança ao meu colo e, enquanto adorava o Senhor, o Espírito Santo começou a fluir de uma forma maravilhosa dentro de mim. Senti-me inundada pelo Seu amor, mas profundamente constrangida por aquilo que Deus me falava naquele momento.

Quem é mãe (que não é o meu caso ainda) sabe como um bebé é dependente de si. Aquela criança ainda nem saiu de dentro da mãe e já é totalmente dependente dela para viver. É alimentada pela mãe, é protegida pelo corpo da mãe, os seus orgãos são formados e os seus sentidos apurados dentro do ventre da mãe...  

E enquanto aquela criança cresce durante nove meses no útero da mãe, ela é também nutrida nas suas emoções. Aquele bebé que ainda se está a formar, já sente o amor da mãe, sente a paz ou agitação que a mãe sente, vive as suas alegrias e sente as suas tristezas. E mesmo que ainda esteja "escondida" pela proteção do útero, aquela vida, já sabe que aquela é alguém que ela vai amar, cria com a mãe uma ligação incrível, inalcançável pelo entendimento humano e ininteligível por aqueles que nunca passaram pela experiência da maternidade.

Wednesday, August 8, 2012

Coração nos ouvidos

Ontem dei por mim a pensar na necessidade de ouvirmos Deus (por "ouvir" leia-se prestar atenção ao que Ele tem para dizer, e não apenas o acto de escutar). E quando dei por ela pus-me a pensar no ouvir vs.o obedecer e cheguei a uma conclusão: ouvimos a Deus porque temos temor a Ele, mas obedecemos porque O amamos.

Talvez até aqui alguns pensassem exatamento o contrário, que ouvimos por amor e obedecemos por temor, mas eu estou convencida de que não é bem assim...

Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa "temor": 1. Medo, receio; sentimento respeitoso; 2. [Figurado]  Pessoa ou coisa que infunde medo; 3. Escrúpulo; zelo; pontualidade.

Não raramente, muitos são os que interpretam "temor" como "medo" e "receio". Pessoalmente considero que o temor a que a Bíblia se refere, este temor que é o princípio da sabedoria, nada tem a ver com medo, mas é sim um "sentimento respeitoso" ou "zelo" (cuidado, interesse), ou até os dois.

Respeito por quem? Por Deus, pela Sua grandeza, pela Sua majestade, por aquilo que Ele é, por aquilo que Ele fez, porque aquilo que Ele faz ainda hoje. Zelo pela Sua casa, pela Sua obra, pelo Seu Reino, pelos Seus filhos, pelas Suas magníficas criações e criaturas.

Levaria uma eternidade a enumerar tudo aquilo que cabe nesta caixinha.Mas continuando...

Porque é que então nós ouvimos a Deus porque o tememos e não porque o amamos? (uma vez mais relembro o sentido da palavra temer)

O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo a prudência. Provérbios 9:10.

A Bíblia diz que o Temor do Senhor é o princípio da sabedoria. E sabem quem é a personificação da sabedoria? O próprio Deus. Ele é Sabedoria. Da mesma forma que Ele é Amor.

Então se não tenho Temor a Deus é impossível que a Sabedoria esteja em mim. Da mesma forma, se a Sabedoria está em mim, o Temor do Senhor também está.

E se assim é, eu vou querer ouvir Aquele que sabe todas as coisas, Aquele que conhece o meu andar, o meu pensar, o meu agir, Aquele que sonda o meu coração. Se Ele é tudo isso, convém ouvir o que Ele tem a dizer, certo?

Diríamos que ouvimos os nossos pais porque os amamos ou porque os respeitamos? Talvez me respondam: as duas coisas. É um pouco confuso realmente, porque sim, nós amamos os nossos pais e respeitamo-los (ou devíamos, pelo menos), mas não é o amor por eles que nos leva a ouvi-los, na verdade é o respeito que sentimos pela experiência de vida que eles têm. Se trocarmos a palavra respeito por Temor temos a nossa resposta.

Mas vamos a um exemplo mais claro. De certeza que há ou houve no liceu ou na faculdade um professor que respeitavas imenso. Aquele professor que quando falava tu ouvias. Ele sabia o que dizia, aquilo que ele dizia era lei, tu ouvia-lo e tu aprendias com ele. Até hoje lembras-te das suas aulas e da forma como ele ensinava. Podias estar ali horas a ouvi-lo que não te cansavas.

Tu ouvia-lo. Mas amáva-lo? Não. Ele era apenas um professor que admiravas. Então se não era por amor a ele, porque é que o ouvias? Porque o respeitavas. 

Porque é ouvimos a Deus? Por respeito por quem Ele é. Porque Ele tem valor para acrescentar. Porque Ele é Deus e nós... bom, nós pouco ou nada sabemos. Ele sabe TUDO. É bom que o saibamos ouvir.

Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes. Jeremias 33:3

A quem O ouve Ele conta coisas que só Ele sabe, coisas grandes e firmes, insondáveis, que são mistério para outros, mas não para Ele, o Senhor, Criador do Universo.

Eu não oiço porque O amo. Na verdade, eu oiço-O e presto atenção ao que Ele diz porque Ele é sabedoria. E se a Sabedoria, se Ele, está em mim, eu tenho Temor por quem Ele é. E se eu tenho o Temor do Senhor, eu ouço o que Ele tem para dizer.

(...) os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. Provérbios 1:7

Os que desprezam a sabedoria e a instrução são loucos. Esses não podem temer ao Senhor, porque O desprezam, desprezam a Sua natureza. E se O não temem, como poderão ouvir o que Ele tem a dizer? E se não ouvem, como podem obedecer?

Porque temo a Deus, ouço o que Ele tem a dizer.  Depois de saber o que Ele quer de mim, porque o amo, obedeço-Lhe.

Se ouvimos, se prestamos atenção ao que Deus tem a dizer porque temos Temor a Ele, uma vez sabendo o que fazer, o que nos leva a obedecer? O amor.

Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. Lucas 22:42

Pergunto-me o que terá sentido Jesus neste momento. O que levou este homem a despir-se da sua magestade, a abandonar o seu trono de glória para ser humilhado, rejeitado, maltratado, traído e finalmente executado de uma forma terrível? Sabemos que Jesus era homem, ele padeceu como homem na terra, como tu e eu, mas a sua rendição à vontade do Pai tão bem expressa nesta passagem constrange-nos. 

Jesus amava este Pai. E Jesus amava vidas como o Pai, porque Ele e o Pai são um (Jo 17:11). E o Pai amou o mundo dando o seu único Filho, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3:16). 

Jesus conhecia o seu destino e ele tinha temor a Deus, claro, mas não foram nem o seu destino, nem o temor a Deus que o fizeram dizer estas palavras, e tão pouco seguir para a Cruz como ovelha muda. Foi o AMOR. Jesus conhecia a vontade de Deus e sabia o que o esperava, mas a sua obediência tem  apenas um nome e esse nome é Amor. Um amor profundo pelo Pai, com quem Ele era um. 

O amor é o caminho para a obediência e é interessante descobrir no dicionário o significado desta palavra: "Agir de acordo com o que foi estabelecido, cumprir, executar, respeitar. Estar sob determinado comando ou dependência, depender."

Gosto particularmente da parte em que se lê "dependência". Então, eu oiço o que Deus tem para me dizer, e porque eu O amo eu obedeço-Lhe. E essa obediência não é mais do que um acto de dependência. Mas sabem o que também achei interessante? É que algures entre os vários significados de "obedecer", pode ler-se "prestar atenção a, dar ouvidos a".

O que é que entendemos com isto? Que o Temer, o Ouvir, o Amar e o Obedecer estão intimimamente ligados. Nunca chegaremos à parte em que obedecemos a Deus sem passar primeiro pelo ouvir. E o ouvir implica temor ao Senhor. Sem ele não seremos capazes de compreender o que estamos a ouvir (porque o temor é o princípio da sabedoria, lembram-se?). E sem compreendermos o que Deus quer de nós,  como é que vamos poder "agir de acordo com o que foi estabelecido", "cumprir"; "executar" ou mesmo "depender"? Não é possível.

Mas se chegar até este ponto e não tiver amor "nada disso me aproveitaria" (I Co. 13:3).
Fala, porque o teu servo ouve. I Samuel 3:10

Shalom!
1 Samuel 3:10

Friday, June 22, 2012

EU, ZAQUEU


"Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com as minhas estruturas, sara todas as feridas" cantava no meu portátil há pouco Aline Barros... Enquanto a ouvia pensava naquele homem de pequena estatura de que a Bíblia fala em Lucas 19.
Jesus entrou em Jericó, e atravessava a cidade. Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos. (vs.1,2)


Jesus estava a chegar a Jericó e todos certamente queriam vê-lo, conhecê-lo, falar com ele. O seu nome era conhecido, os seus feitos chegavam pelas vozes do povo, um pouco por toda a parte. 

Zaqueu conhecia essa sensação. Também ele era conhecido em Jericó. Mas, ao contrário de Jesus, ele era conhecido pelos piores motivos. Ele era publicano. 

E, para quem não sabe, um publicano eram um cobrador de impostos... Ocorre que naquele tempo muitos publicanos eram conhecidos não pelo seu trabalho honesto, mas por serem ladrões e por cobrarem mais do que deviam ao povo, por isso eram repudiados tanto por judeus, como por fariseus.


Zaqueu, pelo que nos conta a história, parecia estar no saco dos cobradores de impostos corruptos e por isso seria persona non grata. O seu nome metia respeito, volto a dizer, pelos piores motivos, todos o temiam, pelos piores motivos. Ele batia à porta e ninguém certamente o convidaria para tomar chá.

Será que acontece isso contigo e comigo? Pelo que será que somos conhecidos? Será que quando chegamos nos convidam a entrar ou desejam ver-nos pelas costas? Quando nos aproximamos todos se alegram pela nossa presença ou somos como Zaqueu, persona non grata? Será que as pessoas querem estar perto de nós ou será que dizem "lá vem aquele caloteiro, pediu-me dinheiro emprestado e nunca mais me pagou", "lá vem aquela chata, sempre a dizer mal de toda a gente", "lá vem aquele, está sempre mal disposto, parece que todos lhe devem e ninguém lhe paga"... 


Quem és tu? O Jesus que todos querem ver, conhecer, "provar" ou o Zaqueu, de quem todos fogem?

Zaqueu quis conhecer este Jesus de quem provavelmente já teria ouvido falar muito. A Bíblia não nos diz, mas eu penso que talvez ele tivesse curiosidade... "Será que Ele é mesmo como dizem? Será que ele cura mesmo? Será que Ele lê mesmo o que vai dentro do nosso coração?"
Assim, correu adiante e subiu numa figueira brava para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali. (vs.4)

O seu desejo era tão forte que fê-lo subir a uma figueira, a sua vontade de conhecer este Jesus era tão grande que o fez subir a uma árvore. Reparem bem, ele, Zaqueu, um homem rico, mal ou bem um homem com uma imagem a manter diante do povo, subiu a uma árvore para ver Jesus, nem que fosse ao longe.

A cidade devia estar cheia, certamente todo o povo queria tocar em Jesus e queria conhecê-lo, por isso Zaqueu, sendo de "pequena estatura" teve de ser criativo. Ele tinha de ver Jesus e estava ali mesmo ao lado uma árvore... porque não usá-la?

Sabem, com Deus, às vezes temos de ser criativos. Às vezes o que outros fizeram não funciona connosco. Às vezes a multidão impede-te de chegar a Jesus. Às vezes as vozes do povo confundem-te, os seus conselhos distraiem-te. Às vezes as circunstâncias cegam-te. Às vezes as pedras fazem-te tropeçar. Às vezes as tarefas do dia-a-dia, as lutas diárias no trabalho, as guerras em casa, os amigos, a escola, a família, o casamento, os filhos.  Às vezes há muita "gente" a impedir-te de chegares ao Mestre e a tua única alternativa é subires à árvore mais próxima. 

A alternativa às vezes é pouco ortodoxa. E talvez os outros condenem a tua criatividade. Talvez outros te apontem o dedo e digam "tá parvo, olha olha a subir a uma árvore, que vergonha". 

A forma que tu encontras para chegar ao Mestre vai fazer a diferença. Quando todos estão cá em baixo, tu conseguiste chamar a atenção Dele! Porque quando tu sobes à árvore Ele vê como o teu desejo de O encontrar, de O conhecer, é tão forte que te faz ignorar tudo à tua volta para conseguires chegar ao teu objectivo: ELE!

Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: "Zaqueu, desce depressa. Quero ficar em tua casa hoje. Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria. (vs. 5,6)


E sabes o que acontece quando tu O desejas mais do que tudo? Sabes o que acontece quando tu esqueces quem está à volta e sobes à árvore simplesmente porque O queres conhecer?

Ele chama-te pelo nome! Maria, João, Pedro, Ana, desce, vem ter comigo. "Zaqueu, desce depressa", disse Jesus. Ele sabia o seu nome e Ele chamou-o. "Quero ficar em tua casa hoje", continuou. Jesus quer entrar em tua casa. Mas Ele não quer ser apenas visita, Ele quer entrar e ficar por lá.

Todo o povo viu isso e começou a se queixar: "Ele se hospedou na casa de um ‘pecador’". Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: "Olha, Senhor! Eis que dou a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais".

Sim, Zaqueu era publicano, mas desde quando é que o nosso amado Deus faz acepção de pessoas? Jesus veio para os pecadores. Ele veio para o Zaqueu, para ti, para mim e para todos aqueles que O quiserem! E glória a Deus por isso! 

Glória a Deus porque podemos arrepender-nos, tal como Zaqueu se arrependeu, e toda a nossa vida pode mudar. Porque é isso que acontece quando alguém conhece este Jesus maravilhoso. Quando Ele te chama não há como ficares indiferente à Sua presença. Quando Jesus te toca, não há como a tua vida ficar igual.

Zaqueu prontificou-se a devolver tudo o que tinha roubado ao povo e ainda mais. Zaqueu teve um encontro com o Mestre.
Jesus lhe disse: "Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. (vs.9,10)

Não sei onde estás tu. Não sei qual é a tua cidade, qual é a tua Jericó. Não sei quem é a multidão à tua volta, mas sei de uma coisa, Jesus está perto, Ele quer-te conhecer. O que vais fazer? Vais ficar no meio da multidão? És pequeno, mas a tua criatividade pode fazer-te grande. Onde está à tua árvore? Procura-a e sobe-a rápido porque Jesus está a passar e Ele vai chamar por ti. Prontifica-te hoje a conhecê-Lo.  

Shalom