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Monday, November 6, 2017

#2 ESPELHO DA ALMA: GISELE MANJUA, UMA LUTA CONTRA O CANCRO


A minha convidada de hoje é uma mulher como nós. Podíamos ser nós, na verdade. Mulher, esposa, filha, e mãe, ela descobriu um cancro numa das alturas mais sensíveis da vida de uma mulher, a gravidez. Não imagino o que ela possa ter sentido, mas acredito que ela mesma nos poderá contar e ensinar-nos como suportar uma dor tão grande e ainda assim permanecer fiel ao Deus que nos ama. Este espaço existe para partilhar testemunhos que nos edifiquem e nos fortaleçam e por isso eu desafiei a Gi para este Espelho da Alma.

O nome Gisele pode ter dois significados: "refém" ou "a que maneja a lança com destreza". Acho curioso, porque ela ficou realmente refém de uma doença, mas decidiu ser a que maneja a lança com destreza e lutou esta batalha como um soldado que sabe quem é o Seu Capitão. E venceu. Porque Deus vence sempre, mesmo que pareça que não. Mas sem mais demoras, vamos conhecê-la...


Gi, fala-nos um pouco de ti. Como é que conheceste Jesus e quem era Ele na tua vida antes de receberes a notícia de que tinhas cancro?

O meu nome é Gisele Fernandes Procenia Mamjua, sou brasileira, moro em Portugal há 10 anos, sou casada com um agolano e desta união tivemos dois filhos, Pamini de 7 anos e Noah de 2.
Nasci numa família católica praticante, fui batizada quando nasci, tínhamos de ir à missa todos os domingos, fazer a primeira comunhão, crisma, tínhamos que saber todas as rezas de todos os santos.

Perdi o meu pai muito nova, com 10 anos de idade, e desde então entrei em depressão e apegava-me a rezas, missas e anti-depressivos para poder viver. No ano de 2008, estava a vir do trabalho de autocarro, a ler um livro de autoajuda, quando de repente, se senta ao meu lado uma doida e me pergunta o que eu estava a ler. Eu respondi: "O Segredo" e ela perguntou-me "esse livro é sobre o quê"? Respondi que era um livro de autoajuda, e ela então disse-me que conhecia um livro verdadeiro e eficaz de autoajuda - A Bíblia. Pensei eu: "lá vem uma crente me encher o saco" (aborrecer-me).
Ela ficou uma hora a falar da Bíblia, e depois convidou-me para visitar a igreja dela, e eu disse que iria, só para a despachar.

Fui para casa e comentei com o meu namorado, atualmente meu marido, e fiquei curiosa para saber se o Deus de quem ela falava era o mesmo que eu achava que conhecia. E desde então fiquei a saber que Ele era muito mais do que aquilo que eu imaginava ou conhecia. Desde que conheci verdadeiramente Jesus sabia que ele era capaz de tudo, mas tudo mesmo, e quando recebi a notícia do cancro pensei: vou morrer, mas se essa for a vontade de Deus que assim seja, pois se Ele me deu um filho, que tanto desejei, Ele fará conforme a Sua vontade para a minha vida.
Mas não é fácil, mesmo confiando em Deus, aceitar uma notícia destas.


Tens uma família linda e estavas grávida do teu segundo rebento quando descobriste que tinhas cancro, com sete meses de gestação. O que é que sentiste quando o médico te deu o diagnóstico?

Sabes, como eu disse antes, a primeira coisa que me veio a cabeça foi: vou morrer. Fiquei muito revoltada, chorei durante uma semana inteira sem parar, que foi o prazo que os médicos me deram para o bebé nascer. Dado o estado avançado da doença eu precisava de começar logo a quimioterapia.


Tuesday, December 22, 2015

#1 ESPELHO DA ALMA: ZOEY, UM BEBÉ MILAGRE


O tempo tem sido curto para escrever e a vontade pouca também, confesso, mas estamos quase a terminar mais um ano e, como não sei se conseguirei passar por cá depois, decidi encerrar este 2015 com algo especial. :) Apresento-vos a nova rubrica do blog, que apelidei de "Espelho da alma", e que consistirá em entrevistas a pessoas especiais, pessoas que, de alguma forma, são exemplo de superação, de força, e de fé...  pessoas com história, que me e vos inspirem a continuar a lutar todos os dias e a nunca desistir.  

Para este primeiríssimo "Espelho da alma" lancei o desafio à Tânia e ao Alexandre Izumi, um casal cheio de fé, pais de três filhos lindos e que viveram um milagre incrível na terceira gravidez. Com poucas semanas de gestação a Tânia perdeu todo o líquido amniótico, indispensável à vida in utero. Os médicos disseram que a gravidez era inviável e recomendaram o aborto. A Tânia e o Alexandre recusaram e avançaram com a gravidez, mesmo sendo apelidados de irresponsáveis, firmes na promessa de que o seu bebé seria um milagre de Deus. E foi. A Zoey nasceu, contra todos os prognósticos médicos, perfeita e saudável. Mas a luta foi dura... 

A história da Zoey está no Facebook (passem por lá, façam "gosto" e partilhem) e até já passou num programa de televisão, mas eu queria realmente partilhar convosco o testemunho destes pais, na primeira pessoa, porque eles, mais do que cristãos, são pessoas reais, como nós, e enfrentaram um problema bem real. Que a sua fé vos possa inspirar também, como me inspirou a mim.

Como mulher cristã, filha de Deus, o que é que sentiste quando te disseram que a tua gravidez não era viável? Tiveste medo? Dúvida? Como é que reagiste a esta notícia? 


Quando recebi a notícia de que a gravidez não era viável, não quis acreditar que aquilo estava a acontecer comigo, justo eu, Deus sabe que eu sou tão frágil, Deus sabe que eu não suportarei outro aborto, outra perda. Foi este o pensamento e um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que os pensamentos corriam na minha mente dizendo eles são médicos tens de aceitar, eles sabem o que estão a dizer, eu sabia que não podia deixar as minhas emoções se abalarem porque não queria passar para o baby essa insegurança. 

Existia uma luta de alguém que sabe o que é dito “normal”, “natural”, porque eu ouvia-os e nas explicações deles tudo batia certo, afinal de contas eu já tinha tido dois nados vivos, já tinha estudado biologia, então eles não estavam a dizer nenhuma asneira. Mas por outro, como mulher cristã, sabia que esse Deus que deu a vida, só Ele e apenas Ele tinha o poder de fazer o que quisesse com ela. Esse Deus que eu conheço é um Deus de poder, já O experimentei tantas vezes, e por breves segundos, pensava será que vai acontecer comigo? Que será que Ele vai fazer desta vez? 

Senti medo, claro, medo da perda, medo de mais um sonho frustrado, porque uma gravidez é um sonho. Qualquer mulher antes de engravidar sonha com o dia em que está grávida, não importa se pela 1ª vez, 2ª ou 4ª vez, e eu estava a viver mais um sonho, que eu não queria que se tornasse num pesadelo, seria doloroso demais. 

Mas a minha, a nossa reação, (sim nossa, porque a decisão, sempre foi dos dois, minha e do meu marido) foi de "enquanto o coração bater, existe vida". E existia um coração a bater, então havia vida, não iríamos nós fazer parar esse som maravilhoso. 


O que é que mantém uma mulher a quem médicos dizem que deve abortar porque o seu bebé vai morrer, firme ao ponto de ser capaz de manter uma gravidez até ao fim, contra tudo e contra todos? 


A fé Diana, apenas isso nos mantém firmes em algo que não é visível, que não é palpável. Porque nem as ecografias poderiam ajudar, pois eram tão ilegíveis que nem isso ajudava a pensar "se calhar vai correr tudo bem". Durante toda a gravidez nunca vi a minha filha, apenas um saco roto e sem qualquer espaço para que ela se conseguisse esticar. 
Não eram as palavras de médicos que animavam, nem mesmo as muitas vozes que se levantavam com preocupações, afinal com uma bolsa rota, eu sofria o risco de ter uma infeção, risco de vida mesmo.